vedanta, yoga, yoga sutra

Ser árvore

Siehe die deutsche Übersetzung unten.

A árvore (Vrikshasana) já faz parte, há muitos anos, da minha história.

Primeiro como aluna. Ela nunca me pareceu um desafio, mas um encontro. Um lugar onde me sinto ancorada e acolhida. Não sem algum esforço, sem algum desconforto, sem um balançar suave ao vento. Volto sempre a ela em momentos em que preciso de ancoramento. Em momentos em que preciso trabalhar o feminino. Nessas horas, ela me chama para debaixo de sua copa frondosa e me ampara.

Ela me acompanha também em minha trajetória como instrutora de yoga. É uma das posturas de equilíbrio que mais ofereço aos alunos. E vejo como alguns, no início, não conseguem sustentá-la, relacionar-se bem com ela. Mas, com o passar do tempo, quando se conectam com ela da forma que é possível para eles, ela também os ampara e os protege da chuva e do sol.

Penso hoje nessa minha árvore favorita, aquela à qual o meu corpo dá forma. Penso nesse “corpo” que tem que aprender a lidar com suas perdas no outono, quando as folhas caem. Que fica desnudo e pode se sentir desamparado no inverno. Que está frondoso, vital e florido no verão e na primavera. A árvore passa por todos esses ciclos, assim como eu. E, diferente de mim, não questiona se está com folhas ou sem, desamparada ou carregada de cor.

Ela é… apenas… Cabe a ela somente ser.

Perto do Natal, penso na árvore ligada ao cristianismo. Soube que a árvore de Natal simboliza a vida, a esperança e a renovação. O simbolismo vem de tradições pagãs do solstício de inverno, em que pinheiros sempre-verdes representavam a vitória da vida sobre a escuridão. Entre os ornamentos estão a estrela, as luzes e os presentes. Entendo as luzes que a adornam, quando penso na filosofia oriental, como a sabedoria (como ser, apenas ser?). Não ser para, não ter que ser de um jeito ou de outro, não ser contra, não ser amanhã — apenas ser. A estrela é aquilo que guia o caminho, guia na direção da sabedoria — que é um fim, mas também um meio. E os presentes… como aquilo que recebemos na jornada em direção ao conhecimento de si.

O yoga é essa coisa linda. O corpo se doa à forma. E a forma revela a sua sabedoria, os seus segredos. Uma vez, um professor de dança disse para o aluno: não se engane, você não está simplesmente dançando, você está entrando em profunda conexão com você… E podemos pensar: não se engane, você não está apenas fazendo uma postura de yoga… Ela é apenas a porta de entrada para uma profunda reflexão sobre o seu momento, sobre as suas relações, sobre a existência.

Desejo um feliz Natal a todos e um ótimo Ano Novo.

*

Baumsein – Lies den Text auf Deutsch.

vedanta, yoga, yoga sutra

Baumsein

Veja a tradução em português abaixo.

Dieser Baum (Vrikshasana) ist seit vielen Jahren Teil meiner Geschichte.

Zuerst als Yoga-Praktizierende. Er erschien mir nie als Herausforderung, sondern als Begegnung. Ein Ort, an dem ich mich verankert und gehalten fühle. Nicht ohne Anstrengung, nicht ohne Unbehagen, nicht ohne ein sanftes Schwanken im Wind. Ich kehre immer wieder zu ihm zurück, in Momenten, in denen ich Erdung brauche. In Momenten, in denen ich das Weibliche bearbeiten möchte. In diesen Zeiten ruft er mich unter seine dichte Krone und trägt mich.

Er begleitet mich auch auf meinem Weg als Yogalehrerin. Es ist eine der Gleichgewichtshaltungen, die ich die Yoga-Praktizierenden am häufigsten anbiete. Und ich sehe, wie manche sie am Anfang nicht halten können, wie es ihnen schwerfällt, eine gute Beziehung zu ihr aufzubauen. Doch mit der Zeit, wenn sie sich auf ihre Weise mit ihr verbinden, trägt sie auch sie und schützt sie vor Regen und Sonne.

Heute denke ich an diesen meinen Lieblingsbaum, jenen, dem mein Körper Form gibt. Ich denke an diesen „Körper“, der lernen muss, mit seinen Verlusten im Herbst umzugehen, wenn die Blätter fallen. Der im Winter nackt ist und sich schutzlos fühlen kann. Der im Sommer und im Frühling üppig, vital und blühend ist. Der Baum durchläuft all diese Zyklen, so wie ich. Und anders als ich hinterfragt er nicht, ob er Blätter trägt oder nicht, ob er schutzlos ist oder voller Farbe.

Er ist … einfach.
Seine Aufgabe ist es nur zu sein.

In der Nähe von Weihnachten denke ich an den Baum im Christentum. Ich habe erfahren, dass der Weihnachtsbaum Leben, Hoffnung und Erneuerung symbolisiert. Diese Symbolik stammt aus heidnischen Traditionen der Wintersonnenwende, in denen immergrüne Kiefern den Sieg des Lebens über die Dunkelheit darstellten. Zu den Ornamenten gehören der Stern, die Lichter und die Geschenke. Wenn ich an die östliche Philosophie denke, verstehe ich die Lichter, die ihn schmücken, als Weisheit (sein, einfach sein…). Nicht so oder anders sein müssen. Nicht dagegen sein. Nicht morgen sein — einfach sein. Der Stern ist das, was was in Richtung Weisheit führt — die sowohl Ziel als auch Weg ist. Und die Geschenke … als das, was wir auf der Reise zur Selbsterkenntnis empfangen.

Yoga ist etwas Wunderschönes. Der Körper schenkt sich der Form. Und die Form offenbart ihre Weisheit, ihre Geheimnisse. Einmal sagte ein Tanzlehrer zu seinem Schüler: Täusche dich nicht, du tanzt nicht einfach — du trittst in eine tiefe Verbindung mit dir selbst ein … Und wir können ebenso denken: Täusche dich nicht, du machst nicht nur eine Yogahaltung … Sie ist lediglich die Eingangstür zu einer tiefen Reflexion über deinen Moment, über deine Beziehungen, über die Existenz.

Ich wünsche allen ein frohes Weihnachtsfest und ein wunderbares neues Jahr.

*

Ser árvore

Allgemein

Revelar-se: voz passiva


Flávia Mattar

Fayga Ostrower fala de sensualidade – da atração que a matéria desencadeia. A fala da artista me atrai, como um enigma. Logo me ocorre a ligação entre sensualidade e sensorial – os sentidos são tomados pelo objeto e se rendem ao poder exercido sobre eles. Em seguida, voo além da matéria. Um escrito sobre arte, sensualidade e espiritualidade.

Ouvindo a música no rádio da cozinha, foi tomada pela beleza. Ela a tocou, a pegou de surpresa, a tomou pela mão, a invadiu, a fez sorrir. Pensou: “chamaria eu isso de sensualidade?”

Primeiro, uma atração, um chamado – aquele objeto fala de algo que quer explorar, sentir, apropriar. Algo que ultrapassa a sua forma corriqueira de pensar, que faz clarão.

Trate-se do belo, do intolerável, do sublime, da perplexidade… Ela fica ali, colada naquilo, investigativa, como se algo a tivesse deslocado.

Deslocada, se põe a buscar um novo ninho nesse desconhecido. 

Seria isso da ordem de um apaixonamento?

O que essa sensualidade tem a ver com espiritualidade?

Como a partir de um envolvimento sensual, sensorial, estético é possível transcender o limitar dos sentidos e deparar-se com um…

Revela-se. Algo se revela. Algo sem nome, sem sentido, sem explicação.

A potência do envolvimento sensorial transborda, expande, amplia a fronteira. Algo emerge, liberado da autoria, da propriedade, da fixação em um sujeito limitado em seus conflitos, em seu carrossel de pensamentos.

Revelar-se: voz passiva. Revela-se, revela-se, revela-se.

Não seria esse transbordar, expandir, ampliar a fronteira e revelar-se Yoga?

Foto: Pexels – Mihman Duğanlı


Allgemein, vedanta, yoga, yoga sutra

Cara a cara com o desejo 2 / Face to face mit dem Wunsch / Face to face with desire

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

As partes I e II do texto você pode ler aqui.
Die Teile I und II des Textes kannst du hier lesen.
You can read the first part of the text here.

PORTUGUÊS

PARTE III:
Yoga: Cara a cara com o desejo

Quanto ao Yoga, qual é a sua relação com o desejo? Lembro de meu professor dizer várias vezes que aquilo que a gente reprime ganha mais força. Muitas pessoas que se lançam no caminho espiritual acreditam que precisam se reprimir para se enquadrar em um perfil de renunciante, monge ou algo do tipo. Mas o Yoga em nenhum momento pede isso de nós.

O processo do yoga nos ajuda, NATURALMENTE, a nos desapegarmos da escravidão ao desejo. Nós vamos nos sentindo menos subjugados a ele. Vamos criando uma brecha em que podemos olhar o lado A e o lado B das situações, vamos lidando com o desejo de forma mais consciente e menos aflita. Nós tomamos as rédeas do desejo. Não para segurar as rédeas com firmeza e forçar os cavalos a fazer o que queremos… Não… Os cavalos (os pensamentos) se acalmam no PROCESSO do trabalho com o Yoga. O processo purifica o corpo, os canais de energia e a mente. E essa purificação nos ajuda a não termos tanta necessidade de correr atrás de objetos para nos sentirmos menos vazios.

O Yoga pode nos ajudar a aquietar a mente e cria clareiras mentais para que o insight possa vir à tona. O insight não é um pensamento preso aos hábitos, mas algo inovador. Os insights nos possibilitam reorganizar a vida de forma mais criativa e menos condicionada. O yoga nos ajuda entrar em um estado mais criativo, menos automatizado e com isso nos empoderamos como seres que têm condições de ganhar consciência de sua plenitude.

PARTE IV:
O poder da presença

Conversando com uma amiga que é terapeuta somática, ela disse algo interessante, que tem a ver com filosofias orientais. Ela citou o Budismo. Quando você está numa sessão de terapia somática, você não busca uma lógica no que você está dizendo, você está sendo convidado a se liberar da necessidade de entender e de fazer sentido. Você deixa as sensações corporais e as imagens virem à tona. O que está submerso, reprimido em você se mostra. E você fica em um estado de profunda presença. Em estado de presença não há falta. Na presença, você está integro, pleno. Você não se vê como um ser faltante. E é o ser faltante que se coloca a correr de forma desenfreada e inconsciente atrás do desejo.

Para finalizar o texto. As filosofias orientais acima citadas não estão aqui para reprimir nada, não estão aqui para reprimir desejos. Apesar de nós podermos fazer uso dessas filosofias para nos reprimir. Se há repressão, há um equivoco por parte do instrutor(a) ou por parte de quem pratica a filosofia. A repressão não é a resposta, não é a saída.

Essas filosofias nos ajudama experimentar uma outra perspectiva, a observar os desejos com mais consciência, com menos apego e menos submissão a eles, a ter um espaço entre o desejar e o executar o desejo. Um espaço para observar, para refletir se eu quero pagar o preço do lado B desse desejo específico. Se esse desejo me traz paz ou mais inquietação. Eu crio espaço interno para me perguntar se eu quero viver isso ou aquilo ou não viver.

Há a abertura de uma clareira interna, para se conectar com a fonte do amor e da satisfação em nós. E em contato com essa fonte, o desejo por objetos se torna algo menor. Se eu me conecto com a minha natureza plena, o desejo por objetos perde a sua magia, porque eu olho a vida de um lugar de fartura e plenitude e não de um lugar de miséria, falta e necessidade. A gente pode então se aproximar da vida, viver a vida com menos ânsia de se preencher e com mais disponibilidade de compartilhar, de doar a fonte inesgotável que há em nós.

*

DEUTSCH

TEIL III
Yoga: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Welche Beziehung hat Yoga zum Wunsch? Ich erinnere mich, dass mein Lehrer mehrmals sagte, dass das, was wir unterdrücken, an Kraft gewinnt. Viele Menschen, die sich auf einen spirituellen Weg begeben, glauben, dass sie sich selbst unterdrücken müssen, um in das Profil eines Entsagenden, Mönchs oder Ähnlichem zu passen. Aber das verlangt Yoga zu keinem Zeitpunkt von uns.

Der Yogaprozess hilft uns NATÜRLICH, unsere Sklaverei gegenüber dem Wunsch loszulassen. Wir fühlen uns dem Wunsch weniger unterworfen. Wir schaffen eine Lücke, in der wir die A- und B-Seiten von Situationen betrachten können, wir gehen bewusster und weniger verzweifelt mit dem Verlangen um. Wir nehmen die Zügel des Verlangens in die Hand. Nicht um die Zügel fest zu halten und die Pferde zu zwingen, das zu tun, was wir wollen. Nein… Die Pferde (die Gedanken) beruhigen sich durch den PROZESS des Yoga.

Der Prozess des Yoga reinigt den Körper, die Energiekanäle und den Geist. Und diese Reinigung hilft uns, dass wir nicht mehr so sehr nach Objekten jagen müssen, um uns weniger leer zu fühlen.

Yoga hilft uns, die geistige Unruhe zu beruhigen und schafft Klarheit im Geist, so dass Einsicht auftauchen kann. Einsicht ist kein in Gewohnheiten festgefahrener Gedanke, sondern etwas neues. Einsichten helfen uns, unser Leben auf kreativere und weniger konditionierte Weise zu gestalten. Yoga hilft uns, in einen kreativeren, weniger automatisierten Zustand einzutreten, und damit ermächtigen wir uns als Wesen, die sich ihrer Fülle bewusst werden.

TEIL IV
Die Kraft der Präsenz

Im Gespräch mit einer Freundin, die Somatische Therapeutin ist, sagte sie etwas Interessantes, das mit östlichen Philosophien zu tun hat. Sie erwähnte den Buddhismus. In einer somatischen Therapiesitzung sucht man nicht nach der Logik in dem, was man sagt, sondern man wird eingeladen, das Bedürfnis nach Verständnis und Sinn loszulassen. Man lässt die Körperempfindungen und Bilder an die Oberfläche kommen. Was in uns untergetaucht und verdrängt ist, zeigt sich. Und du befindest dich in einem Zustand tiefer Präsenz. In einem Zustand der Präsenz gibt es keinen Mangel. In der Präsenz bist du ganz, voll. Du siehst dich nicht als ein fehlendes Wesen. Und es ist das fehlende Wesen, das wild und unbewusst dem Verlangen hinterherläuft.

Um den Text abzuschließen… Die oben erwähnten östlichen Philosophien sind nicht dazu da Wunsch zu unterdrücken. Obwohl wir diese Philosophien nutzen können, um uns selbst zu unterdrücken. Wenn es zu einer Unterdrückung kommt, liegt ein Fehler auf Seiten des Lehrers oder der Person vor, die die Philosophie praktiziert. Verdrängung ist nicht die Antwort, sie ist nicht der Ausweg.

Die östlichen Philosophien helfen uns dabei, eine andere Perspektive zu erfahren. Die Wünsche mit mehr Bewusstsein zu beobachten, mit weniger Anhaftung und weniger Unterwerfung ihnen gegenüber. Einen Raum zu haben zwischen dem Wunsch und der Ausführung des Wunsches. Einen Raum zum Beobachten, zum Nachdenken darüber, ob ich den Preis für die B-Seite dieses speziellen Wunsches zahlen will. Ob dieser Wunsch mir Frieden oder mehr Unruhe bringt. Ich schaffe mir einen inneren Raum, um mich zu fragen, ob ich dies oder jenes leben will oder gar nicht.

Es öffnet sich eine innere Lichtung, um sich mit der Quelle der Liebe und der Erfüllung in uns zu verbinden. Und im Kontakt mit dieser Quelle wird der Wunsch nach Objekten etwas nicht so attraktiv. Wenn ich mich mit meiner vollen Natur verbinde, verliert das Verlangen nach Objekten seinen Zauber, weil ich das Leben von einem Ort der Fülle und Erfüllung aus betrachte und nicht von einem Ort des Elends, des Mangels und der Not. Wir können dann an das Leben herangehen mit weniger Wunsch um sich selbst zu befüllen und deshalb haben wir mehr Bereitschaft zum Teilen, zum Geben aus der unerschöpflichen Quelle in uns.

*

ENGLISH

PART III
Yoga: Face to face with desire

What is yoga’s relationship to desire? I remember my teacher saying several times that what we repress becomes stronger. Many people who embark on a spiritual path believe that they need to repress themselves in order to fit into the profile of a renunciate, monk or something like that. But at no point does yoga ask this of us.

The yoga process NATURALLY helps us to let go of our slavery to desire. We feel less subjugated to it. We create a gap in which we can look at the A and B sides of situations, we deal with desire in a more conscious and less distressed way. We take the reins of desire. Not to hold the reins tightly and force the horses to do what we want… No… The horses (the thoughts) calm down in the PROCESS of working with Yoga.

The process purifies the body, the energy channels and the mind. And this purification helps us not to need to chase objects so much in order to feel less empty.

Yoga can help us quieten the mind and create mental clearings so that insight can surface. Insight is not a thought stuck in habits, but something innovative. Insights help us reorganize our lives in a more creative and less conditioned way.

Yoga helps us to enter a more creative, less automated state and with this we empower ourselves as beings who are able to gain awareness of their fullness.

PART IV
The power of presence

Talking to a friend who is a somatic therapist, she said something interesting, which has to do with Eastern philosophies. She mentioned Buddhism. When you’re in a somatic therapy session, you’re not looking for logic in what you’re saying, you’re being invited to let go of the need to understand and make sense. You let the bodily sensations and images come to the surface. What is submerged, repressed in you shows itself. And you are in a state of deep presence. In a state of presence, there is no lack. In presence, you are whole, full. You don’t see yourself as a lacking being. And it’s the lacking being who runs wildly and unconsciously after desire.

To conclude the text… The Eastern philosophies mentioned above are not here to repress anything, they are not here to repress desires. Although we can use these philosophies to repress ourselves. If there is repression, there is a mistake on the part of the instructor or the person practicing the philosophy. Repression is not the answer, it is not the way out.

Eastern philosophies help us to experience another perspective. To observe desires with more awareness, with less attachment and less submission to them. To have a space between desiring and fulfilling the desire. A space to observe, to reflect on whether I want to pay the price for the B-side of that particular desire. Whether this desire brings me peace or more restlessness. I create internal space to ask myself if I want to live this or that or not at all.

There is the opening of an inner clearing, to connect with the source of love and satisfaction in us. And in contact with this source, the desire for objects becomes something less. If I connect with my full nature, the desire for objects loses its magic, because I’m looking at life from a place of abundance and fullness and not from a place of misery, lack and need. We can then get closer to life, with less desire to fill ourselves up and more willingness to share, to give from the inexhaustible source within us.

Allgemein

Cara a cara com o desejo 1 / Face to face mit dem Wunsch / Face to face with desire

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

PORTUGUÊS

PARTE I
Psicanálise: cara a cara com o desejo

Eu me interesso muito pela Psicanálise. Fiz análise por 10 anos. E me interesso muito pelas escolas de pensamento chamadas Yoga e Vedanta. O Yoga como filosofia tem como foco a mente – como a nossa mente funciona, como entra em desequilíbrio, oferece ferramentas para harmonizar a inquietude mental. E o Vedanta fala sobre quem somos. É a ciência do auto-conhecimento. Mas afinal o que isso tudo tem a ver com desejo?

Esses dias, escutando a fala de uma psicanalista brasileira que faz sucesso nas redes sociais, me vi diante de um paradoxo. O processo analítico nos ajuda a entrar em contato com os nossos desejos, aspirações e, porque também não dizer, com as nossas repressões. Nós podemos nos propor, no processo de análise, a tomar consciência daquilo que estamos reprimindo em nós para deixar o nosso desejo aflorar e podermos então reconhecê-lo.

Um psicanalista italiano chamado Contardo Calligaris, que viveu e morreu no Brasil, disse algo interessante. Parafraseando: é claro que não é todo o desejo que vamos realizar, até porque às vezes ou muitas vezes, há desejos que podem nos causar problemas. Mas nós reprimimos mais do que precisamos reprimir.

A minha relação com o desejo mudou completamente ao longo dos anos. Eu recebi alta da análise depois de cerca de 10 anos. E não muito tempo depois de me orgulhar por ter recebido alta psicanalítica, eu me senti completamente perdida e sem saída. Eu realizei desejos muito importantes para mim, mas eu não estava satisfeita. E agora? Eu me vi, de repente, no fim da linha.

Nessa época, eu me senti completamente vazia e sem perspectiva. Foi um período difícil na minha vida. Eu não sabia para onde ir, como continuar a caminhar. Se correr atrás de objetos não podia preencher o meu vazio interior, então, qual era a saída? O que afinal de contas significava viver?, eu me perguntei.

PARTE II
Vedanta: Cara a cara com o desejo

E foi assim que eu comecei a me aprofundar no Yoga e no Vedanta.

No Vedanta eu escutava o professor falar desse vazio existencial. Ele explicava que a gente corre atrás dos desejos porque temos a sensação de que algo sempre nos falta. Porque nós não nos sentimos satisfeitos. E a gente acha que objetos e pessoas e situações — um casamento, um filho, um emprego, comprar uma casa e mais uma lista infinita de demandas — vão nos preencher.

Mas assim que a gente alcança o tal objeto dos sonhos, a gente precisa de mais, de mais alguma coisa. E a gente pensa… Ainda não é isso, mas se eu conquistar aquilo… Ah, aí sim, a vida vai ficar completa. O desejo é uma boca voraz, que precisa sempre de um novo alimento para sobreviver. É um ciclo sem fim, ele dizia. Isso fez muito sentido para mim, ainda mais naquele momento de minha vida.

Interessante que o Vedanta lista qualificações necessárias para aqueles que querem se aprofundar no estudo. Entre elas: o desejo. Paradoxal? Vedanta fala do desejo pelo conhecimento, o desejo por se autoconhecer, se autodescobrir, se autorrealizar, por se ver pleno. E por que o desejo é tão importante? Sem desejo não podemos nos movimentar. É o desejo que de fato nos move.

Mas ao mesmo tempo… o desejo é apontado na filosofia oriental como o grande causador do nosso sofrimento psíquico. Eu desejo porque eu sou desconhecedor de minha condição plena. Eu sou como um rei que se vê como um mendigo, que precisa ficar buscando migalhas para se sentir feliz. Como a gente pode entender esse paradoxo?

O sábio indiano Ramana Maharshi nos ajuda com uma imagem… A gente usa um pedaço de madeira com fogo para acender e atiçar a fogueira… Quando a fogueira está com sua força total, nós entregamos o pedaço de madeira (o desejo) também ao fogo e deixamos ele queimar. Ou seja, nós usamos o desejo a nosso favor no processo, mas podemos nos desapegar do desejo no momento adequado.

Mas então, em poucas palavras e de forma bem simplificada, se o foco em realizar desejos não é capaz de saciar o meu vazio e me prende à roda do sofrimento… Se desejar me faz ficar em contato constante com a sensação de falta ou vazio, o que afinal pode preencher o meu vazio?

E a resposta é – o Eu com E maiúsculo é a saída para esse corre-corre desenfreado atrás dos objetos. As escrituras nos propõem uma mudança de perspectiva. Não se ver como o ser faltante, aquele que envelhece, adoece, empobrece, sofre de amor etc. Mas se ver como aquele que observa todas essas mazelas e faltas e dores. Se ver como a Testemunha das faltas. Essa Testemunha é pura presença e já é plena.

O Vedanta nos conduz em direção à aproximação desse ser livre, pleno e realizado que já somos e nos alerta: se você não se vê assim, o Vedanta pode lhe ajudar a tirar a venda dos olhos.  Procure dentro de você o que você atualmente procura fora de você.

Em breve serão disponibilizadas as partes III e IV do texto.

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DEUTSCH

TEIL I
Psychoanalyse: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Ich interessiere mich sehr für die Psychoanalyse und auch für die Denkschulen Yoga und Vedanta. Yoga als Philosophie konzentriert sich auf den Geist – wie unser Geist funktioniert, wie er aus dem Gleichgewicht gerät. Yoga bietet Werkzeuge, um geistige Unruhe zu harmonisieren. Und Vedanta spricht darüber, wer wir sind. Es ist die Wissenschaft der Selbsterkenntnis. Aber was hat das alles mit Wunsch oder Verlangen zu tun?

Als ich vor ein paar Tagen einer brasilianischen Psychoanalytikerin zuhörte, der in den sozialen Medien sehr beliebt ist, sah ich mich mit einem Paradoxon konfrontiert. Der analytische Prozess hilft uns, mit unseren Wünschen, Sehnsüchten und, warum sollte man es nicht sagen, unseren Unterdrückungen in Kontakt zu kommen. Im Prozess der Analyse können wir uns bewusst machen, was wir in uns selbst verdrängen, um unser Verlangen zum Vorschein kommen zu lassen und es dann zu erkennen.

Ein italienischer Psychoanalytiker namens Contardo Calligaris, der in Brasilien lebte und starb, sagte etwas Interessantes. Um es zu paraphrasieren: Natürlich werden wir uns nicht jeden Wunsch erfüllen, denn manchmal oder oft gibt es Wünsche, die uns Probleme bereiten können. Aber wir unterdrücken mehr, als wir müssten.

Mein Verhältnis zu dem Wunsch hat sich im Laufe der Jahre völlig verändert. Ich wurde nach etwa 10 Jahren aus der Analyse entlassen. Und nicht lange nachdem ich stolz war, aus der Psychoanalyse entlassen worden zu sein, fühlte ich mich völlig unglücklich. Ich hatte mir Wünsche erfüllt, die für mich sehr wichtig waren, aber ich war nicht zufrieden. Und jetzt? Was soll ich machen?

Ich fühlte mich völlig leer und ohne Perspektive. Es war eine schwierige Zeit in meinem Leben. Ich wusste nicht, wohin ich gehen oder wie ich weitermachen sollte. Wenn die Jagd nach Objekten meine innere Leere nicht ausfüllen konnte, was war dann der Ausweg? Was bedeutete es, überhaupt zu leben, fragte ich mich.

TEIL II
Vedanta: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Und so begann ich, mich mit Yoga und Vedanta zu beschäftigen. Im Vedanta hörte ich den Lehrer über diese existenzielle Leere sprechen. Er erklärte, dass wir den Wünschen hinterherlaufen, weil wir das Gefühl haben, dass uns immer etwas fehlt. Weil wir uns nicht zufrieden fühlen. Und wir denken, dass Objekte und Menschen und Situationen – eine Hochzeit, ein Kind, ein Job, ein Hauskauf und eine endlose Liste anderer Wünsche – uns erfüllen werden.

Aber sobald wir dieses Traumobjekt erreicht haben, brauchen wir mehr, etwas mehr. Und wir denken… das ist es noch nicht, was ich wirklich will, aber wenn ich was anders erreiche… dann ist das Leben vollständig. Das Verlangen ist ein gefräßiges Mund, das immer neue Nahrung braucht, um zu überleben. Es ist ein nie endender Kreislauf. Das machte für mich sehr viel Sinn, besonders in diesem Moment in meinem Leben.

Es ist interessant, dass Vedanta die notwendigen Qualifikationen für diejenigen auflistet, die tiefer in das Selbststudium eintauchen wollen. Darunter: das Verlangen… Ist das ein Paradoxon? Vedanta spricht über den Wunsch nach Wissen, den Wunsch, sich selbst zu kennen, sich selbst zu entdecken, sich selbst zu verwirklichen, sich selbst vollständig zu sehen. Und warum ist das Verlangen so wichtig? Ohne Verlangen können wir uns nicht bewegen. Es ist das Verlangen, das uns wirklich antreibt.

Aber gleichzeitig… wird das Verlangen in der östlichen Philosophie als die große Ursache unseres psychischen Leidens anerkannt. Ich wünsche, weil ich mir meines vollen Zustands nicht bewusst bin. Ich bin wie ein König, der sich selbst als Bettler sieht, der nach Brosamen suchen muss, um sich glücklich zu fühlen. Wie können wir dieses Paradoxon verstehen?

Der indische Weise Ramana Maharshi hilft uns mit einem Bild… Wir benutzen ein Stück Holz mit Feuer, um das Lagerfeuer zu entzünden und zu fächeln… Wenn das Feuer seine volle Stärke erreicht hat, übergeben wir das Holzstück (das Verlangen) dem Feuer und lassen es brennen. Mit anderen Worten: Wir nutzen das Verlangen zu unseren Gunsten, aber wir können das Verlangen loslassen, wenn die Zeit reif ist.

Aber wenn die Konzentration auf die Erfüllung von Wünschen nicht in der Lage ist, meine Leere zu befriedigen, und mich auf dem Rad des Leidens hält, dann ist das, kurz gesagt und sehr vereinfacht, ein Problem. Wenn das Verlangen mich in ständigen Kontakt mit dem Gefühl des Mangels oder der Leere bringt, was kann dann meine Leere füllen?

Und die Antwort lautet: Das Selbst mit einem großen S ist der Ausweg aus diesem ungezügelten Jagen nach Objekten. Die Schriften schlagen einen Wechsel der Perspektive vor. Wir sollten uns nicht als das fehlende Wesen sehen, das alt wird, krank wird, verarmt, unter der Liebe leidet usw. Sondern sich als derjenige zu sehen, der all diese Gebrechen, Fehler und Schmerzen beobachtet. Sieh dich selbst als den Zeugen. Dieser Zeuge ist bereits voll, zufrieden.

Vedanta führt uns zu dem freien, vollen und verwirklichten Wesen, das wir bereits sind und spricht zu uns – wenn du dich selbst nicht so siehst, kann Vedanta dir damit helfen, die Augenbinde abzunehmen.  Die Botschaft ist es: suche in dich selbst nach dem, was du derzeit außerhalb von dich selbst suchst.

Die Teile III und IV des Textes werden später verfügbar sein.

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ENGLISH

PART I
Psychoanalysis: face to face with desire

I’m very interested in psychoanalysis and also in the schools of thought called Yoga and Vedanta. Yoga as a philosophy focuses on the mind – how our mind works, how it gets out of balance, it offers tools to harmonize mental restlessness. And Vedanta talks about who we are. It’s the science of self-knowledge. But what does all this have to do with desire?

These days, listening to a Brazilian psychoanalyst who is a hit on social media, I found myself faced with a paradox. The analytical process helps us to get in touch with our desires, aspirations and, why not say it, our repressions. In the process of analysis, we can propose to become aware of what we are repressing in ourselves in order to let our desire emerge and then recognize it.

An Italian psychoanalyst called Contardo Calligaris, who lived and died in Brazil, said something interesting. To paraphrase: of course, not every desire will come true, because sometimes, or often, there are desires that can cause us problems. But we repress more than we need to.

My relationship with desire has changed completely over the years. I was discharged from analysis after about 10 years. And not long after I was proud about it, I felt completely miserable. I had fulfilled desires that were very important to me, but I wasn’t satisfied. And now? I suddenly found myself at the end of the line.

At that time, I felt completely empty and without perspective. It was a difficult period in my life. I didn’t know how to keep going. If chasing objects couldn’t fill my inner emptiness, then what was the way out? What did it mean to live after all, I asked myself.

PART II
Vedanta: face to face with desire

And that’s how I began to delve into Yoga and Vedanta. In Vedanta I listened to the teacher talk about this existential emptiness. He explained that we run after desires because we have the feeling that something is always missing. Because we don’t feel satisfied. And we think that objects and people and situations – a wedding, a child, a job, buying a house and an endless list of other demands – will fulfill us. But as soon as we achieve that dream object, we need more, something more. And we think… It’s not that yet, but if I achieve something else… Then life will be complete. Desire is a voracious mouth that always needs new food to survive. It’s an endless cycle.

It’s interesting that Vedanta lists the necessary qualifications for those who want to delve deeper into the study. Among them: the desire… Paradoxical? Vedanta talks about the desire for knowledge, the desire to know oneself, to discover oneself, to realize oneself, to see oneself fully. And why is desire so important? Without desire we can’t move. It’s desire that really drives us.

But at the same time… desire is pointed out in Eastern philosophy as the great cause of our psychic suffering. I desire because I am unaware of my full condition. I’m like a king who sees himself as a beggar, who has to look for crumbs to feel happy. How can we understand this paradox?

The Indian sage Ramana Maharshi helps us with an image… We use a piece of wood with fire to light and fan the fire… When the fire is at full strength, we hand the piece of wood (desire) over to the fire and let it burn. In other words, we use desire to our advantage in the process, but we can let go of desire when the time is right.

But then, in a nutshell and in a very simplified way, if the focus on fulfilling desires is unable to satisfy my emptiness and holds me on the wheel of suffering, if desiring brings me into constant contact with the sensation of lack or emptiness, what can fill my emptiness?

And the answer is – the Self with a capital S is the way out of this unbridled chasing after objects. The scriptures propose a change of perspective. Not to see ourselves as the missing being, the one who grows old, gets sick, becomes poor, suffers from love, etc. But to see oneself as the one who observes all these ailments, faults and pains. See yourself as the Witness. This Witness is already full.

Vedanta leads us towards that free, full and realized being that we already are and speaks to us – if you don’t see yourself that way, Vedanta can help you take the blindfold off.  Look within yourself for what you are currently looking for outside of yourself.

Parts III and IV of the text will be available soon.

Allgemein

Herausforderung auf dem spirituellen Weg…

(Versão em português abaixo) * (English version bellow)
Grande desafio no caminho espiritual… * A great challenge on the spiritual path…

DEUTSCH

Die vedische Kultur ist so sehr von Spiritualität durchdrungen, dass sie sich im täglichen Leben, in der Musik und in der Literatur offenbart. Spiritualität lauert hinter jeder Ecke, inmitten des chaotischen und nicht konfliktfreien Alltagslebens, das wir in Indien erleben. Das klassische indische Epos Mahabharata ist ein gutes Beispiel dafür. Darin sehen wir die Gegensätze, die den Menschen antreiben. Die Entschlossenheit, den Weg der Selbsterforschung zu beschreiten – das zu tun, was notwendig und richtig ist, um zur Selbsterkenntnis zu gelangen – geht Hand in Hand mit ihrem Gegenteil. Diese beiden Polaritäten mit ihren unterschiedlichen Intensitätsgraden sind in uns und erzeugen Konflikte in uns und um uns herum.

Ich kann nicht umhin, mich an das Gleichnis des Wolfes zu erinnern:

Wir haben zwei verschiedene Wölfe in uns. Der eine steht für Neigungen wie Anhaftung, Besitzdenken, Zorn, Neid, Eifersucht, Gier, Stolz, Groll, Angst, Schuld, Arroganz, Kleinlichkeit und so weiter. Der andere steht für das Gegenteil. Welchen der beiden Wölfe wir füttern, ist eine große Lernherausforderung, die uns das Leben bietet.

Als ich die Audios der brasilianischen Vedanta-Lehrerin Glória Arieira hörte, die das Mahabharata wunderbar erzählt, kamen wir an das Ende des ersten Kapitels. Es endet mit der Begegnung des Kriegers Arjuna und des Avatars Krishna mit dem Weisen Agni, dessen Übersetzung Feuer ist. Das Ende seiner Erzählung bringt eine schöne Lehre, die ich am Ende dieses Textes mit euch teilen werde.

Agni sagt, dass er sehr hungrig ist und dass nur sie seinen Hunger stillen können. Sie bieten ihm an, ihm die Nahrung zu geben, die er braucht. Dann offenbart er, dass er in Wirklichkeit den gesamten dichten, dunklen Khandava-Wald, den sie vor sich sehen, verschlingen muss. Da die Natur des Feuers darin besteht, zu erhitzen, zu verbrennen, können wir verstehen, was mit dem Verschlingen gemeint ist, auf das sich Agni bezieht.

Wie die vedische Tradition vorschreibt, kann die Bitte eines brahman (Priester) nicht abgelehnt werden. Arjuna und Krishna erklären sich daraufhin bereit, die Hindernisse zu beseitigen, die der Tat, dem Verbrennen des Waldes, im Wege stehen, sagen aber, dass sie dazu einen Wagen und die nötigen Waffen benötigen. Und so werden ihnen die Waffen angeboten, die später im Kampf gegen die Kräfte eingesetzt werden, die den Weg zur Selbsterkenntnis unterdrücken.

Mit den Waffen aus der Episode mit Agni besiegen Arjuna und seine Armee unter der Führung Krishnas später die Unterdrückung durch den Tyrannen Duryodhana. Sobald der Krieg vorbei ist, wendet sich Krishna an Arjuna und bittet ihn, aus dem Wagen auszusteigen, der sie während des Krieges gefahren hat. Sobald er aus dem Streitwagen aussteigt, verschwindet es einfach.

Die Vedanta Lehrerin stellt dann eine schöne Parallele zum Leben her, die ich in meinen eigenen Worten und Überlegungen beschreibe:

Die Existenz von allem um uns herum hat eine Dauer, eine Gültigkeit. Alle Werkzeuge, die wir vom Leben erhalten, sind uns gegeben, um uns im Sinne des Selbststudiums und der Selbsterkenntnis zu dienen, mit Respekt und Sorgfalt für alles um uns herum. Unsere spirituelle Entwicklung hängt vom angemessenen Gebrauch dieser Werkzeuge ab, mit der richtigen Einstellung.

Und ich denke wieder an das Gleichnis vom Wolf. Welchen Wolf füttern wir mit den Ressourcen, die uns die Existenz bietet?

Und dann kommt das Ende der Überlegungen. Wenn jedes dieser Mittel, die uns angeboten wurden, seine Funktion erfüllt hat, sind sie dazu verdammt, zu verschwinden, wie der Wagen und die Waffen, die im Krieg gegen Duryodhana verwendet wurden. Wir können hier Parallelen zu Menschen, Gütern, Arbeitsplätzen usw. ziehen. Wie viele Dinge haben wir im Leben verloren? Wie war unsere Einstellung zum Verlust? Oft klammern wir uns an das, was wir einmal hatten, an das, was uns gegeben wurde, und wir bleiben in einer Idee, einer Erinnerung, einer Vergangenheit stecken. Wir erkennen nicht, dass das Leben das Kapitel dreht und dass es an der Zeit ist, sich mit anderen Dingen und Situationen zu verbinden.

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PORTUGUÊS

UM GRANDE DESAFIO NO CAMINHO ESPIRITUAL…

A cultura védica está tão embebida de espiritualidade, que ela se revela no cotidiano, através das músicas, da literatura. A espiritualidade nos espreita em cada esquina, em meio ao cotidiano caótico e não sem conflitos que presenciamos na Índia. O épico clássico indiano Mahabharata é um grande exemplo disso. Nele vemos as polaridades que movem o ser humano. A determinação em seguir o caminho da auto investigação — daquilo que é necessário e correto ser feito para que possamos seguir no sentido do autoconhecimento – anda, lado a lado, com o seu oposto. Essas duas polaridades, com seus graus de intensidade, estão em nós e geram conflito interno e a nossa volta.

Não posso deixar de lembrar da parábola do lobo:

Nós temos dentro de nós dois lobos diferentes. Um deles representa propensões como apego, possessividade, raiva, inveja, ciúme, ganância, orgulho, ressentimento, medo, culpa, arrogância, mesquinhez e assim por diante. O outro representa o oposto. Qual dos lobos nós vamos alimentar é um grande desafio de aprendizado que a vida nos oferece.

Escutando áudios da professora de Vedanta brasileira Glória Arieira, que narra o Mahabharata lindamente, chegamos ao final do primeiro capítulo. Ele termina com o encontro do guerreiro Arjuna e do avatar Krishna com o sábio Agni, cuja tradução é fogo. E o final da sua narração traz um bonito ensinamento, que eu divido com vocês no final deste texto.

Agni diz que tem muita fome e que só eles podem saciar essa fome que ele sente. Eles se prontificam a dar a ele o alimento que precisa. Ele então revela que, o que de fato precisa é devorar toda a floresta Khandava, densa e escura, que eles veem diante de si. Como a natureza do fogo é aquecer, queimar, podemos entender o que significa o devorar a que Agni se refere.

Como a tradição védica determina, não se pode negar o pedido de um brahmane (sacerdote). Arjuna e Krishna então concordam em eliminar os obstáculos que impedem o feito, a queima da floresta, mas dizem que para isso precisam de um carro e das armas necessárias. E então, a eles são oferecidas as armas que depois serão usadas na luta contra as forças que oprimem o caminho rumo ao  autoconhecimento.

Usando as armas do episódio envolvendo Agni, Arjuna e seu exército, guiados por Krishna, vencem mais tarde a opressão do tirano Duryodhana na guerra de Kurukshetra. Assim que a guerra acaba, Krishna vira-se para Arjuna e pede para ele sair do carro que os conduziu durante a guerra. Assim que ele desce do carro, o mesmo simplesmente desaparece.

A professora faz então um bonito paralelo com a vida, que eu descrevo com minhas palavras e reflexões:

A existência de tudo o que há ao nosso redor tem uma duração, uma validade. Todas as ferramentas que recebemos da vida nos são ofertadas para nos servir no sentido do auto estudo e autoconhecimento, com respeito e cuidado a tudo o que nos cerca. A nossa evolução espiritual depende do uso apropriado dessas ferramentas, com a atitude apropriada.

E volto a pensar na parábola do lobo. Que lobo estamos alimentando com os recursos que nos são ofertados pela existência?

E então vem o desfecho da reflexão. Quando cada um desses recursos que nos foram ofertados cumprem a sua função, eles estão fadados a desaparecer, como o carro e as armas usados na guerra de Kurukshetra contra Duryodhana. Nós podemos fazer aqui um paralelo com pessoas, bens, emprego etc. Quantas coisas já não perdemos na vida? Qual foi a nossa atitude diante da perda? Muitas vezes, nós nos apegamos ao que um dia possuímos, que nos foi ofertado, e ficamos presos a uma ideia, uma memória, um passado. Não conseguimos perceber que a vida está virando o capítulo e que é hora de se ligar a outros objetos e situações.

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ENGLISH

A GREAT CHALLENGE ON THE SPIRITUAL PATH…

Vedic culture is so steeped in spirituality that it reveals itself in everyday life, through music and literature. Spirituality lurks around every corner, in the midst of the chaotic daily life and not without conflict that we witness in India. The classic Indian epic Mahabharata is a great example of this. In it we see the polarities that drive human beings. The determination to follow the path of self-inquiry – of what is necessary and right to be done so that we can move towards self-knowledge – goes hand in hand with its opposite. These two polarities, with their degrees of intensity, are in us and generate conflict within and around us.

I can’t help but remember the parable of the wolf:

We have within us two different wolves. One represents propensities such as attachment, possessiveness, anger, envy, jealousy, greed, pride, resentment, fear, guilt, arrogance, pettiness and so on. The other represents the opposite. Which of the wolves we feed is a great learning challenge that life offers us.

Listening to audios by Brazilian Vedanta teacher Glória Arieira, who narrates the Mahabharata beautifully, we come to the end of the first chapter. It ends with the meeting of the warrior Arjuna and the avatar Krishna with the sage Agni, whose translation is fire. And the end of his narration brings a beautiful teaching, which I’ll share with you at the end of this text.

Agni says that he is very hungry and that only they can satisfy his hunger. They offer to give him the food he needs. He then reveals that what he really needs is to devour the entire dense, dark Khandava forest that they see before them. Since the nature of fire is to heat, to burn, we can understand what is meant by the devouring to which Agni refers.

As the Vedic tradition dictates, the request of a brahman (priest) cannot be denied. Arjuna and Krishna then agree to remove the obstacles preventing the deed, the burning of the forest, but say that to do so they need a chariot and the necessary weapons. And so, they are offered the weapons that will later be used in the fight against the forces that oppress the path towards self-knowledge.

Using the weapons from the episode involving Agni, Arjuna and his army, guided by Krishna, later defeat the oppression of the tyrant Duryodhana in the Kurukshetra war. As soon as the war is over, Krishna turns to Arjuna and asks him to get out of the car that drove them during the war. As soon as he gets out of the car, it simply disappears.

The teacher then makes a beautiful parallel with life, which I describe in my own words and reflections:

The existence of everything around us has a duration, a validity. All the tools we receive from life are offered to us to serve us in the sense of self-study and self-knowledge, with respect and care for everything around us. Our spiritual evolution depends on the appropriate use of these tools, with the appropriate attitude.

And I think again of the parable of the wolf. Which wolf are we feeding with the resources offered to us by existence?

And then comes the end of the reflection. When each of these resources that have been offered to us fulfills its function, they are doomed to disappear, like the car and the weapons used in Kurukshetra’s war against Duryodhana. We can draw a parallel here with people, goods, jobs, etc. How many things have we lost in our lives? What was our attitude towards loss? Often, we cling to what we once had, what was given to us, and we get stuck in an idea, a memory, a past. We fail to realize that life is turning the corner and that it’s time to connect with other objects and situations.

Allgemein

Löwenzahn, das Gold der Narren

Dente de Leão, ouro de tolo * Dandelion, fool’s gold

(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

DEUTSCH

Ich kam früh im Yogastudio an. In einer Ecke in der Nähe der Eingangstür des Gebäudes sah ich leuchtend gelbe Blumen. Das Grau umarmte uns. Die Blumen kontrastierten mit der bleiernen Farbe der Wände des Gebäudes. Diese Blumen, dieses Gelb, erwärmten die Seele. Als ich mich näherte, um die Szene zu fotografieren, fiel mir schnell ein, dass die Blätter Löwenzahn waren, aber die Blumen… Die Blumen rochen nach Betrug. Der Gedanke kam wie ein Blitz, aber ich ignorierte ihn und blieb auf die Freude über das helle, warme Gelb an diesem kalten, grauen Morgen fixiert.

Wenig später trafen die Teilnehmer der Yogagruppe ein.  Zwei kamen herein und einer von ihnen kommentierte die Blumen. „Wow“, sagte ich. „Ich habe sogar sie fotografiert“. Dann sagte sie: „Sie sind aus Plastik.“ Ich war verblüfft. Natürlich rochen die Blumen nach Betrug…

Ich dachte an den weisen Patanjali, der mich Yoga in Theorie und Praxis lehrt. Ja, unsere Wahrnehmung ist begrenzt. Sie ist konditioniert. Wir sehen die Welt entsprechend unseren Gewohnheiten, Wünschen, Abneigungen und so weiter.

Der Schüler stieß auf die Blume und ging, von Misstrauen getrieben, hin, um sie zu untersuchen, um sie zu berühren, um herauszufinden, ob sie echt war oder nicht. Ich blieb bei meinem gelben Wunsch hängen. In Brasilien gibt es einen populären Ausdruck, wenn man etwas Unwirkliches für echt hält: Narrengold. Das leuchtend goldene Metall ist so attraktiv, dass wir Messing als Edelmetall ansehen.

Später erzählte ich D. von der Blume. Er sagte: „Am Donnerstag bin ich zum Studio gegangen und habe die Blume von weitem gesehen.“ Da dachte ich: „Wir haben wirklich ein ernstes Problem mit dem Klimawandel. Zu dieser Jahreszeit gibt es keinen blühenden Löwenzahn.“ Als er sich der Blume näherte, stellte er fest, dass sie aus Plastik war. Als er mir seine Gedanken über die Blume erzählte, dachte ich: „Interessant, D. beschäftigt sich sehr intensiv mit Informationen über den Klimawandel, es ist ein Thema, das ihn interessiert und beunruhigt. Jeder Geist bewegt sich zwischen seinen Themen.“

Dieser Löwenzahn ist für mich ein Kunstwerk, Street Art. Sie kann ein Auslöser sein, um uns zum Nachdenken über Wahrnehmung und Illusion anzuregen, um uns von einem Zustand der Ablenkung in einen Zustand der Aufmerksamkeit zu bringen. Wann immer wir etwas sehen, das uns auffällt, das merkwürdig erscheint, richten wir unsere Aufmerksamkeit darauf, und das ist eine wichtige Arbeit in der Yogapraxis. Wir trainieren den Geist, sich immer mehr zu konzentrieren.

Ein paar Tage später traf ich mich mit meinem Freund M., dem Autor des Werks. Er zeigte mir voller Freude seine neue Arbeit für ein Schaufenster. Er schafft Texturen, die Felsen imitieren. Leider hatte ich keine Zeit, ihm zu erzählen, wie seine Blume bei einigen von uns Gedanken auslöst.

Als ich sein Atelier verließ, musste ich unwillkürlich an Maya denken. Maya ist ein Konzept, das in einer östlichen Denkschule namens Vedanta verwendet wird, die darüber spricht, was wir sind.

Bin ich der Körper, der Geist, die Gedanken, die Persönlichkeit? Oder bin ich etwas anderes? Der Vedanta hilft uns, tief in diese Richtung zu blicken.

Maya ist Illusion, das, was nicht real ist. In einigen seiner Werke versucht M., Imitationen von Objekten in der Welt zu schaffen – Stein, Schnee usw. Aber jede Kopie, jede Imitation, egal wie gut sie gemacht ist, denunziert ihre Unwirklichkeit, sie riecht nach Betrug. 

Der Vedanta zeigt uns, dass die Welt Maya ist. Alles, was wir sehen, ist eine Illusion. Das bedeutet nicht, dass es keine Objekte gibt. Dass der Anblick von Autos, Tieren und Menschen, die die Straße entlanglaufen, nur eine Halluzination ist. Nein. Vielleicht wäre es einfacher, wenn wir Maya auf diese Weise erklären könnten.

Maya prangert an, dass all diese Dinge vergänglich sind, dass sie geboren werden und sterben, erscheinen und verschwinden. Dass das, was wir sehen, nur Schleier sind, die die Existenz verdecken. Und dass wir die Schleier lüften müssen, um die Wirklichkeit zu sehen. Was die Wahrnehmung trüb und begrenzt macht, ist die Anhaftung an diese Schleier. Verlangen, Abneigung, Angst und Konditionierung sind alles Schichten, die die Wahrheit verdecken.

Maya… Die Illusion ist es, die uns antreibt, auf die Suche nach der Wahrheit zu gehen.

Wir klammern uns an die Objekte der Welt — unsere Wahrnehmung, Interpretation, Meinung, Vision — als ob sie real wären. Wir sehen Ewigkeit, Vollständigkeit, Erfüllung, Zufriedenheit, wo es keine gibt. So wie ich mich an das warme Gelb der Blume an diesem grauen Morgen klammerte. Genauso wenig wie ich unbewusst von dem Gedanken angetan war, dass die Blume nach Betrug roch. Ich wurde von der Sehnsucht nach dem Frühling mitgerissen.

Wenigstens waren die Blumen aus Plastik, haltbarer als die echten. Nicht so lange haltbar… Am Montag konnten sie die bleigraue Wand nicht mehr aufhellen. Vielleicht war die Reinigungskraft früh da, und während sie sich auf die anstehenden Reinigungsarbeiten konzentrierte, schaute sie auf diesen Gegenstand und dachte unbewusst: „Das ist Müll.“ Oder sie hat es einfach zusammengekehrt und in den Mülleimer geworfen, während sie an etwas anderes dachte.

*

PORTUGUÊS

DENTE DE LEAO, OURO DE TOLO

Cheguei cedo no Studio de yoga. Num canto perto da porta de entrada do prédio vi flores de um amarelo vivo e vibrante. O cinza abraçava a gente. As flores contrastavam com a cor de chumbo da parede do prédio. Aquelas flores, aquele amarelo aqueceram a alma. Ao me aproximar para fotografar a cena, passou rapidamente pela minha mente que as folhas eram de dente de leão, mas as flores… As flores cheiravam a falcatrua. O pensamento veio como um flash, mas eu os ignorei e continuei fixa na alegria do amarelo vivo, quente, na manhã fria e cinza.

Um pouco mais tarde participantes do grupo de yoga começaram a chegar.  Duas alunas entraram e uma delas comentou sobre as flores. “Nossa”, falei… “Até deu vontade de tirar uma foto”. Ela então disse: “são de plástico.” Eu fiquei perplexa. Claro, as flores cheiravam a falcatrua…

Pensei no sábio Patanjali que me ensina Yoga na teoria e na prática. Sim, a nossa percepção é limitada. Ela é condicionada. Nós vemos o mundo de acordo com os nossos hábitos, desejos, aversões e por aí vai.

A aluna se deparou com a flor e impulsionada pela suspeita foi checar, tocar, investigar se ela era real ou não. Eu fiquei presa ao meu desejo amarelo. No Brasil há uma expressão popular, quando a gente toma algo irreal por real: ouro de tolo. O metal dourado vibrante é tão atraente, que a gente vê no latão o metal nobre.

Logo mais, contei para D. sobre a flor. Ele disse: “na quinta-feira eu fui dar aula e vi a flor de longe.” Então pensei: “realmente, temos um problema grave de mudança climática. Nessa época do ano, não tem dente de leão florido.” Ao se aproximar da flor, ele constatou que ela era de plástico. Quando ele me contou os seus pensamentos diante da flor, eu pensei: “interessante, D. se ocupa muito com informações sobre mudanças climáticas, é um tema que o interessa e preocupa. Cada mente transita entre os seus temas.”

Esse dente de leão é para mim uma obra artística, street art. Ela pode ser um gatilho para nos fazer pensar sobre a percepção, a ilusão, para nos levar de um estado de distração para um estado de atenção. Sempre que vemos algo que se destaca, que parece curioso, focamos a atenção, e esse é um trabalho importante na prática do yoga. Nós treinamos a mente para ela ficar cada vez mais focada.

Alguns dias depois, encontrei o meu amigo M., o autor da obra. Ele me mostrou alegre o novo trabalho que faz para a vitrine de uma loja. Ele cria texturas que imitam rochas. Infelizmente não tive tempo para contar para ele como a sua flor mobilizou pensamentos em alguns de nós.

Ao sair do seu atelier, não pude deixar de pensar em Maya. Maya é um conceito usado em uma escola de pensamento oriental chamada Vedanta, que fala sobre aquilo que somos. Quem sou eu? Eu sou o corpo, a mente, os pensamentos, a personalidade? Ou seria EU alguma uma outra coisa? Vedanta nos ajuda a ir fundo em reflexões nessa direção.

Maya é ilusão, aquilo que não é real. Em alguns de seus trabalhos, M. procura criar imitações  de objetos do mundo – pedra, neve etc. Mas toda a cópia, toda a imitação, por mais bem feita que seja, denuncia sua irrealidade, cheira a falcatrua.  

Vedanta nos mostra que o mundo é Maya. Tudo o que nós vemos é uma ilusão. Isso não significa que os objetos não tenham existência. Que ver carros, animais, pessoas transitando na rua não passe de uma alucinação. Não. Talvez fosse mais simples se pudéssemos explicar Maya dessa forma.

Maya denuncia que todas essas coisas são passageiras, elas nascem e morrem, surgem e desaparecem. Que o que nós vemos são apenas véus encobrindo a existência. E que é preciso levantar os véus para ver a realidade. O que torna a percepção nublada, limitada é o apego a esses véus. O desejo, a aversão, o medo, os condicionamentos são camadas que encobrem a verdade.

Maya… A ilusão é aquilo que nos impulsiona a ir em busca da verdade.

Nós nos agarramos aos objetos do mundo, a nossa percepção, interpretação, opinião, visão como se fossem reais. Nós vemos eternidade, completude, saciedade, satisfação onde não há. Assim como eu me apeguei ao amarelo quente da flor, na manhã cinza. Assim como eu inconscientemente não fui levada pelo pensamento de que a flor cheirava a falcatrua. Eu fui levada pelo desejo primaveril.

Pelo menos as flores eram de plástico, mais duradouras do que as reais. Nem tão duradouras… Na segunda-feira, elas não podiam mais alegrar a parede cinza chumbo. Talvez o faxineiro tenha chegado ali cedo e com a atenção direcionada para a limpeza que tinha que fazer, tenha olhado aquele objeto, e inconscientemente pensado: “é lixo.” Ou simplesmente varreu e colocou no lixo, enquanto pensava em toura coisa.

*

ENGLISH

DANDELION, FOOL´S GOLD

I arrived early at the yoga studio. In a corner near the building’s entrance door I saw bright, vibrant yellow flowers. The gray embraced us. The flowers contrasted with the leaden color of the building’s walls. Those flowers, that yellow warmed the soul. As I approached to photograph the scene, it quickly crossed my mind that the leaves were dandelion, but the flowers… The flowers smelled like a cheat. The thought came to me like a flash, but I ignored it and remained fixated on the joy of the bright, warm yellow in the cold, gray morning.

A little later, participants from the yoga group began to arrive.  Two students came in and one of them commented on the flowers. „Wow,“ I said. „It made me want to take a picture“. She then said: „They’re plastic.“ I was perplexed. Of course, the flowers smelled like a cheat…

I thought of the wise Patanjali who teaches me yoga in theory and practice. Yes, our perception is limited. It is conditioned. We see the world according to our habits, desires, aversions and so on.

The student came across the flower and, driven by suspicion, went to check it out, to touch it, to investigate whether it was real or not. I was stuck with my yellow desire. In Brazil there is a popular expression when we take something unreal for real: fool’s gold. The vibrant gold metal is so attractive that we see brass as noble metal.

Later, I told D. about the flower. He said: „On Thursday as I came I saw the flower from afar.“ Then I thought: „We really do have a serious climate change problem. At this time of year, there are no dandelions in bloom.“ As he approached the flower, he realized that it was made of plastic. When he told me his thoughts about the flower, I thought: „Interesting, D. is very preoccupied with information about climate change, it’s a topic that interests and worries him. Each mind moves between its own themes.“

This dandelion is for me a work of art, street art. It can be a trigger to make us think about perception, illusion, to take us from a state of distraction to a state of attention. Whenever we see something that stands out, that seems curious, we focus our attention, and this is important work in yoga practice. We train the mind to become more and more focused.

A few days later, I met up with my friend M., the author of the work. He happily showed me his new work for a store window. He creates textures that imitate rocks. Unfortunately, I didn’t have time to tell him how his flower had stirred up thoughts in some of us.

As I left his studio, I couldn’t help but think of Maya. Maya is a concept used in an Eastern school of thought called Vedanta, which talks about who we are. Who am I? Am I the body, the mind, the thoughts, the personality? Or am I something else? Vedanta helps us to go deep into reflections in this direction.

Maya is illusion, that which is not real. In some of his works, M. tries to create imitations of objects of the world – stone, snow, etc. But every copy, every imitation, no matter how well made, denounces its unreality and smells of deceit. 

Vedanta shows us that the world is Maya. Everything we see is an illusion. This doesn’t mean that objects don’t exist. That seeing cars, animals and people on the street is just a hallucination. No. Perhaps it would be simpler if we could explain Maya in this way.

Maya denounces that all these things are fleeting, they are born and die, appear and disappear. That what we see are only veils covering existence. And that we must lift the veils to see reality. What makes perception cloudy and limited is attachment to these veils. Desire, aversion, fear and conditioning are all layers that cover up the truth.

Maya… Illusion is what drives us to go in search of the truth.

We cling to the objects of the world, our perception, interpretation, opinion, vision as if they were real. We see eternity, completeness, satiety, satisfaction where there is none. Just as I clung to the warm yellow of the flower on the gray morning. Just as I was unconsciously not carried away by the thought that the flower smelled of deceit. I was carried away by springtime desire.

At least the flowers were plastic, more durable than the real thing. Not so long-lasting… On Monday, they could no longer brighten up the lead gray wall. Perhaps the cleaner arrived there early and, with his attention focused on the cleaning he had to do, looked at that object and unconsciously thought: „It’s garbage.“ Or simply swept it up and put it in the garbage can, while thinking about something else.

Allgemein

Sollen wir über Intimität sprechen?

(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

Aber was ist Körperbewusstsein überhaupt? Was bedeutet es? Habe ich Körperbewusstsein? Wenn ich es nicht habe, hatte ich es nie oder habe ich es eines Tages verloren? Warum habe ich es verloren? Wie ist das passiert?

Wir können Körperbewusstsein vielleicht als Nähe, Intimität mit dem eigenen Körper übersetzen. Ich sehe, was in mir vorgeht, weil ich meinen Körper mit Neugier beobachte. Ich kenne dieses Gefährt, das mich hierher und dorthin transportiert. Ich kenne seine Reaktionen. Und wenn sich die Reaktionen ändern, bin ich mir der Transformationen bewusst.

Meine Beziehung zu meinem Körper ist präsent, und alles, worauf ich achte, wird intim.

Wenn wir Säuglinge beobachten, sehen wir, dass sie sich selbst erforschen. Zunächst ist ihnen nicht bewusst, dass das Bein, das sie bewegen, ein Teil des Körpers ist, den sie in Zukunft „meinen“ nennen werden. Sie machen einen Prozess der Entdeckung ihrer eigenen Konturen durch.

Im Laufe der Zeit, nach den ersten Körperbefragungen, wird uns klar, was wir mögen, was wir nicht mögen, was wir wollen und was nicht, was uns schwer und was uns leicht fällt. Wir erschaffen die Idee einer Persona, eines Individuums.

Doch im Laufe unseres Lebens geschieht das Gegenteil: Wir verlieren die Sensibilität für das, was in uns am deutlichsten spürbar ist – den Körper, als ob es eine umgekehrte Bewegung gäbe. Stelle dir vor, was mit dem passiert, was subtiler ist – mit Gefühlen, Gedanken, Emotionen?

Der Mangel oder Verlust der Verbindung zu uns selbst kann aus vielen Gründen auftreten: Traumata; Konditionierungen und Gewohnheiten, die uns nicht positiv nähren; das Erleben von Verboten und Frustrationen; der Versuch, sich den Wünschen und Erwartungen anderer anzupassen, um akzeptiert und geliebt zu werden… In unseren Beziehungen stoßen wir auf Hindernisse, auf schmerzhafte Erfahrungen, die uns betäuben, die uns vom Kontakt mit uns selbst fernhalten. Es ist, als würden wir einen Rüstung um uns herum aufbauen, der uns vor zukünftigen Wunden und Schmerzen schützt. Der Körper wird taub, steif.

Wer bin ich und wer ist der andere?

Ich bin oft in der U-Bahn unterwegs und sehe junge Mädchen auf dem Weg zur oder von der Schule. Viele von ihnen haben das gleiche Gesicht, folgen dem Trend, sich stark zu schminken, falsche Wimpern zu tragen, ähnliche Kleidung und Frisuren zu tragen. Hier zeigt sich deutlich das menschliche Bestreben, sich anzupassen, zu einer Gruppe zu gehören, um akzeptiert zu werden. Der schädliche Effekt ist der Verlust des Kontakts mit sich selbst.

Wenn ich meine Energie darauf verwende, wie andere auszusehen, Teil einer Gruppe zu sein, kann ich mit der Zeit meine Einzigartigkeit nicht mehr erkennen. Dadurch entfernen wir uns von unseren persönlichen Merkmalen. Wir verlieren aus den Augen, was mit unserer Persönlichkeit zu tun hat. Was möchte ich tragen? Was ist meine natürliche Art, mich auszudrücken? Was sind meine natürlichen Begabungen und Talente?

Wenn wir uns keinen Raum schaffen, um so zu sein, wie wir sind, verlieren wir die Fähigkeit, zwischen dem, was ich bin, und dem, was der andere ist, zu unterscheiden. Und wenn ich nicht weiß, was mir gehört und was dem anderen gehört, fange ich an, Situationen zu leben, die mich nichts angehen. Ich fange an, die Geschichten der anderen zu leben und spüre meiner eigenen nicht nach. Man verliert den Kontakt zu sich selbst, die Intimität, man hat ständig das Gefühl, ungeeignet zu sein.

Wir schauen immer weniger nach innen. Anstatt mit Originalität und Frische auf Situationen zu reagieren, versuchen wir, nach außen hin zu reagieren: Wie erwartet diese Person, dass ich mich verhalte? Was muss ich tun, damit diese Person mich liebt, damit sie mich akzeptiert? Wir wiederholen dies immer wieder auf unterschiedliche Weise und geraten immer tiefer in den Verlust der Intimität mit uns selbst.

Dieser Mangel an Grenzen zwischen dem, was ich bin, und dem, was die andere Person ist, tritt nicht nur in Beziehungen zwischen Freunden auf, sondern auch in Ehen, zwischen Eltern und Kindern usw. Oft bewundern wir jemanden so sehr, dass wir versuchen, ihn zu imitieren und dabei unsere eigene Geschichte aus den Augen verlieren.

Yoga jenseits des Körpers

Yoga spricht von der Notwendigkeit des Selbststudiums. Es gibt keine Möglichkeit, auf dem spirituellen Weg voranzukommen, wenn wir nicht die Vertrautheit mit unserem eigenen Körper, unseren Gefühlen und unseren Gedanken wiedererlangen können. Diese Wiedervereinigung ist grundlegend für unsere Reifung als menschliche Wesen.

Yoga arbeitet vom Groben zum Feinen. Der gröbste Teil von uns ist der Körper. Wenn wir also unsere Körperyoga-Übungen machen, haben wir die Möglichkeit, unser „Körperfahrzeug“ zu beobachten. Wenn wir nach außen hin üben und dabei an die Einkaufsliste denken, daran, was wir essen werden, daran, was die Person neben uns tut, ob sie in ihrer Praxis weiter ist als ich, verpassen wir die Gelegenheit zu einer intimen und warmen Begegnung mit uns selbst.

Yoga bringt uns zurück zu den Forschungen der Babys. Was spüre ich, wenn ich mein Bein bewege, meinen Arm hebe, wo sind die Verspannungen und Versteifungen, was passiert mit meiner Atmung, wenn ich mich schneller oder langsamer bewege, welche Empfindungen lösen die Haltungen im Körper aus, was sind die Konditionierungen, die sich beim Üben zeigen? Das Üben von Körper-Yoga hilft uns, unseren Fokus, unsere gerichtete Aufmerksamkeit zu schulen. Und das führt uns später natürlich in den meditativen Prozess.

Alles, was wir mit Neugier und immer wieder beobachten, lernen wir kennen. Die Übungen sind eine Gelegenheit für ein Wiedersehen zwischen dem Yoga-Praktizierenden und seinem eigenen Körper. Eine Gelegenheit zur Beobachtung OHNE Beurteilung. Intimität und Urteilsvermögen passen nicht gut zusammen. Mit der Zeit erhalten wir dadurch Körperbewusstsein und bereiten den Geist auf ein tieferes Eintauchen in das Subtilere vor.

*

VAMOS FALAR SOBRE INTIMIDADE?

Mas afinal, o que é consciência corporal? O que isso significa? Eu tenho consciência corporal? Se eu não tenho, eu nunca tive ou eu um dia a perdi? Por quê? Como foi que isso ocorreu?

Nós podemos talvez traduzir consciência corporal como proximidade, intimidade com o próprio corpo. Eu vejo o que se passa em mim, porque eu observo o meu corpo com curiosidade. Eu conheço esse veículo que me transporta para lá e para cá. Eu conheço as suas reações. E quando as reações mudam, eu estou ciente das transformações.

Há presença em minha relação com o meu corpo e tudo o que eu dedico atenção, torna-se íntimo.

Quando observamos os bebês, vemos que eles se investigam. Primeiro, eles não entendem que aquela perna que eles movimentam, por exemplo, é parte do corpo que no futuro eles chamarão de meu. Eles vão passando por um processo de descobrimento do próprio contorno. Com o passar dos anos, depois das primeiras pesquisas corporais, vamos percebendo o que gostamos, o que não gostamos, o que queremos e o que não queremos, o que temos dificuldade e facilidade de fazer.  Vamos criando a ideia de uma persona, de um indivíduo.

Mas no decorrer da vida, acontece o movimento contrário: vamos perdendo a sensibilidade do que em nós é mais palpável – o corpo, como se houvesse um movimento reverso. Imagine então o que ocorre com o que é mais sutil – os sentimentos, os pensamentos, as emoções?

A falta ou perda de conexão conosco pode ocorrer por muitas razões: traumas; condicionamentos e hábitos que não nos nutrem positivamente; vivência de proibições e frustrações; tentativa de adequação ao querer dos outros, às expectativas dos outros para sermos aceitos e ser amados… Nas nossas relações, vamos nos deparando com obstáculos, vivências dolorosas que nos anestesiam, nos afastam do contato conosco. Como se fossemos criando uma armadura em volta de nós, para nos defender de futuras feridas e dores. O corpo fica insensível, enrijecido.

Quem sou eu e quem é o outro?

Muitas vezes, estou no metrô e vejo meninas jovens indo ou voltando da escola. Muitas delas têm o mesmo rosto, seguem a tendência de usar maquilagem pesada, cílios postiços, roupas e penteados parecidos. Aqui vemos claramente a tentativa humana de adequação, de pertencer a um grupo para ser aceito. O efeito nocivo é a perda do contato consigo.

Quando eu volto a minha energia para me parecer com os outros, para ser parte de um grupo, com o tempo eu não consigo mais identificar as minhas singularidades. Isso vai nos afastando das nossas marcas pessoais. Nós vamos deixando de ter noção do que que tem a ver com a nossa personalidade. O que eu quero vestir? Qual é a minha forma natural de expressão? Quais são as minhas aptidões e talentos naturais?

Se não abrimos espaço para sermos o que somos, vamos perdendo a capacidade de diferenciar “o que sou eu do que é o outro”. E se eu não sei o que é meu e o que é do outro, eu começo a viver situações que não me dizem respeito. Eu passo a viver a história de outras pessoas e não traço a minha própria história. Há a perda de contato consigo, de intimidade, há uma sensação constante de inadequação.

Nós vamos olhamos cada vez menos para dentro. Ao invés de respondermos às situações com originalidade e frescor, nós tentamos responder às situações voltados para fora: como essa pessoa espera que eu me comporte? O que eu devo fazer para essa pessoa me amar, me aceitar? Nós vamos repetindo isso de diferentes formas e vamos cada vez mais aprofundando a perda de intimidade conosco.

Essa falta de fronteira entre o que sou eu e o que é o outro ocorre não só nas relações entre amigos, mas também nos casamentos, entre pais e filhos etc. Muitas vezes, admiramos tanto alguém, que tentamos imitar essa pessoa e nos perdemos de nossa própria história.

Yoga corporal para além do corpo

O Yoga fala da importância do auto estudo. Não há como avançar minimamente em um caminho espiritual se não conseguimos resgatar a intimidade com o nosso próprio corpo, com as nossas emoções, com os nossos pensamentos. Esse reencontro é fundamental para o nosso amadurecimento como seres humanos.

O Yoga trabalha do mais grosseiro em direção ao mais sutil. O que é mais grosseiro em nós é o corpo. Então, quando estamos fazendo a nossa prática de yoga corporal, temos a oportunidade de observarmos o nosso veículo corporal. Se fazemos a prática voltados para fora, pensando na lista do mercado, o que vamos comer, o que a pessoa do lado está fazendo, se ela está mais avançada que eu na prática, estamos perdendo a oportunidade de um encontro íntimo e caloroso conosco.

O yoga nos propõe o caminho de volta às pesquisas dos bebês. O que eu sinto quando mexo a perna, levanto o braço, onde estão as tensões e a rigidez, o que ocorre com a respiração se eu me movimento com mais rapidez ou mais devagar, que sensações as posturas causam no corpo, quais os condicionamentos que se mostram quando eu faço a prática? A prática do yoga corporal nos ajuda a ir treinando o foco, a atenção direcionada. E isso nos leva mais tarde, naturalmente, ao processo meditativo.

Tudo o que observamos com curiosidade e repetidamente, passamos a conhecer. A prática do yoga corporal é uma oportunidade para um reencontro entre o praticante de yoga e o seu próprio corpo. Uma oportunidade para uma observação SEM julgamento. Intimidade e julgamento não se relacionam bem. Com o tempo, isso vai nos dando consciência corporal e isso vai preparando a mente para mergulhos mais profundos, no que é mais sutil.

*

LET’S TALK ABOUT INTIMACY?

But what is body awareness anyway? What does it mean? Do I have body awareness? If I don’t, did I never have it or did I lose it one day? Why did I lose it? How did this happen?

We can perhaps translate body awareness as closeness, intimacy with one’s own body. I see what’s going on in me, because I observe my body with curiosity. I know this vehicle that transports me here and there. I know its reactions. And when the reactions change, I am aware of the transformations.

There is presence in my relationship with my body and everything I pay attention to becomes intimate.

When we observe babies, we see that they investigate themselves. At first, they don’t understand that the leg they move, for example, is part of the body they will call mine in the future. They go through a process of discovering their own contours. Over the years, after the first body surveys, we realize what we like, what we don’t like, what we want and don’t want, what we find difficult and easy to do. We create the idea of a persona, of an individual.

But as we go through life, the opposite happens: we lose sensitivity to what is most palpable in us – the body, as if there were a reverse movement. Imagine what happens to what is more subtle – feelings, thoughts, emotions?

The lack or loss of connection with ourselves can occur for many reasons: traumas; conditioning and habits that don’t nourish us positively; experiencing prohibitions and frustrations; trying to fit in with the wishes of others, the expectations of others in order to be accepted and loved. In our relationships, we come up against obstacles, painful experiences that anesthetize us, keep us away from contact with ourselves. As if we were creating an armor around ourselves to defend us from future wounds and pain. The body becomes numb, stiff.

Who am I and who is the other?

I’m often on the subway and see young girls going to and from school. Many of them have the same face, follow the trend of wearing heavy make-up, false eyelashes, similar clothes and hairstyles. Here we clearly see the human attempt to fit in, to belong to a group in order to be accepted. The harmful effect is the loss of contact with oneself.

When I turn my energy to looking like others, to being part of a group, over time I can no longer identify my singularities. This distances us from our personal traits. We lose track of what has to do with our personality. What do I want to wear? What is my natural way of expressing myself? What are my natural skills and talents?

If we don’t make space to be who we are, we lose the ability to differentiate between „what is me and what is the other“. And if I don’t know what’s mine and what belongs the other person, I start living situations that don’t concern me. I start to live other people’s stories and don’t trace my own. There’s a loss of contact with me, of intimacy, there’s a constant feeling of inadequacy.

We look inwards less and less. Instead of responding to situations with originality and freshness, we try to respond to situations from the outside: how does this person expect me to behave? What do I have to do for this person to love me, to accept me? We keep repeating this in different ways and we get deeper and deeper into the loss of intimacy with ourselves.

This lack of boundaries between what is me and what is the other occurs not only in relationships between friends, but also in marriages, between parents and children, etc. We often admire someone so much that we try to imitate them and lose sight of our own history.

Body yoga beyond the body

Yoga talks about the importance of self-study. There’s no way to make any progress on a spiritual path if we can’t regain intimacy with our own body, our emotions and our thoughts. This reunion is fundamental to our maturing as human beings.

Yoga works from the grossest towards the subtlest. The grossest thing in us is the body. So, when we are doing our body yoga practice, we have the opportunity to observe our body vehicle. If we do our practice looking outwards, thinking about the grocery list, what we’re going to eat, what the person next to us is doing, whether they’re further along in their practice than I am, we’re missing the opportunity for an intimate and warm encounter with ourselves.

Yoga takes us back to the research of babies. What do I feel when I move my leg, raise my arm, where are the tensions and stiffness, what happens to my breathing if I move faster or slower, what sensations do the postures cause in the body, what are the conditionings that show up when I do the practice? The practice of body yoga helps us to train our focus, our directed attention. And this leads us later, naturally, to the meditative process.

Everything we observe with curiosity and repeatedly, we come to know. The practice of body yoga is an opportunity for a reunion between the yoga practitioner and their own body. An opportunity for observation WITHOUT judgment. Intimacy and judgment don’t mix well. Over time, this gives us body awareness and prepares the mind for deeper dives into what is more subtle.

Allgemein

Das, was schützt


(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

OM OM OM

Seit ich als Teenager mit Yoga begonnen habe, habe ich im Unterricht das Mantra OM vibriert. Ich kann mich nicht erinnern, dass ich die Bedeutung der Vibration kannte, aber ich weiß, dass es sich gut anfühlte, das Mantra zu chanten. Vielleicht wegen des Gefühls der Vibration, vielleicht weil das Vibrieren des Mantras das Ausatmen länger macht und einen beruhigt. Vielleicht liegt es daran, dass das Mantra eine uralte Bedeutung hat, die wir alle auf eine bestimmte Art und Weise spüren, auch wenn wir rational nicht verstehen, was es bedeutet.

Am wohlsten habe ich mich gefühlt, als die Gruppe gemeinsam vibrierte. Was ich meine, ist, dass nicht jeder sein OM für sich schwingt, isoliert, in verschiedenen Tönen, sondern dass es plötzlich eine VERBINDUNG zwischen uns gibt, zwischen den verschiedenen Stimmen. Und dann wurde das OM harmonisch, schön und berührte mein Herz.

In meiner Yogalehrer-Ausbildung lernte ich Bedeutungen des Mantras kennen. Die Erklärung, die mir am besten gefiel, war, dass OM der Klang ist, der von der Bewegung der Schöpfung ausgeht. Schöpfung ist etwas Dynamisches, das sich entfaltet und verwandelt. Und diese Kette von Ereignissen hat einen Klang, eine Schwingung – OM. Diese Bedeutung ist mit „Am Anfang war das Wort und das Wort war Gott“ verbunden. OM kann also auch Gott bedeuten.

Mantras können als Gebete betrachtet werden. Das Wichtigste ist, dass wir eine Bedeutung im Kopf haben, die unsere Hingabe entzündet oder, wenn ihr das Wort Hingabe nicht mögt, die eine Wärme in der Brust erzeugt, ein Gefühl der Zugehörigkeit, eine Behaglichkeit. Das hilft uns, uns mit dem zu verbinden, was wir vibrieren. Und Verbindung ist wichtig, weil sie das beklemmende Gefühl der Isolation durchbricht, wenn auch nur vorübergehend.

Tiefere Schichten des Seins

OM ist ein Sanskrit-Wort, das aus den Vedas (Schriften) stammt und als das verstanden werden kann, was schützt und segnet. Wenn wir das Mantra zu Beginn und am Ende der Stunde singen, hat das eine symbolische Bedeutung: Das, was zwischen der ersten und der letzten Intonation liegt, ist geschützt. Und was wird geschützt? Dass die Beziehung zwischen Lehrer und Schüler geschützt ist, dass das ursprüngliche Wissen des Yoga geschützt ist, dass die Verbindung des Schülers mit sich selbst geschützt ist.

Dies zeigt, dass die Yogapraxis traditionell keine körperliche Aktivität ist, sondern eine spirituelle Praxis. Und wenn ich spirituell sage, dann meine ich nicht religiös. In der Yogapraxis wird an den tieferen Schichten in uns gearbeitet – an Gefühlen, Emotionen, Gedanken… Der grobe Aspekt, der Körper, ist nur ein Mittel, um tiefere Schichten des Seins zu erreichen. Wenn wir Yoga wie Gymnastik behandeln, schützen wir die Tradition des Yoga nicht und nutzen die Kraft seiner Werkzeuge nicht richtig.

Der Anfang, das Ende und die Mitte

Oft, wenn ich das Mantra OM vibriere, denke ich an eine andere Bedeutung, die ihm zugeschrieben wird. Das OM, das wir chanten, ist die Vereinigung der drei Buchstaben A-U-M. Und was bedeutet das? Wir können an den Anfang, die Mitte und das Ende denken; die Schöpfung, die Aufrechterhaltung der Schöpfung und die Zerstörung. Wenn mir diese Bedeutung in den Sinn kommt, ist es, als ob ich über die Unbeständigkeit dieser Persona namens Flavia nachdenke. Was bedeutet diese Unbeständigkeit? Welche Gefühle löst sie aus? Welche Leichtigkeit liegt in der Akzeptanz der Unbeständigkeit, die allen Dingen innewohnt?

Ich sehe OM auch als Liebe und Frieden.

Wenn wir das Mantra OM während des Unterrichts singen, können wir vielleicht die Kraft von etwas spüren, das das Herz berühren kann, das uns in die Tiefe führen kann, über den physischen Aspekt hinaus, und das so reichhaltig und aufschlussreich sein kann.

OM OM OM

*

AQUILO QUE PROTEGE

OM OM OM

Desde que comecei a fazer yoga, adolescente, eu vibro o mantra OM nas aulas. Não me recordo de saber o sentido da vibração, mas sei que me sentia bem ao entoar o mantra. Talvez pela sensação da vibração, talvez pelo fato de que vibrar o mantra faz a expiração ficar mais longa e isso acalma. Talvez pelo fato de o mantra ter em si uma carga de significado ancestral que é pressentida de certa forma por todos nós, mesmo quando racionalmente nós não entendemos o que ele significa.

O que mais me causava bem-estar era quando o grupo vibrava junto. O que eu quero dizer é: não era cada um vibrando o seu OM por si, de forma isolada, em tons diferentes, mas, de repente, ocorria uma CONEXÃO entre nós, entre as diferentes vozes. E então a vibração ficava harmônica, bela e me tocava o coração.

O eu que começou a vibrar o mantra OM na adolescência já chegou quase aos 50 anos e se tornou professora de yoga. Eu comecei a ser apresentada aos significados o mantra quando fiz a minha formação para ser professora. A explicação que eu mais gostava era a de que o OM é o som que emana do movimento da criação. Para haver criação é preciso movimento. A criação é algo dinâmico, que se desenrola, transforma. E essa cadeia de acontecimentos tem um som, uma vibração – OM. Esse significado está ligado ao “no início era o Verbo e o Verbo era Deus.” Portanto OM pode também significar Deus.

Os mantras podem ser vistos como orações. O mais importante é que tenhamos um significado em mente que acenda a nossa devoção ou, se você não gosta da palavra devoção, que gere um calorzinho no peito, um sentimento de pertencimento, um aconchego. Isso nos ajuda a nos conectar com aquilo que estamos vibrando. E a conexão é importante, porque ela quebra, mesmo que temporariamente, a sensação opressora do isolamento.

Camadas mais profundas do ser

O OM é uma palavra em sânscrito que vem dos Vedas (escrituras) e pode ser entendida como aquilo que protege e abençoa. Quando entoamos o mantra no início e no final da aula, há um simbolismo: aquilo que está entre a primeira e última entonação está protegido. E o que está protegido? Que a relação entre @ professr e alun@ esteja protegida, que o conhecimento original do yoga esteja protegido, que a conexão d@ alun@ consigo esteja protegida.

Isso mostra como tradicionalmente a prática de yoga não é uma atividade física, mas uma prática espiritual. E quando eu digo espiritual, não significa religiosa. Há um trabalho na prática de yoga relacionado a camadas mais profundas em nós – sentimentos, emoções, mente-pensamentos… O aspecto grosseiro, o corpo, é só um meio para atingir camadas mais profundas do ser. Quando tratamos o yoga como ginástica, não estamos protegendo a tradição do yoga e não estamos usando adequadamente a potência de suas ferramentas.

O início, o fim e o meio

Não raro, quando vibro o mantra OM penso em outro significado atribuído a ele. O OM que entoamos é a união de três letras A-U-M. E o que isso significa? Podemos pensar no início, no meio e no fim; na criação, na manutenção da criação e na destruição. Quando esse significado vem a minha mente ao vibrar, é como se eu quisesse mergulhar na reflexão sobre a impermanência dessa persona chamada Flavia. O que significa essa impermanência? Que emoções ela causa? Qual é a leveza de aceitar a impermanência inerente a todas as coisas?

Eu também vejo o OM como amor e paz.

Quando entoo o mantra OM, posso ser banhada de agradecimento pelo tempo que passo em conexão com meus alun@s. Posso sentir na vibração a força de algo que é capaz de tocar o coração, que pode nos levar para mergulhos profundos que vão além do aspecto físico e que podem ser tão ricos e tão reveladores.

OM OM OM

*

THAT WHICH PROTECTS

OM OM OM

Ever since I started doing yoga as a teenager, I have vibrated the mantra OM in class. I don’t remember knowing the meaning of the vibration, but I do know that it felt good to chant the mantra. Perhaps because of the sensation of the vibration, perhaps because vibrating the mantra makes the exhale longer and calms you down. Perhaps it is because the mantra carries an ancestral meaning that we all sense in a certain way, even when we do not rationally understand what it means.

What made me feel most comfortable was when the group vibrated together. What I mean is: it wasn’t everyone vibrating their OM on their own, in isolation, in different tones, but suddenly there was a CONNECTION between us, between the different voices. And then the vibration became harmonious, beautiful and touched my heart.

The me who started vibrating the OM mantra as a teenager is now almost 50 and has become a yoga teacher. I began to be introduced to the meanings of the mantra when I attended my teacher training. The explanation I liked best was that OM is the sound that emanates from the movement of creation. Creation is something dynamic, something that unfolds and transforms. And this chain of events has a sound, a vibration – OM. This meaning is linked to „in the beginning was the Word and the Word was God.“ So OM can also mean God.

Mantras can be seen as prayers. The most important thing is that we have a meaning in mind that ignites our devotion or, if you don’t like the word devotion, that generates a warmth in the chest, a feeling of belonging, a coziness. This helps us to connect with what we are vibrating. And connection is important because it breaks down, even temporarily, the oppressive feeling of isolation.

Deeper layers of being

OM is a Sanskrit word that comes from the Vedas (scriptures) and can be understood as that which protects and blesses. When we chant the mantra at the beginning and end of the class, there is a symbolism: what is between the first and last intonation is protected. And what is protected? That the relationship between teacher and student is protected, that the original knowledge of yoga is protected, that the student’s connection with him/herself is protected.

This shows how traditionally the practice of yoga is not a physical activity, but a spiritual practice. And when I say spiritual, I don’t mean religious. Yoga can work with deeper layers in us – feelings, emotions, mind-thoughts… The gross aspect, the body, is just a means to reach deeper layers of being. When we treat yoga as gymnastics, we are not protecting the tradition of yoga and we are not using the power of its tools properly.

The beginning, the end and the middle

Often, when I vibrate the mantra OM, I think of another meaning attributed to it. The OM we chant is the union of three letters A-U-M. And what does that mean? We can think of the beginning, the middle and the end; creation, the maintenance of creation and destruction. When this meaning comes to my mind as I vibrate, it is as if I want to dive into reflecting on the impermanence of this persona called Flavia. What does this impermanence mean? What emotions does it cause? What is the lightness of accepting the impermanence inherent in all things?

I also see OM as love and peace.

When we chant the mantra OM, it can happen that we feel in the vibration the strength of something that can touch the heart, that can take us into deep dives that go beyond the physical aspect and that can be so rich and so revealing.

OM OM OM

Allgemein

Gedanken fürs neue Jahr organisieren: Yoga für den Geist

(A versão em português está abaixo)

Am Ende des Jahres bereiten wir vieles vor: Wir räumen das Haus auf, kaufen Geschenke, überlegen, was wir zu Weihnachten und Silvester kochen werden. Aber es ist auch eine wichtige Zeit für uns, um unsere Gedanken zu ordnen. Und inmitten der vielen Aufgaben kommt das, was so wichtig ist, ins Hintertreffen oder bleibt einfach auf der Strecke.

Eine Aufgabe, die ich nie versäume, ist, über die wichtigsten Ereignisse des Jahres nachzudenken. Ich betrachte, worauf ich mich im Leben konzentriere, und überprüfe, ob meine Handlungen im Laufe des Jahres mich in diese Richtung geführt oder mich von meinem Ziel abgehalten haben.

Machen wir eine Übung zusammen? Betrachte diese schöne Aufgabe mit der gleichen Sorgfalt, mit der du deine Yogastunde behandelst. Nimm dir Zeit für diese Übung (ungefähr 30 Min). Wenn du jetzt keine Zeit hast, hebe sie für später auf. Aber vergiss nicht, sie zu machen! Dies ist auch eine Art Yogastunde. Es ist eine Art Meditation. Du hast jetzt ein Date mit dir selbst.

1

Suche dir einen schönen Platz in deiner Wohnung, an dem du eine Weile in Ruhe verweilen kannst. Bereite diesen Ort mit Zuneigung vor. Vielleicht kannst du ihn lüften und eine Kerze anzünden. Du wirst Stift und Papier brauchen.

2

Die erste Frage, die ich dir stellen möchte, lautet:

Wie hat sich das Jahr 2023 für dich angefühlt? Bevor du den Text wieter liest, schreibe in dein Notizbuch oder auf Papier, was du denkst.

3

Die zweite Frage lautet:

Welche waren die wichtigsten Ereignisse des Jahres? Vielleicht muss du einfach nur lesen, was du bereits geschrieben hast, und das Wichtigste, was passiert ist, unterstreichen. Ich bin gespannt, was auf deiner Papier steht.

4

Sieh dir an, was du geschrieben hast, und frage dich: Haben die wichtigsten Ereignisse des Jahres mehr Ruhe und Frieden in meinen Geist gebracht? Welches Gefühl ist mit den wichtigsten Erfolgen des Jahres verbunden? Wenn du möchtest, schreibe auf, was dir einfällt, oder denke darüber nach.

5

Was war dieses Jahr schwierig? Schreibe die wichtigsten Punkte auf. Wenn du möchtest, kannst du auch nachdenken, warum diese Ereignisse schwierig waren. Beobachte, was dazu beigetragen hat, dass diese Ereignisse schwierig waren. Nimm auch wahr, ob diese schwierigen Situationen dich dazu gebracht haben, das Leben in einem anderen Licht zu betrachten, ob sie dir die Augen für notwendige Veränderungen geöffnet haben.

6

Wir kommen jetzt zum Ende unserer Überlegungen.

Überlege dir nun, worauf nächstes Jahr deinen Fokus legen möchtest. Hast du einen Schwerpunkt oder mehrere? Achte darauf, wo dein Herz am stärksten schlägt. Schreibe auf, was dein Schwerpunkt ist. Überlege, warum das für dich wichtig ist.

7

Bewahre dieses Papier nun sorgfältig auf. Du kannst das während des neues Jahres erneut lesen, um dich zu erinnern, was darin steht. Und vielleicht kannst du Ende nächsten Jahres noch einmal das lesen, um zu überprüfen, ob deine Ziele immer noch dieselben sind.

Frohes neues Jahr!

***


Organize as ideias para o novo ano: Yoga para a mente

Você pode fazer essa reflexão com o vídeo, em vez de ler o texto.

No final do ano nós preparamos muitas coisas: arrumamos a casa, compramos presentes, pensamos o que vamos cozinhar na noite de natal e de ano novo. Mas esse é também um tempo importante para nós organizarmos a nossa mente. E no meio de tantas tarefas, isso que é tão importante acaba parecendo não essencial ou simplesmente fica de lado, esquecido.

Vamos fazer um exercício juntos? Trate esta bela tarefa com o mesmo cuidado com que trata sua aula de yoga. Não tenha pressa para fazer este exercício. Você vai precisar de cerca de 30 minutos. Se você não tem tempo agora, guarde para mais tarde. Mas não se esqueça de fazê-lo! A tarefa também é yoga. É uma espécie de meditação. Você tem um date com você agora!

1

Antes de a gente continuar, acha um lugar agradável na sua casa, onde você possa ficar tranquil@ por algum tempo. Prepare esse lugar com carinho. Talvez você possa ventilar o local, acender uma vela.
Você vai precisar de papel e caneta.

2

A primeira pergunta que eu vou te fazer é:

Como foi o ano de 2023 para você?

Antes de continuar lendo o texto, pensa um pouco nessa pergunta, escreve o que vier à mente em seu papel.

3

A segunda pergunta é:

Quais foram as principais realizações do ano? Talvez a resposta já esteja no seu papel. Talvez você queira apenas sublinhar o que te parece mais importante.

4

Agora observa o que você anotou.

As principais realizações do ano te trouxeram mais paz e quietude mental e emocional? Ou apenas prosperidade em outros âmbitos? Que sentimento está associado às principais realizações do ano?
Anote o que te vem à cabeça quando eu faço essas perguntas.   

5

A próxima pergunta é:

O que foi difícil em 2023. Anote os pontos principais. Caso queira, pode escrever o motivo desses fatos terem se revelado difíceis. Observe o que contribuiu para as dificuldades. Observe se essas situações difíceis te levaram a olhar a vida com outros olhos. Elas abriram os seus olhos para mudanças necessárias?

6

Agora estamos chegando ao final de nossa reflexão. 

Observa qual é o seu foco principal para 2024. Você tem um foco ou vários? Observa onde o seu coração bate mais forte. Escreve no papel. Pensa porque isso é tão importante para você.

7

Guarda o que você escreveu com carinho. Sempre que você se sentir sem rumo, volta a ler os seus escritos. Você também pode reler o que escreveu no final do próximo ano e refazer essa reflexão.

Feliz ano novo!