vedanta, yoga, yoga sutra

Ser árvore

Siehe die deutsche Übersetzung unten.

A árvore (Vrikshasana) já faz parte, há muitos anos, da minha história.

Primeiro como aluna. Ela nunca me pareceu um desafio, mas um encontro. Um lugar onde me sinto ancorada e acolhida. Não sem algum esforço, sem algum desconforto, sem um balançar suave ao vento. Volto sempre a ela em momentos em que preciso de ancoramento. Em momentos em que preciso trabalhar o feminino. Nessas horas, ela me chama para debaixo de sua copa frondosa e me ampara.

Ela me acompanha também em minha trajetória como instrutora de yoga. É uma das posturas de equilíbrio que mais ofereço aos alunos. E vejo como alguns, no início, não conseguem sustentá-la, relacionar-se bem com ela. Mas, com o passar do tempo, quando se conectam com ela da forma que é possível para eles, ela também os ampara e os protege da chuva e do sol.

Penso hoje nessa minha árvore favorita, aquela à qual o meu corpo dá forma. Penso nesse “corpo” que tem que aprender a lidar com suas perdas no outono, quando as folhas caem. Que fica desnudo e pode se sentir desamparado no inverno. Que está frondoso, vital e florido no verão e na primavera. A árvore passa por todos esses ciclos, assim como eu. E, diferente de mim, não questiona se está com folhas ou sem, desamparada ou carregada de cor.

Ela é… apenas… Cabe a ela somente ser.

Perto do Natal, penso na árvore ligada ao cristianismo. Soube que a árvore de Natal simboliza a vida, a esperança e a renovação. O simbolismo vem de tradições pagãs do solstício de inverno, em que pinheiros sempre-verdes representavam a vitória da vida sobre a escuridão. Entre os ornamentos estão a estrela, as luzes e os presentes. Entendo as luzes que a adornam, quando penso na filosofia oriental, como a sabedoria (como ser, apenas ser?). Não ser para, não ter que ser de um jeito ou de outro, não ser contra, não ser amanhã — apenas ser. A estrela é aquilo que guia o caminho, guia na direção da sabedoria — que é um fim, mas também um meio. E os presentes… como aquilo que recebemos na jornada em direção ao conhecimento de si.

O yoga é essa coisa linda. O corpo se doa à forma. E a forma revela a sua sabedoria, os seus segredos. Uma vez, um professor de dança disse para o aluno: não se engane, você não está simplesmente dançando, você está entrando em profunda conexão com você… E podemos pensar: não se engane, você não está apenas fazendo uma postura de yoga… Ela é apenas a porta de entrada para uma profunda reflexão sobre o seu momento, sobre as suas relações, sobre a existência.

Desejo um feliz Natal a todos e um ótimo Ano Novo.

*

Baumsein – Lies den Text auf Deutsch.

vedanta, yoga, yoga sutra

Baumsein

Veja a tradução em português abaixo.

Dieser Baum (Vrikshasana) ist seit vielen Jahren Teil meiner Geschichte.

Zuerst als Yoga-Praktizierende. Er erschien mir nie als Herausforderung, sondern als Begegnung. Ein Ort, an dem ich mich verankert und gehalten fühle. Nicht ohne Anstrengung, nicht ohne Unbehagen, nicht ohne ein sanftes Schwanken im Wind. Ich kehre immer wieder zu ihm zurück, in Momenten, in denen ich Erdung brauche. In Momenten, in denen ich das Weibliche bearbeiten möchte. In diesen Zeiten ruft er mich unter seine dichte Krone und trägt mich.

Er begleitet mich auch auf meinem Weg als Yogalehrerin. Es ist eine der Gleichgewichtshaltungen, die ich die Yoga-Praktizierenden am häufigsten anbiete. Und ich sehe, wie manche sie am Anfang nicht halten können, wie es ihnen schwerfällt, eine gute Beziehung zu ihr aufzubauen. Doch mit der Zeit, wenn sie sich auf ihre Weise mit ihr verbinden, trägt sie auch sie und schützt sie vor Regen und Sonne.

Heute denke ich an diesen meinen Lieblingsbaum, jenen, dem mein Körper Form gibt. Ich denke an diesen „Körper“, der lernen muss, mit seinen Verlusten im Herbst umzugehen, wenn die Blätter fallen. Der im Winter nackt ist und sich schutzlos fühlen kann. Der im Sommer und im Frühling üppig, vital und blühend ist. Der Baum durchläuft all diese Zyklen, so wie ich. Und anders als ich hinterfragt er nicht, ob er Blätter trägt oder nicht, ob er schutzlos ist oder voller Farbe.

Er ist … einfach.
Seine Aufgabe ist es nur zu sein.

In der Nähe von Weihnachten denke ich an den Baum im Christentum. Ich habe erfahren, dass der Weihnachtsbaum Leben, Hoffnung und Erneuerung symbolisiert. Diese Symbolik stammt aus heidnischen Traditionen der Wintersonnenwende, in denen immergrüne Kiefern den Sieg des Lebens über die Dunkelheit darstellten. Zu den Ornamenten gehören der Stern, die Lichter und die Geschenke. Wenn ich an die östliche Philosophie denke, verstehe ich die Lichter, die ihn schmücken, als Weisheit (sein, einfach sein…). Nicht so oder anders sein müssen. Nicht dagegen sein. Nicht morgen sein — einfach sein. Der Stern ist das, was was in Richtung Weisheit führt — die sowohl Ziel als auch Weg ist. Und die Geschenke … als das, was wir auf der Reise zur Selbsterkenntnis empfangen.

Yoga ist etwas Wunderschönes. Der Körper schenkt sich der Form. Und die Form offenbart ihre Weisheit, ihre Geheimnisse. Einmal sagte ein Tanzlehrer zu seinem Schüler: Täusche dich nicht, du tanzt nicht einfach — du trittst in eine tiefe Verbindung mit dir selbst ein … Und wir können ebenso denken: Täusche dich nicht, du machst nicht nur eine Yogahaltung … Sie ist lediglich die Eingangstür zu einer tiefen Reflexion über deinen Moment, über deine Beziehungen, über die Existenz.

Ich wünsche allen ein frohes Weihnachtsfest und ein wunderbares neues Jahr.

*

Ser árvore

Allgemein

Revelar-se: voz passiva


Flávia Mattar

Fayga Ostrower fala de sensualidade – da atração que a matéria desencadeia. A fala da artista me atrai, como um enigma. Logo me ocorre a ligação entre sensualidade e sensorial – os sentidos são tomados pelo objeto e se rendem ao poder exercido sobre eles. Em seguida, voo além da matéria. Um escrito sobre arte, sensualidade e espiritualidade.

Ouvindo a música no rádio da cozinha, foi tomada pela beleza. Ela a tocou, a pegou de surpresa, a tomou pela mão, a invadiu, a fez sorrir. Pensou: “chamaria eu isso de sensualidade?”

Primeiro, uma atração, um chamado – aquele objeto fala de algo que quer explorar, sentir, apropriar. Algo que ultrapassa a sua forma corriqueira de pensar, que faz clarão.

Trate-se do belo, do intolerável, do sublime, da perplexidade… Ela fica ali, colada naquilo, investigativa, como se algo a tivesse deslocado.

Deslocada, se põe a buscar um novo ninho nesse desconhecido. 

Seria isso da ordem de um apaixonamento?

O que essa sensualidade tem a ver com espiritualidade?

Como a partir de um envolvimento sensual, sensorial, estético é possível transcender o limitar dos sentidos e deparar-se com um…

Revela-se. Algo se revela. Algo sem nome, sem sentido, sem explicação.

A potência do envolvimento sensorial transborda, expande, amplia a fronteira. Algo emerge, liberado da autoria, da propriedade, da fixação em um sujeito limitado em seus conflitos, em seu carrossel de pensamentos.

Revelar-se: voz passiva. Revela-se, revela-se, revela-se.

Não seria esse transbordar, expandir, ampliar a fronteira e revelar-se Yoga?

Foto: Pexels – Mihman Duğanlı


Allgemein, vedanta, yoga, yoga sutra

Cara a cara com o desejo 2 / Face to face mit dem Wunsch / Face to face with desire

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

As partes I e II do texto você pode ler aqui.
Die Teile I und II des Textes kannst du hier lesen.
You can read the first part of the text here.

PORTUGUÊS

PARTE III:
Yoga: Cara a cara com o desejo

Quanto ao Yoga, qual é a sua relação com o desejo? Lembro de meu professor dizer várias vezes que aquilo que a gente reprime ganha mais força. Muitas pessoas que se lançam no caminho espiritual acreditam que precisam se reprimir para se enquadrar em um perfil de renunciante, monge ou algo do tipo. Mas o Yoga em nenhum momento pede isso de nós.

O processo do yoga nos ajuda, NATURALMENTE, a nos desapegarmos da escravidão ao desejo. Nós vamos nos sentindo menos subjugados a ele. Vamos criando uma brecha em que podemos olhar o lado A e o lado B das situações, vamos lidando com o desejo de forma mais consciente e menos aflita. Nós tomamos as rédeas do desejo. Não para segurar as rédeas com firmeza e forçar os cavalos a fazer o que queremos… Não… Os cavalos (os pensamentos) se acalmam no PROCESSO do trabalho com o Yoga. O processo purifica o corpo, os canais de energia e a mente. E essa purificação nos ajuda a não termos tanta necessidade de correr atrás de objetos para nos sentirmos menos vazios.

O Yoga pode nos ajudar a aquietar a mente e cria clareiras mentais para que o insight possa vir à tona. O insight não é um pensamento preso aos hábitos, mas algo inovador. Os insights nos possibilitam reorganizar a vida de forma mais criativa e menos condicionada. O yoga nos ajuda entrar em um estado mais criativo, menos automatizado e com isso nos empoderamos como seres que têm condições de ganhar consciência de sua plenitude.

PARTE IV:
O poder da presença

Conversando com uma amiga que é terapeuta somática, ela disse algo interessante, que tem a ver com filosofias orientais. Ela citou o Budismo. Quando você está numa sessão de terapia somática, você não busca uma lógica no que você está dizendo, você está sendo convidado a se liberar da necessidade de entender e de fazer sentido. Você deixa as sensações corporais e as imagens virem à tona. O que está submerso, reprimido em você se mostra. E você fica em um estado de profunda presença. Em estado de presença não há falta. Na presença, você está integro, pleno. Você não se vê como um ser faltante. E é o ser faltante que se coloca a correr de forma desenfreada e inconsciente atrás do desejo.

Para finalizar o texto. As filosofias orientais acima citadas não estão aqui para reprimir nada, não estão aqui para reprimir desejos. Apesar de nós podermos fazer uso dessas filosofias para nos reprimir. Se há repressão, há um equivoco por parte do instrutor(a) ou por parte de quem pratica a filosofia. A repressão não é a resposta, não é a saída.

Essas filosofias nos ajudama experimentar uma outra perspectiva, a observar os desejos com mais consciência, com menos apego e menos submissão a eles, a ter um espaço entre o desejar e o executar o desejo. Um espaço para observar, para refletir se eu quero pagar o preço do lado B desse desejo específico. Se esse desejo me traz paz ou mais inquietação. Eu crio espaço interno para me perguntar se eu quero viver isso ou aquilo ou não viver.

Há a abertura de uma clareira interna, para se conectar com a fonte do amor e da satisfação em nós. E em contato com essa fonte, o desejo por objetos se torna algo menor. Se eu me conecto com a minha natureza plena, o desejo por objetos perde a sua magia, porque eu olho a vida de um lugar de fartura e plenitude e não de um lugar de miséria, falta e necessidade. A gente pode então se aproximar da vida, viver a vida com menos ânsia de se preencher e com mais disponibilidade de compartilhar, de doar a fonte inesgotável que há em nós.

*

DEUTSCH

TEIL III
Yoga: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Welche Beziehung hat Yoga zum Wunsch? Ich erinnere mich, dass mein Lehrer mehrmals sagte, dass das, was wir unterdrücken, an Kraft gewinnt. Viele Menschen, die sich auf einen spirituellen Weg begeben, glauben, dass sie sich selbst unterdrücken müssen, um in das Profil eines Entsagenden, Mönchs oder Ähnlichem zu passen. Aber das verlangt Yoga zu keinem Zeitpunkt von uns.

Der Yogaprozess hilft uns NATÜRLICH, unsere Sklaverei gegenüber dem Wunsch loszulassen. Wir fühlen uns dem Wunsch weniger unterworfen. Wir schaffen eine Lücke, in der wir die A- und B-Seiten von Situationen betrachten können, wir gehen bewusster und weniger verzweifelt mit dem Verlangen um. Wir nehmen die Zügel des Verlangens in die Hand. Nicht um die Zügel fest zu halten und die Pferde zu zwingen, das zu tun, was wir wollen. Nein… Die Pferde (die Gedanken) beruhigen sich durch den PROZESS des Yoga.

Der Prozess des Yoga reinigt den Körper, die Energiekanäle und den Geist. Und diese Reinigung hilft uns, dass wir nicht mehr so sehr nach Objekten jagen müssen, um uns weniger leer zu fühlen.

Yoga hilft uns, die geistige Unruhe zu beruhigen und schafft Klarheit im Geist, so dass Einsicht auftauchen kann. Einsicht ist kein in Gewohnheiten festgefahrener Gedanke, sondern etwas neues. Einsichten helfen uns, unser Leben auf kreativere und weniger konditionierte Weise zu gestalten. Yoga hilft uns, in einen kreativeren, weniger automatisierten Zustand einzutreten, und damit ermächtigen wir uns als Wesen, die sich ihrer Fülle bewusst werden.

TEIL IV
Die Kraft der Präsenz

Im Gespräch mit einer Freundin, die Somatische Therapeutin ist, sagte sie etwas Interessantes, das mit östlichen Philosophien zu tun hat. Sie erwähnte den Buddhismus. In einer somatischen Therapiesitzung sucht man nicht nach der Logik in dem, was man sagt, sondern man wird eingeladen, das Bedürfnis nach Verständnis und Sinn loszulassen. Man lässt die Körperempfindungen und Bilder an die Oberfläche kommen. Was in uns untergetaucht und verdrängt ist, zeigt sich. Und du befindest dich in einem Zustand tiefer Präsenz. In einem Zustand der Präsenz gibt es keinen Mangel. In der Präsenz bist du ganz, voll. Du siehst dich nicht als ein fehlendes Wesen. Und es ist das fehlende Wesen, das wild und unbewusst dem Verlangen hinterherläuft.

Um den Text abzuschließen… Die oben erwähnten östlichen Philosophien sind nicht dazu da Wunsch zu unterdrücken. Obwohl wir diese Philosophien nutzen können, um uns selbst zu unterdrücken. Wenn es zu einer Unterdrückung kommt, liegt ein Fehler auf Seiten des Lehrers oder der Person vor, die die Philosophie praktiziert. Verdrängung ist nicht die Antwort, sie ist nicht der Ausweg.

Die östlichen Philosophien helfen uns dabei, eine andere Perspektive zu erfahren. Die Wünsche mit mehr Bewusstsein zu beobachten, mit weniger Anhaftung und weniger Unterwerfung ihnen gegenüber. Einen Raum zu haben zwischen dem Wunsch und der Ausführung des Wunsches. Einen Raum zum Beobachten, zum Nachdenken darüber, ob ich den Preis für die B-Seite dieses speziellen Wunsches zahlen will. Ob dieser Wunsch mir Frieden oder mehr Unruhe bringt. Ich schaffe mir einen inneren Raum, um mich zu fragen, ob ich dies oder jenes leben will oder gar nicht.

Es öffnet sich eine innere Lichtung, um sich mit der Quelle der Liebe und der Erfüllung in uns zu verbinden. Und im Kontakt mit dieser Quelle wird der Wunsch nach Objekten etwas nicht so attraktiv. Wenn ich mich mit meiner vollen Natur verbinde, verliert das Verlangen nach Objekten seinen Zauber, weil ich das Leben von einem Ort der Fülle und Erfüllung aus betrachte und nicht von einem Ort des Elends, des Mangels und der Not. Wir können dann an das Leben herangehen mit weniger Wunsch um sich selbst zu befüllen und deshalb haben wir mehr Bereitschaft zum Teilen, zum Geben aus der unerschöpflichen Quelle in uns.

*

ENGLISH

PART III
Yoga: Face to face with desire

What is yoga’s relationship to desire? I remember my teacher saying several times that what we repress becomes stronger. Many people who embark on a spiritual path believe that they need to repress themselves in order to fit into the profile of a renunciate, monk or something like that. But at no point does yoga ask this of us.

The yoga process NATURALLY helps us to let go of our slavery to desire. We feel less subjugated to it. We create a gap in which we can look at the A and B sides of situations, we deal with desire in a more conscious and less distressed way. We take the reins of desire. Not to hold the reins tightly and force the horses to do what we want… No… The horses (the thoughts) calm down in the PROCESS of working with Yoga.

The process purifies the body, the energy channels and the mind. And this purification helps us not to need to chase objects so much in order to feel less empty.

Yoga can help us quieten the mind and create mental clearings so that insight can surface. Insight is not a thought stuck in habits, but something innovative. Insights help us reorganize our lives in a more creative and less conditioned way.

Yoga helps us to enter a more creative, less automated state and with this we empower ourselves as beings who are able to gain awareness of their fullness.

PART IV
The power of presence

Talking to a friend who is a somatic therapist, she said something interesting, which has to do with Eastern philosophies. She mentioned Buddhism. When you’re in a somatic therapy session, you’re not looking for logic in what you’re saying, you’re being invited to let go of the need to understand and make sense. You let the bodily sensations and images come to the surface. What is submerged, repressed in you shows itself. And you are in a state of deep presence. In a state of presence, there is no lack. In presence, you are whole, full. You don’t see yourself as a lacking being. And it’s the lacking being who runs wildly and unconsciously after desire.

To conclude the text… The Eastern philosophies mentioned above are not here to repress anything, they are not here to repress desires. Although we can use these philosophies to repress ourselves. If there is repression, there is a mistake on the part of the instructor or the person practicing the philosophy. Repression is not the answer, it is not the way out.

Eastern philosophies help us to experience another perspective. To observe desires with more awareness, with less attachment and less submission to them. To have a space between desiring and fulfilling the desire. A space to observe, to reflect on whether I want to pay the price for the B-side of that particular desire. Whether this desire brings me peace or more restlessness. I create internal space to ask myself if I want to live this or that or not at all.

There is the opening of an inner clearing, to connect with the source of love and satisfaction in us. And in contact with this source, the desire for objects becomes something less. If I connect with my full nature, the desire for objects loses its magic, because I’m looking at life from a place of abundance and fullness and not from a place of misery, lack and need. We can then get closer to life, with less desire to fill ourselves up and more willingness to share, to give from the inexhaustible source within us.

Allgemein, vedanta, yoga, yoga sutra

Sobre a felicidade / Über das Glück / About happiness

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

PORTUGUÊS

Vivemos a vida buscando a felicidade. Se pararmos para observar, todas as nossas ações, equivocadas ou não, têm um objetivo maior: ser feliz. E o que é a felicidade? O que é isso que tanto buscamos?

Talvez a felicidade seja algo tão grande, tão imensurável, que vem daí a dificuldade de explicar o seu significado. Com as limitações de nossa mente, podemos tocar apenas partes dela. Associá-la a um pouco de satisfação aqui, bem-estar e tranquilidade ali, um sono tranquilo acolá… Se pensamos nessas sensações e sentimentos agora citadas, tornamos essa coisa chamada felicidade um pouco mais traduzível e palpável.

A ideia desse texto surgiu porque observei em mim a sensação de satisfação e me coloquei a procurar o motivo, a causa. De onde está vindo essa sensação enquanto eu me descabelo fazendo faxina na casa? Parece que a gente sempre precisa de um motivo, de um objeto. Eu estou feliz porque… Eu estou triste porque…

Quando a gente se aprofunda no auto estudo, talvez a gente perceba que as coisas não funcionam bem assim. Passe a observar a sua mente. Ela revela coisas inusitadas, estranhas, engraçadas. Observe a mente como se você estivesse sentado na poltrona do cinema e ela fosse a tela onde você assiste o filme. Observa com curiosidade.

Talvez não seja um objeto, uma situação ou uma pessoa que determina o tipo de sentimento que vamos ter. Aqui no caso, estamos falando da sensação de satisfação. Mas o contrário. A mente está vibrando com uma qualidade ou energia ao se deparar com uma situação e ela vê essa situação de acordo com essa qualidade ou energia.

Onde eu quero chegar: é a qualidade da mente (se você está abert@, bem-humorad@, melancólico, nervos@) que determina como você vai ver o mundo. 

Por exemplo: se você não encontra uma vaga para o seu carro, você pode reagir de diferentes formas. Sentir aceitação, raiva, revolta, buscar uma solução, se ver sem saída… As reações podem ser variadas. O que vai determinar a sua reação não é a situação em si, mas a qualidade de sua mente naquele exato momento.

Voltando à felicidade… Naquele momento da limpeza do apartamento, por algum motivo, a minha mente estava vibrando com uma qualidade ou energia associada à satisfação, clareza, bem-estar. Essa qualidade é a que buscamos alcançar cada vez que nos dedicamos as práticas de yoga. Ela é chamada de sattva.

O envolvimento continuado com o auto estudo, com a reflexão tendo como base textos como o Yoga Sutra, por exemplo, nos ajuda a aprender a trazer cada vez mais a mente para essa qualidade. Nós vamos aprendendo a fazer isso não de forma inconsciente, algo por acaso, mas de forma consciente e direcionada.  E com o aprofundamento da prática, essa satisfação temporária, passageira, vai se tornando mais constante e duradoura.

*

DEUTSCH

ÜBER DAS GLÜCK

Wir leben unser Leben auf der Suche nach Glück. Wenn wir innehalten und beobachten, haben alle unsere Handlungen, ob sie nun falsch sind oder nicht, ein großes Ziel: glücklich zu sein. Aber was ist Glück? Was ist es, das wir so sehr suchen? Das ist sehr schwer zu erklären.

Vielleicht ist das Glück etwas so Großes, so Unermessliches, dass es schwierig ist, seine Bedeutung zu erklären. Mit der Begrenztheit unseres Verstandes können wir nur Teile davon erfassen. Wir assoziieren es mit ein wenig Zufriedenheit , Wohlbefinden und Ruhe, einem friedlichen Schlaf… Wenn wir über diese Empfindungen und Gefühle nachdenken, machen wir das, was wir Glück nennen, ein wenig übersetzbarer, greifbarer.

Die Idee zu diesem Text entstand, weil ich ein Gefühl der Zufriedenheit bei mir selbst bemerkte und mich auf die Suche nach dem Grund, der Ursache machte. Woher kommt dieses Gefühl, während ich das Haus putze? Es muss einen Grund geben. Wir scheinen immer einen Grund zu brauchen, ein Objekt. Ich bin glücklich, weil… ich bin traurig, weil…

Wenn wir tiefer in die Philosophie des Yoga eintauchen, werden wir vielleicht feststellen, dass die Dinge nicht so funktionieren. Beginnen wir, unseren Geist zu beobachten. Er offenbart ungewöhnliche, seltsame, lustige Dinge. Beobachten wir unseren Geist, als ob wir in einem Kinosessel säßen und er die Leinwand wäre, auf der wir den Film sehen.

Vielleicht ist es nicht ein Objekt, eine Situation oder eine Person, die die Art des Gefühls bestimmt, das wir bekommen. Das Gegenteil ist der Fall. Der Geist schwingt mit einer Qualität oder Energie, wenn er auf eine Situation trifft, und er sieht diese Situation entsprechend dieser Qualität oder Energie. Was ich damit sagen will: Es ist die Qualität des Geistes (ob man offen, gut gelaunt, melancholisch oder nervös ist), die bestimmt, wie man die Welt sieht.

Ein Beispiel: Wenn wir keinen Parkplatz für das Auto finden, können wir auf unterschiedliche Weise reagieren. Man kann Akzeptanz empfinden, sich ärgern, sich auflehnen, nach einer Lösung suchen, sich ausweglos fühlen… Die Reaktionen können vielfältig sein. Was unsere Reaktion bestimmen wird, ist nicht die Situation selbst, sondern die Qualität unseres Geistes in diesem Moment. Und an verschiedenen Tagen werden die Reaktionen unterschiedlich ausfallen.

Zurück zum Glück… In dem Moment, als ich die Wohnung aufräumte, vibrierte mein Geist aus irgendeinem Grund mit einer Qualität oder Energie, die mit Zufriedenheit, Klarheit und Wohlbefinden verbunden ist. Diese Qualität ist das, was wir jedes Mal zu erreichen versuchen, wenn wir uns der Yogapraxis widmen. Sie wird sattva genannt.

Die kontinuierliche Beschäftigung mit der Yogaphilosophie, mit der Reflexion über Texte wie das Yoga Sutra, hilft uns, unseren Geist mehr und mehr auf diese Qualität auszurichten. Wir lernen, dies nicht unbewusst und zufällig zu tun, sondern bewusst und gezielt.  Und mit zunehmender Praxis wird diese vorübergehende, flüchtige Zufriedenheit immer beständiger und dauerhafter.

*
ENGLISH

ABOUT HAPPINESS

We live our lives seeking happiness. If we observe, all our actions, whether mistaken or not, have one major goal: to be happy. And what is happiness? What is it that we seek so much?

Perhaps happiness is something so great, so immeasurable, that it’s difficult to explain its meaning. With the limitations of our minds, we can only touch parts of it. We associate it with a little satisfaction here, well-being and tranquillity there, a peaceful sleep… If we think about these sensations and feelings, we make this thing called happiness a little more translatable, tangible.

The idea for this text came about because I noticed a feeling of satisfaction in myself and set out to find the reason, the cause. Where is this feeling coming from while I’m cleaning the house? There must be a reason. We always seem to need a reason, an object. I’m happy because… I’m sad because…

When you delve deeper into the philosophy of yoga, you may realize that things don’t work quite like that. Start observing your mind. It reveals unusual, strange, funny things. Observe your mind as if you were sitting in a movie seat and it were the screen on which you were watching the film.

Perhaps it’s not an object, a situation or a person that determines the kind of feeling we’re going to have. In this case, we’re talking about the feeling of satisfaction. But the opposite. The mind is vibrating with a quality or energy when it encounters a situation and it sees that situation according to that quality or energy. What I’m getting at: it’s the quality of the mind (whether you’re open, humorous, melancholic, nervous) that determines how you see the world.

For example: if you can’t find a parking space for your car, you can react in different ways. You can feel acceptance, anger, revolt, search for a solution, find yourself with no way out… The reactions can be varied. What will determine your reaction is not the situation itself, but the quality of your mind at that very moment. And on different days, the reactions will be different.

Back to happiness… At that moment of cleaning the apartment, for some reason, my mind was vibrating with a quality or energy associated with satisfaction, clarity and well-being. This quality is what we seek to achieve every time we dedicate ourselves to yoga practices. It is called sattva.

Continued involvement with yoga philosophy, with reflection based on texts such as the Yoga Sutra, helps us learn to bring our minds more and more to this quality. We learn to do this not unconsciously, by chance, but consciously and with direction.  And as the practice deepens, this temporary, fleeting satisfaction becomes more constant and lasting.

Allgemein

DAS NEUE JAHR

(Versão em português abaixo) 

Zum Jahreswechsel 2022-2023 verspürte ich nicht den Drang, eine Bilanz des zu Ende gehenden Jahres zu ziehen und über die Aussichten für das neue Jahr nachzudenken. Aber selbst wenn dies nicht bewusst geschah, geschah es unbewusst. Mein Verstand verarbeitete irgendwie die Ereignisse des Jahres 2022 und fragte sich: Was nun? Was wird im Jahr 2023 kommen?

Vor dem Ende des Jahres 2022 habe ich mich selbst gefragt: „Wenn ich wüsste, dass ich morgen sterben würde, was würde mir den größten Schmerz bereiten, den ich zurücklassen müsste?“

Die Frage hat mich überrascht und mich zum Nachdenken gebracht, dass das, was ich am schmerzhaftesten hinter mir lassen muss, meine Bindungen an Menschen oder Dinge sind. Es ist das, was ich fürchte, zu verlieren, nicht zurückzugewinnen, nicht zu erobern. Es ist das, was meine Freiheit, ungebunden durch die Welt zu gehen, überschattet. Es ist das, was mich abhängig von etwas macht.

Und was nun? Was wird der Wind im Jahr 2023 bringen? Als mir diese Frage in den Sinn kam, sah ich mich anders als in den vergangenen Jahren. Ich habe mich nicht wiedererkannt. Ich habe immer dazu tendiert, zu projektieren, zu planen, aber ich habe einfach noch keine konkreten Pläne für 2023.  Werde ich im Jahr 2023 auf dem Trockenen sitzen?

Während ich diesen Text schreibe, denke ich, dass… Wenn ich mir im Jahr 2023 einen einzigen Plan, einen einzigen Wunsch erfüllen könnte, wäre es der folgende:

„Möge ich wie ein Boot sein, das mit dem Geschmack des Lebens fließt. Möge das Leben mich dorthin führen, wohin es mich führen soll. Und möge ich den Mut haben, mich nicht zu widersetzen. Möge ich den Mut haben, mich selbst aufzugeben.“

Das war’s.

*

O NOVO ANO

Na virada do ano 2022-2023, eu não senti o impulso de fazer um balanço sobre o ano que estava prestes a terminar e de pensar nas perspectivas para o ano novo. Mas mesmo que isso não tenha ocorrido conscientemente, ocorreu de forma inconsciente. A minha mente estava de alguma forma processando os acontecimentos de 2022 e se perguntando: E agora? E 2023? O que os ventos vão trazer?

Antes do final de 2022, eu me vi me perguntando: „se eu soubesse que iria morrer amanhã, o que me causaria mais dor de deixar para trás?“ A pergunta me surpreendeu e me fez pensar que o que eu tenho mais dor de deixar para trás são os meus apegos. É aquilo que eu temo perder, não recuperar, não conquistar… É aquilo que ofusca a minha liberdade de fluir sem amarras pelo mundo.

E agora? O que os ventos vão trazer, hein? Quando essa pergunta surgiu em minha mente, assim, como quem não quer nada, entre uma atividade e outra, eu me vi diferente de anos anteriores… Eu não me reconheci. Eu simplesmente não tenho planos concretos para 2023. Eu sempre tive a tendência de projetar, arquitetar, planejar… Será que eu vou ficar à deriva em 2023?

Agora, quando escrevo esse texto, penso que… na verdade, se eu pudesse realizar um plano, um único desejo em 2023, ele seria o seguinte:

„Que eu possa ser como um barco, que flui ao sabor da vida. Que a vida me leve, para onde ela deve me levar. E que eu tenha a coragem de não resistir. Que eu tenha a coragem de me entregar.“

É isso.