Allgemein

Revelar-se: voz passiva


Flávia Mattar

Fayga Ostrower fala de sensualidade – da atração que a matéria desencadeia. A fala da artista me atrai, como um enigma. Logo me ocorre a ligação entre sensualidade e sensorial – os sentidos são tomados pelo objeto e se rendem ao poder exercido sobre eles. Em seguida, voo além da matéria. Um escrito sobre arte, sensualidade e espiritualidade.

Ouvindo a música no rádio da cozinha, foi tomada pela beleza. Ela a tocou, a pegou de surpresa, a tomou pela mão, a invadiu, a fez sorrir. Pensou: “chamaria eu isso de sensualidade?”

Primeiro, uma atração, um chamado – aquele objeto fala de algo que quer explorar, sentir, apropriar. Algo que ultrapassa a sua forma corriqueira de pensar, que faz clarão.

Trate-se do belo, do intolerável, do sublime, da perplexidade… Ela fica ali, colada naquilo, investigativa, como se algo a tivesse deslocado.

Deslocada, se põe a buscar um novo ninho nesse desconhecido. 

Seria isso da ordem de um apaixonamento?

O que essa sensualidade tem a ver com espiritualidade?

Como a partir de um envolvimento sensual, sensorial, estético é possível transcender o limitar dos sentidos e deparar-se com um…

Revela-se. Algo se revela. Algo sem nome, sem sentido, sem explicação.

A potência do envolvimento sensorial transborda, expande, amplia a fronteira. Algo emerge, liberado da autoria, da propriedade, da fixação em um sujeito limitado em seus conflitos, em seu carrossel de pensamentos.

Revelar-se: voz passiva. Revela-se, revela-se, revela-se.

Não seria esse transbordar, expandir, ampliar a fronteira e revelar-se Yoga?

Foto: Pexels – Mihman Duğanlı


Hinterlasse einen Kommentar