Yoga ist Meditation

(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

Kürzlich erzählte mir eine Yogapraktizierende, dass sich die Verspannungen, die sie im Alltag spürt, während der Asanas (Körperhaltungen) und der bewussten Atemübungen vielleicht noch verstärken. Ihre Aussage veranlasst uns zum Nachdenken über bestimmte Punkte, die für diejenigen nützlich sein können, die Yoga als eine Gelegenheit zur Selbsterforschung sehen. 

Yoga hat mehrere Bedeutungen und eine davon ist Meditation. Wenn wir Körperhaltungen und Atemübungen machen, während wir über andere Dinge nachdenken, was vielen von uns passieren kann, praktizieren wir eigentlich kein Yoga. Ein Geist, der sich konzentrieren kann, ist ein Geist, der sich entspannen kann. Die Energie wird in eine Richtung kanalisiert. Wenn das Handeln in eine Richtung geht (bei den Yoga-Körperhaltungen) und das Denken in eine andere Richtung (die Einkaufsliste), entsteht ein Konflikt zwischen Denken und Tun.

Die Aussage der Teilnehmerin lässt mich vermuten, dass sie versucht, die Empfindungen wahrzunehmen, die während der Yogapraxis im Körper auftreten. Vielleicht hat sie den Eindruck, dass die Verspannung zunimmt, weil sie der Spannung mehr Aufmerksamkeit schenkt? 

Ich suchte einmal die Hilfe einer Nonne, um über Spannungen zu berichten, die mich bei meinen Meditationsübungen behinderten. Ich erzählte ihr, dass ich während der Meditation einen Druck in meinem Kiefer spürte. Die Nonne antwortete etwas Interessantes: „Alles, was während der Meditation auftaucht, war schon vorher da, aber vielleicht haben Sie nicht darauf geachtet, es zu bemerken“. In meinem Fall habe ich nach einer Selbstanalyse erkannt, dass die Art und Weise, wie ich die Meditation praktizierte, mir schadete und mehr Spannungen erzeugte. Ich habe meine Grenzen nicht respektiert.

Die Praxis des Yoga als Meditation, als Selbsterforschung, deckt unsere Spannungen im körperlichen, energetischen und geistigen Bereich auf. Yoga bringt zunächst – und auch für diejenigen, die es nur als körperliche Praxis betreiben, ohne tiefer in die Selbsterforschung einsteigen zu wollen – ein oberflächliches Wohlbefinden. Aber wenn wir tiefer gehen, zeigt uns diese Pädagogik, woran wir arbeiten müssen, damit wir mit mehr Leichtigkeit durchs Leben gehen können.

Mein Lehrer hat uns eine interessante Geschichte erzählt. Ein Freund suchte ihn auf, um Yoga zu machen. Nach einer Weile sagte der Teilnehmer: „Ich werde mit dem Yoga aufhören. Ich werde zu aggressiv.“ Mein Lehrer meinte daraufhin: „Aber du warst schon immer aggressiv, vielleicht bemerkst du erst jetzt diese Tendenz.“ Wenn wir mit Achtsamkeit üben, mit Fokus, immer darauf bedacht, den Geist auf das zu lenken, was im Körper und im Geist vor sich geht, wie der Atem fließt usw., werden sich unsere Knoten offenbaren, zeigen, und je nachdem, wie sehr wir an ihnen hängen, können wir Unbehagen erfahren.

Wenn sich Spannungen zeigen, ist es sehr wichtig, keinen Widerstand gegen sie zu erzeugen. Wenn wir mit brachialer Gewalt versuchen, eine Spannung schnell zu beenden, vertiefen wir das Problem und erleben noch mehr Unbehagen. Wenn wir etwas bemerken, das uns an uns selbst nicht gefällt, führt das häufig zu einem Urteil: „Das ist schlecht. Das gefällt mir nicht. Ich möchte das nicht fühlen. Ich muss etwas dagegen tun. Ich will, dass es aufhört, und zwar jetzt!“ Wenn wir gegen ein Symptom, was auch immer es ist, in den Krieg ziehen, kann es sich verschlimmern. Warum ist das so?

Einer der Gründe dafür könnte sein, dass wir uns mit dem Symptom identifizieren. Es ist wie ein Konflikt im Kopf: Einerseits will ich das Symptom nicht, andererseits habe ich die falsche Vorstellung, dass das Symptom für mich wichtig ist, dass es für mich nützlich ist. (In einem früheren Text habe ich eine Reflexion über die Tatsache vorgeschlagen, dass wir glauben, dass sogar das, was uns weh tut, was uns Schmerzen verursacht, für uns nützlich ist. Wir klammern uns an unsere Symptome, als ob sie Teil unserer Identität wären).

Ein guter erster Schritt zur Erleichterung dessen, was Unbehagen verursacht, besteht darin, sich selbst zu erlauben, das Symptom ohne Leidenschaft, ohne Urteil, ohne Anhaftung zu beobachten. Einen Raum zwischen dem Subjekt (dem Beobachter) und dem Objekt (dem Symptom) zu schaffen und der Spannung zu erlauben, zu „atmen“ beruhigt den Geist.  Und ein ruhiger Geist ist ein guter Weg, um die Lösungen für unsere Knoten zu offenbaren, damit wir unsere schweren Lasten loslassen können, und so der Nutzen durch die Erhaltung des Symptoms in Schach gehalten werden kann. 

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YOGA É MEDITAÇÃO

Recentemente, uma praticante de yoga me disse que talvez a tensão que sente no maxilar piore durante as aulas de asana (posturas corporais) e respiração consciente. A sua fala traz pontos para reflexão que podem ser úteis para quem vê o Yoga como uma oportunidade de auto investigação. 

Yoga tem vários significados e um deles é meditação. Se fazemos posturas e exercícios respiratórios enquanto pensamos em outros assuntos, o que pode ocorrer com muitos de nós, na verdade não estamos praticando yoga, mas exercícios corporais. A atenção, a entrega, a presença são sinônimos de yoga. Uma mente que é capaz de focar, é uma mente que consegue relaxar. A energia é canalizada em uma única direção. Quando a ação segue uma direção (posturas corporais de yoga, por exemplo) e o pensamento segue outra direção (a lista do supermercado) há um conflito entre o pensar e o fazer.

A fala da aluna me leva a crer que ela procura perceber as sensações que aparecem no corpo durante a sua prática. Talvez ela tenha a impressão de que a tensão aumenta durante as práticas de Yoga por ela dar mais atenção à tensão?

Certa vez, eu procurei a ajuda de uma monja para relatar tensões que me atrapalhavam durante as minhas práticas de meditação. Eu disse a ela que, durante a meditação, eu sentia uma pressão no maxilar. A monja respondeu algo interessante: “tudo o que aparece durante a meditação, já estava presente antes, mas talvez você não estava atenta para perceber”. (No meu caso, depois de fazer autoanálise, eu percebi também que a forma como eu praticava meditação estava me prejudicando, gerando mais tensões. Eu não estava respeitando os meus limites.)

A prática de yoga como meditação, como auto investigação, vai revelando as nossas tensões nos âmbitos físico, energético, mental etc. O Yoga traz inicialmente — e também para quem o segue apenas como uma prática física, sem querer se aprofundar na auto investigação – um bem-estar superficial. Mas à medida que nós nos aprofundamos, essa pedagogia vai nos mostrando aquilo que precisa ser trabalhado em nós, para que possamos transitar com mais leveza pela vida.

O meu professor nos contou uma história interessante. Um amigo o procurou para fazer yoga. Depois de um tempo, o aluno e amigo disse: “eu vou parar com essa história de yoga. Eu estou ficando muito agressivo.” O meu professor então refletiu: “mas você sempre foi agressivo, talvez agora você esteja percebendo essa tendência.” Uma vez que praticamos com atenção, com foco, buscando sempre trazer a mente para o que se passa no corpo, na mente, como a respiração flui etc, os nossos nós vão se revelando, se mostrando e, dependendo do apego que temos a eles, podemos experimentar desconforto.

Algo muito importante, quando as tensões se mostram, é não criar resistência contra elas. Se queremos usar a força bruta para acabar com uma tensão rapidamente, experimentamos o aprofundamento do problema e ainda mais desconforto. É comum, quando percebemos algo que não gostamos em nós, entrarmos no julgamento e na queda de braço: “isso é ruim. Eu não gosto disso. Eu não quero sentir isso. Eu tenho que fazer algo para acabar com isso. Eu quero que isso acabe e tem que ser agora!” Quando partimos para a guerra contra um sintoma, seja ele qual for, ele pode se acentuar. Por que isso acontece?

Uma das razões pode ser o fato de nós nos identificamos com o sintoma. Há como um conflito na mente: por um lado, eu não quero o sintoma, por outro, eu tenho uma falsa ideia de que o sintoma é importante para mim, é útil para mim. (Em um texto anterior, eu propus uma reflexão sobre o fato de que nós acreditamos que, até aquilo que nos fere, que nos causa dor, tem uma utilidade para nós. Nós nos apegamos aos nossos sintomas, como se fossem parte de nossa identidade.)

Um bom primeiro passo para aliviar aquilo que causa desconforto é se permitir observar o sintoma sem paixão, sem julgamento, sem apego, sem se envolver em demasia com a questão. Criar um espaço entre o sujeito (aquele que observa) e o objeto (o sintoma) e deixar a tensão respirar, se apaziguar, tranquilizam a mente.  E uma mente tranquila é um bom meio para que as soluções para os nossos nós possam ir se revelando, para que a gente possa ir se desapegando das nossas cargas pesadas, para que o benefício de preservar o sintoma possa ser colocado em xeque.

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YOGA IS MEDITATION

Recently, a yoga practitioner told me that the tensions she feels in her daily life may be exacerbated during asanas (postures) and conscious breathing exercises. Her statement prompts us to reflect on certain points that may be useful for those who see yoga as an opportunity for self-study.

Yoga has several meanings and one of them is meditation. If we do postures and breathing exercises while thinking about other things, which can happen to many of us, we are not actually practicing yoga. A mind that can concentrate is a mind that can relax. Energy is channeled in one direction. When action goes in one direction (the yoga body postures) and thought goes in another (the grocery list), there is a conflict between thinking and doing.

The participant’s statement leads me to believe that she is trying to notice the sensations that occur in the body during yoga practice. Perhaps she feels that the tension is increasing because she is paying more attention to the tension?

I once sought the help of a nun to report tension that was interfering with my meditation practices. I told her that I felt a pressure in my jaw during meditation. The nun replied something interesting: „Everything that comes up during meditation was there before, but maybe you didn’t pay attention to notice it.“ In my case, after a self-analysis, I realized that the way I was practicing meditation was harming me and creating more tension. I was not respecting my limits.

The practice of yoga as meditation, as self-study, uncovers our tensions in the physical, energetic and mental realms. Yoga at first – and even for those who do it only as a physical practice, without going deeper into self-study – brings a superficial well-being. But when we go deeper, this pedagogy shows us what we need to work on so that we can go through life with more ease.

My teacher told us an interesting story. A friend sought him out to do yoga. After a while, the participant said, „I’m going to stop doing yoga. I’m getting too aggressive.“ My teacher then said, „But you’ve always been aggressive, maybe you’re just noticing this tendency now.“ If we practice with mindfulness, always looking to direct the mind to what is going on in the body and mind, how the breath is flowing, etc., our knots will reveal themselves, show themselves, and depending on how attached we are to them, we may experience discomfort.

When tensions show up, it is very important not to create resistance to them. If we use brute force to try to end a tension quickly, we deepen the problem and experience even more discomfort. When we notice something we don’t like about ourselves, it often leads to a judgment, „This is bad. I don’t like that. I don’t want to feel that. I have to do something about it. I want it to stop, and I want it to stop now!“ When we go to war against a symptom, whatever it is, it can get worse. Why is that?

One of the reasons could be that we identify with the symptom. It’s like a conflict in the mind: on the one hand I don’t want the symptom, on the other hand I have the wrong idea that the symptom is important to me, that it’s useful to me. (In a previous text I suggested a reflection on the fact that we believe that even what hurts us, what causes us pain, is useful for us. We cling to our symptoms as if they were part of our identity.)

A good first step to relieving what causes discomfort is to allow yourself to observe the symptom without passion, without judgment, without attachment. Creating a space between the subject (the observer) and the object (the symptom) and allowing the tension to „breathe“ calms the mind.  And a calm mind is a good way to see the solutions to our knots so that we can let go of our heavy burdens.

Take it easy und gehe in die Tiefe


(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

Ich möchte dieses neue Jahr damit beginnen, über Leichtigkeit nachzudenken, die in der Yoga-Praxis von größter Bedeutung ist. Zunächst einmal stelle ich allen, die diesen Text lesen, eine Frage. Wenn ihr an ein Gefühl denkt, das ihr jeden Tag in eurem Leben spüren möchtet und ich euch zwei Möglichkeiten vorlege, welche würdet ihr wählen: Möchtet ihr leicht oder angespannt sein?

Leichtigkeit ist ein Wert, der uns allen am Herzen liegt, auch wenn wir nicht genau wissen, wie wir sie inmitten der vielen Herausforderungen, die das Leben an uns stellt, erleben können. Wenn wir jedoch Körperhaltungen (Asanas), bewusste Atemübungen und Pranayamas (Kontrolle des Pranas) oder Praktiken zur Kontrolle des Geistes ausführen, haben die meisten von uns die Tendenz, uns zu zwingen, uns zusammenzuziehen, uns zu verdichten, was das Gegenteil von dem ist, was Yoga uns lehren kann.

Yoga bringt uns in Kontakt mit Praktiken, die auf die Erfahrung der Ausdehnung, der Leichtigkeit, des inneren Raums abzielen. Das Wort Yoga hat mehrere Bedeutungen und eine davon ist: „Yoga ist die ‚Bemühung‘, die körperlichen, emotionalen, energetischen und mentalen Knoten zu lösen.“ Ein Knoten ist etwas Festes. Es ist logisch, dass niemand einen Knoten löst, indem er die Spannung erhöht. Das Lösen eines Knotens erfordert Sorgfalt, Aufmerksamkeit und die Absicht, die Spannung zu lösen.

Ich möchte ein Bild vorstellen, damit wir die Bedeutung der Leichtigkeit in der Yogapraxis vertiefen können. Wenn eine sehr dünne Halskette einen Knoten hat, wie lässt sie sich dann lösen? Mit Feingefühl, nicht wahr? Und wenn ich über den Versuch nachdenke, den Körper zu einer Körperhaltung zu zwingen, für die er noch nicht bereit ist, schlage ich ein neues Bild vor. Wenn ein Lederriemen trocken und gespannt ist, was passiert, wenn ich versuche, ihn zu biegen? Es „bricht“, nicht wahr? Ich muss es erst weich machen, damit es flexibel ist.

Mein Yogalehrer erzählte uns einmal, wie er beschloss, Flöte spielen zu lernen. Er habe die Flöte so festgehalten, dass das Instrument nach einigen Versuchen schief geworden sei. Wenn wir eine Person sehen, die ein Musikinstrument beherrscht, die meisterhaft spielt, spielt sie das Instrument mit einer solchen Leichtigkeit … Die Anwendung von Kraft ist das Mittel, das wir einsetzen, wenn wir nicht wissen, wie wir mit einer Situation umgehen sollen. Und wenn ich an die Erfahrungen meines Lehrers mit der Flöte denke, kann die Anwendung von Kraft – die Spannung –  ein Zeichen für mangelnde Intimität sein. Wer ein Musikinstrument mit Leichtigkeit handhabt, besitzt eine tiefe Vertrautheit mit dem Objekt.

Leichtigkeit und Vertrautheit

Wir suchen intime Beziehungen, Nähe, Kontakt, aber wenn wir ehrlich sind, wie intim sind wir mit uns selbst (mit unserem Instrument – Körper und Geist z.B)? Wie genau sehen wir uns selbst an, um zu erkennen, wo unsere Spannungen und Konflikte liegen? Wo sind unsere emotionalen und mentalen Knoten?

Der Weg zur Leichtigkeit kann durchaus damit zusammenhängen, sich ein intimes, tiefes, aufmerksames und furchtloses Eintauchen in den Körper, den Geist, die Gefühle und die Gedanken zu erlauben, ohne zu urteilen, ohne mehr Widerstand zu erzeugen.

Leichtigkeit kann während der Yogapraxis auf der Matte, aber auch im Alltag, bei den unterschiedlichsten Herausforderungen, erfahren werden. Dasselbe gilt für den Sprung in die Vertrautheit. Die Yogapraxis ist ein günstiger Moment, um Selbstbeobachtung und Selbststudium zu praktizieren, was auch auf das tägliche Leben außerhalb des Yogastudios ausgedehnt werden kann und sollte.

Das Gefühl der Vertrautheit ist mit Stille und Leichtigkeit verbunden. Es ist eine sehr warme, weiche, angenehme Erfahrung. Wie kann man Intimität und Leichtigkeit trennen? Und aus dieser Leichtigkeit, aus dieser Intimität heraus zeigen sich die Liebe, die Selbstliebe, die Zufriedenheit, die Akzeptanz von sich selbst und dem anderen, die Akzeptanz des Lebens, wie es sich darstellt. Und so wird unsere Reise hier auf Erden angenehmer. 

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PEGA LEVE E VAI FUNDO

Eu gostaria de começar este novo ano refletindo sobre a leveza, que é algo de suma importância na prática do Yoga. Primeiramente, faço uma pergunta a todos que leem este texto. Se você pensar em uma sensação que gostaria de sentir todos os dias de sua vida e eu te apresentar duas opções, qual delas você escolheria: você gostaria de ser leve ou tenso?

A leveza é um valor caro a todos nós, mesmo que não saibamos muito bem como vivenciá-la em meio aos muitos desafios que a vida nos apresenta. No entanto, quando fazemos posturas corporais (asanas), exercícios de respiração consciente e pranayamas (controle do prana) ou práticas que visam o controle da mente, a maioria de nós tem a tendência de se forçar, de se contrair, de se compactar, o que é o oposto do que o Yoga tem a nos ensinar.

O Yoga nos coloca em contato com práticas que visam a experiência de expansão, de leveza, de espaço interno. A palavra Yoga tem vários significados e um deles é: “Yoga é o ‘esforço’ para desatar os nós físicos, emocionais, energéticos, mentais.” Um nó é algo apertado. Pela lógica, ninguém desata um nó intensificando a tensão. Para desfazer um nó, é preciso cuidado, atenção e o intuito de desfazer a tensão.

Gostaria de propor uma imagem para que possamos nos aprofundar em nossas reflexões. Quando um colar muito fino tem um nó, como ele pode ser desatado? Com muita delicadeza, não é mesmo? E pensando na tentativa de forçar o corpo a fazer uma postura corporal, a qual ele ainda não está preparado, proponho uma nova imagem. Se uma fita de couro está ressecada e tensionada, o que acontece se eu procuro dobrá-la? Ela provavelmente irá „quebrar“. Eu primeiro preciso amaciá-la, torná-la flexível.

Uma vez, o meu professor de yoga contou sobre uma ocasião em que resolveu aprender a tocar flauta. Ele segurava a flauta com tanta força, disse ele, que depois de algumas tentativas o instrumento ficou torto. Quando vemos uma pessoa dominar um instrumento musical, tocar com maestria, a pessoa o manipula com tamanha leveza… O uso da força é o recurso usado quando não sabemos como lidar com uma situação. E, pensando na experiência de meu professor, o uso da força bem pode denotar falta de intimidade. Quem manipula um instrumento musical com leveza, possui profunda intimidade com aquele objeto.

Leveza e intimidade

Se formos parar para pensar honestamente, até que ponto somos íntimos de nós mesmos (do corpo, da mente – nossos instrumentos)? Até que ponto nós nos olhamos com intimidade, para verificar onde estão as nossas tensões, os nossos conflitos? Onde estão os nossos nós emocionais e mentais? O caminho em direção à leveza pode muito bem estar relacionado com o se permitir um mergulho íntimo, profundo, atento e destemido no corpo, na mente, nas emoções, nos pensamentos, sem julgamentos, sem criar mais resistência.

A leveza pode ser vivenciada durante a prática de yoga sobre o tapete, mas também no dia a dia, diante dos mais diversos desafios. O mesmo se pode dizer sobre o mergulho na intimidade. A prática de yoga é um momento propício para praticar a auto-observação, o auto-estudo, que pode e deve ser estendido para o cotidiano fora do tapetinho.

A intimidade é uma vivência calorosa, macia, agradável. Sentir-se íntimo é carregado de quietude, de leveza. E é dessa leveza, dessa intimidade que o amor, o auto-amor, o contentamento, a aceitação de si e do outro, a aceitação da vida como ela se apresenta se mostram. E assim a nossa jornada aqui na Terra vai se tornando mais prazerosa. Um prazer menos errático, mais constante.

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TAKE IT EASY AND GO DEEP

I would like to begin this new year by reflecting on lightness, which is something of paramount importance in the Yoga practice. First of all, I ask everyone who reads this text a question. If you think of a feeling you would like to feel every day of your life, and I present you with two options, which one would you choose: would you like to be light or tense?

Lightness is a value dear to all of us, even if we don’t know very well how to experience it in the midst of the many challenges that life presents to us. However, when we do body postures (asanas), conscious breathing exercises and pranayamas (prana control), or practices aimed at controlling the mind, most of us have the tendency to force ourselves, to contract, to compact ourselves, which is the opposite of what Yoga has to teach us.

Yoga puts us in touch with practices that aim at the experience of expansion, of inner space. The word Yoga has several meanings and one of them is: „Yoga is the ‚effort‘ to untie the physical, emotional, energetic, mental knots.“ A knot is something tight. By logic, no one unties it by intensifying the tension. To untie a knot requires care, attention, and the intent to undo the tension, to relax.

I would like to introduce an image so that we can deepen the meaning of lightness in yoga practice. If a very thin necklace has a knot, how can it be untied? With delicacy, right? And when I think about trying to force the body into a posture it’s not ready for, I suggest a new image. If a leather strap is dry and taut, what happens when I try to bend it? It „breaks,“ doesn’t it? I have to soften it first to make it flexible.

My yoga teacher once told us about a time when he decided to learn to play the flute. He held it so tightly, he said, that after a few tries the instrument got bent. When we see a person mastering a musical instrument, playing with mastery, he or she handles it with such lightness… The use of force is the recourse when we don’t know how to deal with a situation. And, thinking about my teacher’s experience with the flute, the use of force can denote a lack of intimacy. Those who play with lightness possess a deep intimacy with the instrument.

Lightness and Intimacy

If we think honestly, how intimate are we with ourselves (with the body and mind instruments)? How intimately do we look at ourselves to see where our tensions, our conflicts are? Where are our emotional and mental knots? The path towards lightness may very well be related to allowing oneself an intimate, deep, attentive and fearless dive into the body, the mind, the emotions, the thoughts, without judgments, without creating more resistance.

Lightness can be experienced during the yoga practice on the mat but also in everyday life, facing the most diverse challenges. The same can be said about diving into intimacy. Our practice is a propitious moment for self-observation, self-study, which can and should be extended to daily life outside the yoga studio.

Intimacy is a warm, soft, pleasant experience. Feeling intimate is charged with stillness and lightness. And it is from this lightness, from this intimacy, that love, self-love, contentment, acceptance of oneself and of the other, acceptance of life as it is, show themselves. And so our journey here on Earth becomes more pleasurable. A less erratic pleasure, more constant.