Yoga im Sambakreis

Flávia Mattar
(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

Vor mehr als zwanzig Jahren lud mich ein alter Mann, der die Kunst des Rootsamba (samba de raiz) gut beherrschte, zum Tanzen ein. Wir waren in Lapa, in Rio de Janeiro, in einem Antiquitätengeschäft, das in eine Bar umgewandelt worden war. Ich nahm die Einladung an, ein wenig unsicher, denn im Gegensatz zu ihm hatte ich nie Samba gelernt. Eine seiner Hände ruhte auf meiner Taille, die andere hielt meine Hand in der Luft. Die Musiker spielten live.

Ich verließ den Sambakreis (roda de samba) ein wenig fassungslos und ging zu meinen Freundinnen, die an einem langen, alten, dunklen Holztisch saßen und sich unterhielten. Eine Freundin sah mich an und fragte: „Ist alles in Ordnung?“ „Ich habe gerade mit Gott getanzt“, sagte ich verwirrt. Sie wandte ihren Blick zu dem Mann mit Hut, der mit mir getanzt hatte und dessen Bild weit von einem griechischen Gott entfernt war, und starrte mich fragend an.

Ich hatte sehr, sehr gut getanzt, ohne eine einzige Bewegung zu machen! In den Händen dieses Herrn wurde ich in eine Stoffpuppe verwandelt. Mein Körper bewegte sich unabhängig von meinen Entscheidungen, und ich beobachtete erstaunt, was geschah – wie sich die Beine, die Füße, die Hüften, der Rumpf …  wie sich alles unabhängig von meinem Willen, von meinem Befehl bewegte. Wenn ich sagen darf, dass es ein Tun gab … Das Einzige, was ich tat, war mich nicht zu wehren. Ich habe den Bewegungen einfach nicht widerstanden. Und das Gefühl war wundervoll – von tiefster Leichtigkeit, Frieden, Freiheit. Ich habe diese Erfahrung mit Gott übersetzt.

Zu dieser Zeit beschäftigte ich mich nicht konsequent mit Yoga, das für mich nichts weiter als eine körperliche Übung war. Ich hatte kein offensichtliches oder bewusstes Interesse an Spiritualität oder Religion, die meiner Meinung nach nur Zeitverschwendung und Illusion waren. Ich kann sagen, dass ich beim Anblick des gequälten Körpers von Jesus Christus Qualen empfand. Sein offensichtlicher Schmerz verletzte mich, und da ich keinen Schmerz empfinden wollte, versuchte ich, jede Annäherung an dieses Bild zu vermeiden. Gott war etwas so Fernes und Abstraktes, dass er mir nur in den Sinn kam, wenn ich keinen anderen Ausweg aus einem Problem finden konnte. Und doch, inmitten des Sambas, des Tanzes, dort in Lapa … an einem Ort, an dem man nie erwarten würde, Gott zu spüren, auf „ihn“ zu treffen … war „er“ da, tanzte mit mir. Wer kann das schon sagen?

Vor ein paar Tagen hörte ich meinem Yogalehrer zu, der darüber sprach, wie wichtig es ist, sich auf Erfahrungen einzulassen. Er sprach drei Haltungen an, die in den Yoga Sutras von Patanjali aufgezeigt werden und die wichtig sind, um den Geist von der Unruhe zu befreien, so dass geistige Klarheit entstehen kann:

*Tapas – die Bemühung, während der Erfahrungen Präsenz zu üben;

*svadhyaya – Selbststudium, Beobachtung dessen, was innerlich vor sich geht, während Situationen geschehen;

*ishvara pranidhana – Vertrauen, sich hinzugeben, sich ganz auf Situationen einzulassen; Vertrauen in das Leben.

Je weiter wir in diesem tiefen Eintauchen in Erfahrungen und in uns selbst fortschreiten, während das Leben geschieht, desto weniger entscheiden wir, ob der beste Weg nach links oder nach rechts führt, oder ob es am Ende besser ist, vorwärts zu gehen. Die Handlungen entfalten sich ganz natürlich, ohne Konflikte, ohne Zweifel, wie eine Stoffpuppe, die ohne Widerstand in einem Tanz geführt wird. Mehr als Entscheidungen, mehr als der Versuch, Situationen zu kontrollieren oder zu manipulieren, gibt es die gelassene Beobachtung dessen, was sich vor unseren Augen zeigt und offenbart. Dort zeigen sich Leichtigkeit und Freiheit.

Als ich meinem Lehrer zuhörte, musste ich an diese Geschichte in Lapa denken. Es bringt mich zum Lachen, wenn ich daran denke, dass ich dort, in diesem Samba-Kreis, Yoga gemacht habe. Ohne es zu wissen, ohne es zu wollen, ganz natürlich habe ich die drei von Patanjali aufgezeigten Haltungen praktiziert. Wer hätte das gedacht?

Euch allen ein frohes Weihnachtsfest. Was könnte ich euch für 2022 wünschen? Taucht tief in die Situationen und euch selbst hinein! Happy new year!

Bild: „Roda de Samba in Lapa“, Heitor dos Prazeres. 1965 Öl auf Leinwand 80 x 100 cm

*

YOGA NA RODA DE SAMBA

Há mais de vinte anos, um senhor muito versado na arte do samba de raiz me convidou para dançar. Estávamos na Lapa, no Rio de Janeiro, em um antiquário que foi transformado em bar. Eu aceitei o convite, um pouco insegura, porque, diferente dele, nunca aprendi a arte do samba. Uma de suas mãos pousou na minha cintura a outra manteve a minha mão erguida no ar. Os músicos tocavam ao vivo.

Saí da roda de samba um pouco atordoada e caminhei em direção as minhas amigas que bebiam e conversavam em uma mesa de madeira escura longa e antiga. Uma amiga olhou para mim e perguntou: “está tudo bem?” “Eu acabei de dançar com Deus”, disse perplexa. Ela voltou o olhar para o senhor de chapéu que dançou comigo, cuja imagem estava distante de um deus grego, e me encarou com ar de interrogação.

Eu dancei muito, muito bem, sem fazer nenhum movimento! Eu me transformei em uma boneca de pano nas mãos daquele senhor. Meu corpo se movia independente de minhas decisões e eu apenas observava perplexa o que acontecia – como as pernas, os pés, os quadris, o tronco… como tudo se movimentava independentemente de minha vontade, de meu comando. Se eu puder falar que havia um fazer… O único fazer era não resistir. Eu apenas não resistia aos movimentos. E a sensação era maravilhosa – da mais profunda leveza, paz, liberdade. Eu traduzi essa vivência como Deus.

Nessa época eu não tinha nenhum envolvimento consistente com yoga, que para mim não passava de exercícios físicos. Não tinha interesse aparente ou consciente por espiritualidade ou religião, o que na minha visão não passava de perda de tempo e ilusão. Posso dizer que sentia angústia ao ver o corpo torturado de Jesus Cristo. A sua aparente dor doía em mim e como eu não queria sentir dor eu procurava me afastar de qualquer aproximação com aquela imagem. Deus era algo tão distante e abstrato, que só me vinha à cabeça quando eu não encontrava outra saída para resolver algum problema. E, no entanto, em meio ao samba, à dança, ali na Lapa… em um lugar onde a gente nunca espera sentir Deus… ele estava lá, dançando comigo. Quem poderia dizer?

Poucos dias atrás eu escutei o meu professor de yoga falar da importância de ir fundo nas experiências. Ele abordou três atitudes apontadas nos Yoga Sutras, de Patanjali, que são fundamentais para que a mente se libere de inquietações, para que possa haver clareza mental:

*tapas – o empenho para praticar a presença durante as experiências;
*svadhyaya – auto-estudo, observar o que se passa internamente enquanto as situações estão acontecendo;
*ishvara pranidhana – confiança para se entregar, para mergulhar por inteiro nas situações, fé na vida.

Conforme a gente vai avançando nesse mergulho profundo nas experiências e em nós mesmos, enquanto a vida vai acontecendo, a gente vai cada vez menos decidindo se o melhor caminho segue para a esquerda ou para a direita, ou se no final é melhor seguir em frente. As ações vão se desdobrando naturalmente, sem conflitos, sem dúvidas, como um boneco de pano que é conduzido sem resistência em uma dança. Mais do que decisões, do que a tentativa de controlar ou manipular as situações, há a observação serena do que vai se mostrando, revelando diante de nossos olhos. É aí que a leveza e a liberdade vão se revelando.

Ao escutar o meu professor falar, eu não pude deixar de relembrar essa história na Lapa. E pensar que ali, naquela roda de samba, eu fiz sem saber, sem querer yoga, eu pratiquei as três atitudes apontadas por Patanjali. Quem diria?

Um lindo natal para todos. E o que eu poderia lhes desejar para 2022? Vai fundo nas situações que a vida te apresenta e te observa! Happy new year!

Imagem: “Roda de Samba na Lapa”, Heitor dos Prazeres. 1965 Óleo s/ tela 80 x 100 cm

*

YOGA AT THE SAMBA CIRCLE

More than twenty years ago, a man well versed in the art of “samba de raiz” invited me to dance. We were in Lapa, in Rio de Janeiro, in an antique shop that has been transformed into a bar. I accepted the invitation, a little insecurely, because, unlike him, I never learned how to dance samba. One of his hands rested on my waist and the other kept my hand raised in the air. The musicians were playing live.

I left the samba circle (roda de samba) a little stunned and walked toward my friends who were drinking and chatting at a long old dark wooden table. One friend looked at me and asked, „is everything okay?“ „I just danced with God,“ I said perplexed. She turned her gaze to the gentleman who danced with me, whose image was far removed from a Greek god, and stared at me with a questioning look.

I danced very, very well, without making any movement! I became a rag doll in the hands of the gentleman. My body moved independently of my decisions, and I just watched in amazement at what was happening – how the legs, the feet, the hips, the torso. how everything moved independently of my will, of my command. If I may say there was a doing… The only doing was not resisting. I just didn’t resist the movements. And the feeling was wonderful – of the deepest lightness, peace, freedom. I translated this experience as God.

At that time I had no consistent involvement with yoga, which to me was nothing more than physical exercise. I had no apparent or conscious interest in spirituality or religion, which in my view was just a waste of time and illusion. I can say that I felt anguish at the sight of the tortured body of Jesus Christ. His apparent pain hurt me and since I didn’t want to feel pain I tried to stay away from any approach to that image. God was something so distant and abstract that it only came to my mind when I couldn’t find any other way to solve a problem. And yet, amidst the samba, the dancing, there in Lapa… in a place where you never expect to feel God… He was there, dancing with me. Who could tell?

A few days ago I listened to my yoga teacher talking about the importance of going deep into experiences. He addressed three attitudes pointed out in the Yoga Sutras by Patanjali that are fundamental for the mind to be free from restlessness, so that there can be mental clarity:

*Tapas – the commitment to practice presence during experiences;

*svadhyaya – self-study, observing what is going on inside oneself while situations are happening;

*ishvara pranidhana – confidence to surrender, to fully immerse oneself in situations; faith in life.

As we advance in this deep dive into experiences and into ourselves, while life is happening, we decide less and less if the best path goes left or right, or if in the end it is better to go forward. Actions unfold naturally, without conflicts, without doubts, like a rag doll that is led without resistance in a dance. More than decisions, more than the attempt to control or manipulate situations, there is the serene observation of what is being shown, revealed before our eyes. It is there that lightness and freedom are revealed.

Listening to my teacher talk, I couldn’t help but remember this story in Lapa. And to think that there, in that samba circle, I did yoga. Without knowing it, without wanting to, I practiced the three attitudes pointed out by Patanjali. Who would have thought it?

A beautiful Christmas to all of you, and… what could I wish you for 2022? Go deep into the situations and into yourself and watch what happens! Happy new year!

Image: “Roda de Samba in Lapa”, Heitor dos Prazeres. 1965 Oil on canvas 80 x 100 cm

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