Steh auf und kämpfe!

Flávia Mattar
(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

Die Yoga Sutras von Patanjali – ein Text, in dem Patanjali das Wissen über Yoga zusammenfasst – stellen Yamas und Niyamas vor, ethische Grundsätze, die wir befolgen sollten, um den Geist frei von Unruhe zu halten. Das erste Yama, auf das hingewiesen wird, ist Gewaltlosigkeit (Ahimsa). Während Gewaltlosigkeit ein wesentlicher Wert ist, werden wir zu Kriegern, wenn wir Körperhaltungen üben (Virabhadrasana). Dies könnte uns zu der Annahme verleiten, dass dort, wo ein Krieger ist, auch die Absicht eines Krieges besteht, auch wenn sie noch schlummert. Liegt hier also ein Paradoxon vor?

Vielleicht können wir von der Tatsache ausgehen, dass Gewaltlosigkeit ein Wert ist, der von allen gleichermaßen geschätzt wird, auch von denen, die sie nicht praktizieren. Niemand möchte Gewalt erleiden, sei sie verbal, physisch oder psychisch. Und das gilt auch für einen Mörder. Selbst bei denjenigen, die sich selbst verletzen, wie z. B. bei einem Masochisten, steht nicht die Gewalt an sich im Mittelpunkt, sondern die Einsicht, dass die Selbstaggression einen gewissen Gewinn bringen kann, wie z. B. Vergnügen.

Auch wenn wir eigentlich nicht angegriffen werden wollen, sind die meisten von uns mehr oder weniger gewalttätig. Selbst wenn ich denke, dass ich ein friedlicher Mensch bin, kann ich Gewalt in mir beobachten, in der Art, wie ich mich ausdrücke, in dem, was ich denke, usw.

Das Erkennen und die Loslösung unserer Neigung zu Gewalt ist wichtig für die Harmonisierung von Geist und Emotionen. Obwohl Yoga von manchen als Sport verstanden wird, ist Yoga die Neutralisierung der Unruhe des Geistes. Alles, was in dieser Pädagogik vorgeschlagen wird, hat den Geist und die Emotionen im Blick.

Warum ist es wichtig, die Unruhe des Geistes zu neutralisieren? Die Unruhe ist wie ein Schleier, der uns daran hindert, unser innerstes Wesen zu sehen, das frei von jeglicher Gewalt ist, war und immer sein wird. Wenn die Oberfläche eines Sees aufgewühlt ist, können wir den Grund nicht sehen. Der Geist ist wie die Oberfläche eines Sees. Wenn sie aufgewühlt ist, können wir unsere Essenz – den „Boden“ – nicht erkennen.

Wenn Gewaltlosigkeit so wichtig ist, wenn wir von Yoga sprechen, warum üben wir dann Körperhaltungen (Asanas) wie Krieger 1, 2 und 3? Ist das ein Widerspruch?

Die meiste Zeit erleben wir innere Konflikte: Unentschlossenheit, Schuldgefühle, Angst, Unsicherheit, Selbstablehnung, Wünsche u.s.w. Wir können die Krieger als die Kraft in uns sehen, die akzeptiert, diese Konflikte zu beobachten, sie zu erkennen und das loszulassen, was sie verursacht.  Der Yogi-Krieger nutzt die ihm zur Verfügung stehenden Mittel, um in den unterschiedlichsten Situationen ausgeglichen und ruhig zu bleiben. Diese geben ihm Unterstützung, damit er frei von Konflikten sein Wesen erkennen kann. Das, was ich bin, ist Zeuge des Konflikts, ist sich des Konflikts bewusst, aber frei von ihm, so wie der Grund des Sees frei von den Unruhen seiner Oberfläche ist.

Jedes Mal, wenn wir Krieger in Yogaklassen einbeziehen, können wir sicher sein, dass der Yogi Krieger nicht aus rein egoistischen Gründen handelt – weil er dies oder jenes für sich selbst will. Die Handlung, die er vornimmt, und die Haltung, mit der er sie ausführt, stehen im Einklang mit der Harmonie des Ganzen (zu der er selbst gehört). Er lässt sich nicht von dem blinden Wunsch überwältigen, mit seiner Handlung dieses oder jenes Ergebnis zu erzielen (karma-Yoga). Er antwortet auf das, was ihm das Leben bietet, indem er seine angeborenen Talente mit einer Haltung des Dienens anbietet. Sein Handeln in der Welt ist wie ein Gebet. Das bezeichnet Hingabe (bhakti yoga). Er ist sich des täglichen Kampfes bewusst, den er gegen die Unruhe des Geistes und der Emotionen führen muss, so dass er zum Selbststudium (svadhyaya) und zur Selbsterkenntnis (jnana yoga) fähig ist.

Der Kampf, der im Bereich des Yogas ausgefochten wird, ist das Selbststudium (Beobachtung des Geistes und der Emotionen) und die Loslösung (vairagya) von dem, was den Geist beunruhigt, wie z.B. Gewalt und andere zahllose innere Konflikte. Die Vedanta-Texte erzählen uns von der Selbsterkenntnis, sie geben uns das notwendige Wissen, damit wir uns identifizieren können, mit dem, was frei von Unruhe ist. Die Oberfläche des Sees, der Geist, kann sogar unruhig sein. Aber der Boden, meine Essenz, ist, war und wird immer frei von diesen Aufregungen sein.

***

Levanta e luta!

Os Yoga Sutras de Patanjali — texto no qual Patanjali organiza conhecimentos sobre Yoga — apresenta Yamas e Niyamas, princípios éticos que devemos seguir para manter a mente livre de agitações. O primeiro Yama apontado é ahimsa, não violência. Ao mesmo tempo em que a não-violência é um valor essencial, quando praticamos posturas corporais fazemos os guerreiros (Virabhadrasana). Isso pode nos levar a pensar: onde há um guerreiro há a intenção, mesmo que adormecida, de uma guerra. Afinal, há aqui um paradoxo?

Talvez possamos partir do fato de que a não-violência é um valor apreciado igualmente por todos, até mesmo por aqueles que não a praticam. Ninguém quer sofrer violência, seja verbal, física, psicológica. E isso se aplica também a um assassino. Até mesmo quem fere a si, como um masoquista, o foco não é a violência em si, mas sim o entendimento de que a autoagressão pode trazer algum ganho, como o prazer, por exemplo. Ao mesmo tempo em que não queremos de fato ser agredidos, a maioria de nós, em maior ou menor grau, é violento. Até mesmo quando me julgo uma pessoa pacífica, posso observar a violência em mim, na forma como me expresso, naquilo que penso etc.

Reconhecer a nossa tendência à violência e nos desapegar dela é importante para harmonizar a mente e as emoções. Apesar do Yoga ser entendido por alguns como esporte, yoga é a neutralização das agitações da mente. Tudo o que é proposto nesta pedagogia tem a mente e as emoções como foco. Por que neutralizar as agitações é importante? Por que elas são como véus que nos impedem de ver a nossa essência, que é, foi e sempre será livre de toda e qualquer violência. Quando a superfície de um lago está agitada, não conseguimos ver o fundo. A mente é como a superfície do lago. Quando agitada, não conseguimos vislumbrar a nossa essência.

Se a não violência é tão importante quando falamos em Yoga, por que então praticamos posturas corporais (asanas) como os Guerreiros 1, 2 e 3? Seria isso uma contradição?

A maioria do tempo estamos vivenciando conflitos internos: impasse, indecisão, culpa, medo, insegurança, auto rejeição, desejos. Podemos ver os guerreiros como a força em nós que aceita observar esses conflitos, reconhecê-los e se desapegar daquilo que os causa.  O guerreiro yogi usa as ferramentas a seu dispor para se manter equilibrado e tranquilo diante das mais diversas situações. Essas ferramentas lhe dão suporte para reconhecer a sua natureza livre de todo e qualquer conflito. Aquilo que sou testemunha o conflito, está consciente do conflito, mas está livre dele, assim como o fundo do lago está livre das agitações de sua superfície.

Cada vez que incorporamos os guerreiros em aulas de yoga, podemos ter a certeza de que o guerreiro yogi não age movido por razões meramente egoísticas – porque quer isso ou aquilo para si. A ação que irá empreender e a atitude com a qual a executará está de acordo com a harmonia do todo (o que inclui a si mesmo). Ele não se deixa abater pelo desejo cego por conquistar esse ou aquele resultado com a sua ação (karma yoga). Ele responde àquilo que a vida o apresenta, oferecendo seus talentos natos com atitude de serviço e doação. A ação que empreende no mundo é como uma oração. Isso denota devoção (bhakti yoga). Ele está ciente da batalha diária que tem que travar contra as inquietações da mente e das emoções, para que seja capaz de se auto-estudar (svadhyaya) e se auto-conhecer (jnana yoga).

A batalha travada no âmbito do Yoga é pelo auto-estudo (observação da mente e das emoções) e pelo desapego (vairagya) daquilo que causa inquietações à mente, como a violência, entre outros inúmeros conflitos internos. Os textos de Vedanta já falam de auto-conhecimento – nos dão o conhecimento necessário para que possamos nos identificar com o que é livre de toda e qualquer inquietação. A superfície do lago, a mente, pode até estar inquieta. Mas o fundo, a minha essência, é, foi e sempre estará livre de agitações.

***

Get up and fight!

The Yoga Sutras of Patanjali — a text in which Patanjali organizes knowledge about Yoga — presents Yamas and Niyamas, ethical principles that we should follow to keep the mind free from agitation. The first Yama pointed out is ahimsa, non-violence. While non-violence is an essential value, when we practice body postures we make warriors (Virabhadrasana). This can lead us to think: where there is a warrior there is the intention, even if dormant, of a war. After all, is there a paradox here?

Perhaps we can start from the fact that non-violence is a value appreciated equally by all, even by those who do not practice it. Nobody wants to suffer violence, be it verbal, physical, psychological. And this also applies to a murderer. Even those who hurt themselves, like a masochist, the focus is not on the violence itself, but on the understanding that self-aggression can bring some gain, like pleasure, for example. At the same time that we don’t really want to be assaulted, most of us, to a greater or lesser degree, are violent. Even when I think of myself as a peaceful person, I can observe violence in myself, in the way I express myself, in what I think, etc.

Recognizing our tendency to violence is important for harmonizing the mind and emotions. Although Yoga is understood by some as a sport, yoga is the neutralization of the agitations of the mind. Everything that is proposed in this pedagogy has the mind and emotions as its focus. Why is it important to neutralize agitation? Because they are like veils that prevent us from seeing our innermost nature, which is, was, and always will be free from all violence. When the surface of a lake is agitated, we cannot see the bottom. The mind is like the surface of the lake. When it is agitated, we cannot glimpse our essence.

If non-violence is so important when we talk about Yoga, why then do we practice body postures (asanas) like Warriors 1, 2, and 3? Is this a contradiction?

Most of the time we are experiencing inner conflicts: impasse, indecision, guilt, fear, insecurity, self-rejection, desires. We can see the warriors as the force within us that accepts to observe these conflicts, recognize them, and let go of that which causes them.  The yogi warrior uses the tools at his disposal to keep balanced and calm when facing the most diverse situations. These tools give him support so that he can glimpse his nature free of all and any conflict. That which I am witnesses the conflict, is aware of the conflict, but is free of it, just as the bottom of the lake is free of the agitations of its surface.

Each time we incorporate warriors into yoga classes, we can be sure that the yogi warrior does not act driven by merely selfish reasons – because he wants this or that for himself. The action he will undertake, and the attitude with which he will carry it out, is in accordance with the harmony of the whole (which includes himself-herself). He is not overwhelmed by the blind desire to achieve this or that result with his action (karma yoga). He responds to what life presents him with, offering his innate talents with an attitude of service and giving. The action he undertakes in the world is like a prayer. It denotes devotion (bhakti yoga). He is aware of the daily battle he has to fight against the restlessness of mind and emotions, so that he is able to study himself (svadhyaya) and know himself (jnana yoga).

The battle in the field of yoga is for self-study (observation of the mind and emotions) and detachment (vairagya) from that which causes restlessness to the mind, such as violence, among other innumerable internal conflicts. The Vedanta texts tell us about self-knowledge, they give us the necessary knowledge so that we can identify with what is free of restlessness. The surface of the lake, the mind, may even be restless. But the bottom, my essence, is, was and will always be free from these agitations.

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