vedanta, yoga, yoga sutra

Ser árvore

Siehe die deutsche Übersetzung unten.

A árvore (Vrikshasana) já faz parte, há muitos anos, da minha história.

Primeiro como aluna. Ela nunca me pareceu um desafio, mas um encontro. Um lugar onde me sinto ancorada e acolhida. Não sem algum esforço, sem algum desconforto, sem um balançar suave ao vento. Volto sempre a ela em momentos em que preciso de ancoramento. Em momentos em que preciso trabalhar o feminino. Nessas horas, ela me chama para debaixo de sua copa frondosa e me ampara.

Ela me acompanha também em minha trajetória como instrutora de yoga. É uma das posturas de equilíbrio que mais ofereço aos alunos. E vejo como alguns, no início, não conseguem sustentá-la, relacionar-se bem com ela. Mas, com o passar do tempo, quando se conectam com ela da forma que é possível para eles, ela também os ampara e os protege da chuva e do sol.

Penso hoje nessa minha árvore favorita, aquela à qual o meu corpo dá forma. Penso nesse “corpo” que tem que aprender a lidar com suas perdas no outono, quando as folhas caem. Que fica desnudo e pode se sentir desamparado no inverno. Que está frondoso, vital e florido no verão e na primavera. A árvore passa por todos esses ciclos, assim como eu. E, diferente de mim, não questiona se está com folhas ou sem, desamparada ou carregada de cor.

Ela é… apenas… Cabe a ela somente ser.

Perto do Natal, penso na árvore ligada ao cristianismo. Soube que a árvore de Natal simboliza a vida, a esperança e a renovação. O simbolismo vem de tradições pagãs do solstício de inverno, em que pinheiros sempre-verdes representavam a vitória da vida sobre a escuridão. Entre os ornamentos estão a estrela, as luzes e os presentes. Entendo as luzes que a adornam, quando penso na filosofia oriental, como a sabedoria (como ser, apenas ser?). Não ser para, não ter que ser de um jeito ou de outro, não ser contra, não ser amanhã — apenas ser. A estrela é aquilo que guia o caminho, guia na direção da sabedoria — que é um fim, mas também um meio. E os presentes… como aquilo que recebemos na jornada em direção ao conhecimento de si.

O yoga é essa coisa linda. O corpo se doa à forma. E a forma revela a sua sabedoria, os seus segredos. Uma vez, um professor de dança disse para o aluno: não se engane, você não está simplesmente dançando, você está entrando em profunda conexão com você… E podemos pensar: não se engane, você não está apenas fazendo uma postura de yoga… Ela é apenas a porta de entrada para uma profunda reflexão sobre o seu momento, sobre as suas relações, sobre a existência.

Desejo um feliz Natal a todos e um ótimo Ano Novo.

*

Baumsein – Lies den Text auf Deutsch.

vedanta, yoga, yoga sutra

Baumsein

Veja a tradução em português abaixo.

Dieser Baum (Vrikshasana) ist seit vielen Jahren Teil meiner Geschichte.

Zuerst als Yoga-Praktizierende. Er erschien mir nie als Herausforderung, sondern als Begegnung. Ein Ort, an dem ich mich verankert und gehalten fühle. Nicht ohne Anstrengung, nicht ohne Unbehagen, nicht ohne ein sanftes Schwanken im Wind. Ich kehre immer wieder zu ihm zurück, in Momenten, in denen ich Erdung brauche. In Momenten, in denen ich das Weibliche bearbeiten möchte. In diesen Zeiten ruft er mich unter seine dichte Krone und trägt mich.

Er begleitet mich auch auf meinem Weg als Yogalehrerin. Es ist eine der Gleichgewichtshaltungen, die ich die Yoga-Praktizierenden am häufigsten anbiete. Und ich sehe, wie manche sie am Anfang nicht halten können, wie es ihnen schwerfällt, eine gute Beziehung zu ihr aufzubauen. Doch mit der Zeit, wenn sie sich auf ihre Weise mit ihr verbinden, trägt sie auch sie und schützt sie vor Regen und Sonne.

Heute denke ich an diesen meinen Lieblingsbaum, jenen, dem mein Körper Form gibt. Ich denke an diesen „Körper“, der lernen muss, mit seinen Verlusten im Herbst umzugehen, wenn die Blätter fallen. Der im Winter nackt ist und sich schutzlos fühlen kann. Der im Sommer und im Frühling üppig, vital und blühend ist. Der Baum durchläuft all diese Zyklen, so wie ich. Und anders als ich hinterfragt er nicht, ob er Blätter trägt oder nicht, ob er schutzlos ist oder voller Farbe.

Er ist … einfach.
Seine Aufgabe ist es nur zu sein.

In der Nähe von Weihnachten denke ich an den Baum im Christentum. Ich habe erfahren, dass der Weihnachtsbaum Leben, Hoffnung und Erneuerung symbolisiert. Diese Symbolik stammt aus heidnischen Traditionen der Wintersonnenwende, in denen immergrüne Kiefern den Sieg des Lebens über die Dunkelheit darstellten. Zu den Ornamenten gehören der Stern, die Lichter und die Geschenke. Wenn ich an die östliche Philosophie denke, verstehe ich die Lichter, die ihn schmücken, als Weisheit (sein, einfach sein…). Nicht so oder anders sein müssen. Nicht dagegen sein. Nicht morgen sein — einfach sein. Der Stern ist das, was was in Richtung Weisheit führt — die sowohl Ziel als auch Weg ist. Und die Geschenke … als das, was wir auf der Reise zur Selbsterkenntnis empfangen.

Yoga ist etwas Wunderschönes. Der Körper schenkt sich der Form. Und die Form offenbart ihre Weisheit, ihre Geheimnisse. Einmal sagte ein Tanzlehrer zu seinem Schüler: Täusche dich nicht, du tanzt nicht einfach — du trittst in eine tiefe Verbindung mit dir selbst ein … Und wir können ebenso denken: Täusche dich nicht, du machst nicht nur eine Yogahaltung … Sie ist lediglich die Eingangstür zu einer tiefen Reflexion über deinen Moment, über deine Beziehungen, über die Existenz.

Ich wünsche allen ein frohes Weihnachtsfest und ein wunderbares neues Jahr.

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Ser árvore

Allgemein

Cara a cara com o desejo 1 / Face to face mit dem Wunsch / Face to face with desire

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

PORTUGUÊS

PARTE I
Psicanálise: cara a cara com o desejo

Eu me interesso muito pela Psicanálise. Fiz análise por 10 anos. E me interesso muito pelas escolas de pensamento chamadas Yoga e Vedanta. O Yoga como filosofia tem como foco a mente – como a nossa mente funciona, como entra em desequilíbrio, oferece ferramentas para harmonizar a inquietude mental. E o Vedanta fala sobre quem somos. É a ciência do auto-conhecimento. Mas afinal o que isso tudo tem a ver com desejo?

Esses dias, escutando a fala de uma psicanalista brasileira que faz sucesso nas redes sociais, me vi diante de um paradoxo. O processo analítico nos ajuda a entrar em contato com os nossos desejos, aspirações e, porque também não dizer, com as nossas repressões. Nós podemos nos propor, no processo de análise, a tomar consciência daquilo que estamos reprimindo em nós para deixar o nosso desejo aflorar e podermos então reconhecê-lo.

Um psicanalista italiano chamado Contardo Calligaris, que viveu e morreu no Brasil, disse algo interessante. Parafraseando: é claro que não é todo o desejo que vamos realizar, até porque às vezes ou muitas vezes, há desejos que podem nos causar problemas. Mas nós reprimimos mais do que precisamos reprimir.

A minha relação com o desejo mudou completamente ao longo dos anos. Eu recebi alta da análise depois de cerca de 10 anos. E não muito tempo depois de me orgulhar por ter recebido alta psicanalítica, eu me senti completamente perdida e sem saída. Eu realizei desejos muito importantes para mim, mas eu não estava satisfeita. E agora? Eu me vi, de repente, no fim da linha.

Nessa época, eu me senti completamente vazia e sem perspectiva. Foi um período difícil na minha vida. Eu não sabia para onde ir, como continuar a caminhar. Se correr atrás de objetos não podia preencher o meu vazio interior, então, qual era a saída? O que afinal de contas significava viver?, eu me perguntei.

PARTE II
Vedanta: Cara a cara com o desejo

E foi assim que eu comecei a me aprofundar no Yoga e no Vedanta.

No Vedanta eu escutava o professor falar desse vazio existencial. Ele explicava que a gente corre atrás dos desejos porque temos a sensação de que algo sempre nos falta. Porque nós não nos sentimos satisfeitos. E a gente acha que objetos e pessoas e situações — um casamento, um filho, um emprego, comprar uma casa e mais uma lista infinita de demandas — vão nos preencher.

Mas assim que a gente alcança o tal objeto dos sonhos, a gente precisa de mais, de mais alguma coisa. E a gente pensa… Ainda não é isso, mas se eu conquistar aquilo… Ah, aí sim, a vida vai ficar completa. O desejo é uma boca voraz, que precisa sempre de um novo alimento para sobreviver. É um ciclo sem fim, ele dizia. Isso fez muito sentido para mim, ainda mais naquele momento de minha vida.

Interessante que o Vedanta lista qualificações necessárias para aqueles que querem se aprofundar no estudo. Entre elas: o desejo. Paradoxal? Vedanta fala do desejo pelo conhecimento, o desejo por se autoconhecer, se autodescobrir, se autorrealizar, por se ver pleno. E por que o desejo é tão importante? Sem desejo não podemos nos movimentar. É o desejo que de fato nos move.

Mas ao mesmo tempo… o desejo é apontado na filosofia oriental como o grande causador do nosso sofrimento psíquico. Eu desejo porque eu sou desconhecedor de minha condição plena. Eu sou como um rei que se vê como um mendigo, que precisa ficar buscando migalhas para se sentir feliz. Como a gente pode entender esse paradoxo?

O sábio indiano Ramana Maharshi nos ajuda com uma imagem… A gente usa um pedaço de madeira com fogo para acender e atiçar a fogueira… Quando a fogueira está com sua força total, nós entregamos o pedaço de madeira (o desejo) também ao fogo e deixamos ele queimar. Ou seja, nós usamos o desejo a nosso favor no processo, mas podemos nos desapegar do desejo no momento adequado.

Mas então, em poucas palavras e de forma bem simplificada, se o foco em realizar desejos não é capaz de saciar o meu vazio e me prende à roda do sofrimento… Se desejar me faz ficar em contato constante com a sensação de falta ou vazio, o que afinal pode preencher o meu vazio?

E a resposta é – o Eu com E maiúsculo é a saída para esse corre-corre desenfreado atrás dos objetos. As escrituras nos propõem uma mudança de perspectiva. Não se ver como o ser faltante, aquele que envelhece, adoece, empobrece, sofre de amor etc. Mas se ver como aquele que observa todas essas mazelas e faltas e dores. Se ver como a Testemunha das faltas. Essa Testemunha é pura presença e já é plena.

O Vedanta nos conduz em direção à aproximação desse ser livre, pleno e realizado que já somos e nos alerta: se você não se vê assim, o Vedanta pode lhe ajudar a tirar a venda dos olhos.  Procure dentro de você o que você atualmente procura fora de você.

Em breve serão disponibilizadas as partes III e IV do texto.

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DEUTSCH

TEIL I
Psychoanalyse: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Ich interessiere mich sehr für die Psychoanalyse und auch für die Denkschulen Yoga und Vedanta. Yoga als Philosophie konzentriert sich auf den Geist – wie unser Geist funktioniert, wie er aus dem Gleichgewicht gerät. Yoga bietet Werkzeuge, um geistige Unruhe zu harmonisieren. Und Vedanta spricht darüber, wer wir sind. Es ist die Wissenschaft der Selbsterkenntnis. Aber was hat das alles mit Wunsch oder Verlangen zu tun?

Als ich vor ein paar Tagen einer brasilianischen Psychoanalytikerin zuhörte, der in den sozialen Medien sehr beliebt ist, sah ich mich mit einem Paradoxon konfrontiert. Der analytische Prozess hilft uns, mit unseren Wünschen, Sehnsüchten und, warum sollte man es nicht sagen, unseren Unterdrückungen in Kontakt zu kommen. Im Prozess der Analyse können wir uns bewusst machen, was wir in uns selbst verdrängen, um unser Verlangen zum Vorschein kommen zu lassen und es dann zu erkennen.

Ein italienischer Psychoanalytiker namens Contardo Calligaris, der in Brasilien lebte und starb, sagte etwas Interessantes. Um es zu paraphrasieren: Natürlich werden wir uns nicht jeden Wunsch erfüllen, denn manchmal oder oft gibt es Wünsche, die uns Probleme bereiten können. Aber wir unterdrücken mehr, als wir müssten.

Mein Verhältnis zu dem Wunsch hat sich im Laufe der Jahre völlig verändert. Ich wurde nach etwa 10 Jahren aus der Analyse entlassen. Und nicht lange nachdem ich stolz war, aus der Psychoanalyse entlassen worden zu sein, fühlte ich mich völlig unglücklich. Ich hatte mir Wünsche erfüllt, die für mich sehr wichtig waren, aber ich war nicht zufrieden. Und jetzt? Was soll ich machen?

Ich fühlte mich völlig leer und ohne Perspektive. Es war eine schwierige Zeit in meinem Leben. Ich wusste nicht, wohin ich gehen oder wie ich weitermachen sollte. Wenn die Jagd nach Objekten meine innere Leere nicht ausfüllen konnte, was war dann der Ausweg? Was bedeutete es, überhaupt zu leben, fragte ich mich.

TEIL II
Vedanta: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Und so begann ich, mich mit Yoga und Vedanta zu beschäftigen. Im Vedanta hörte ich den Lehrer über diese existenzielle Leere sprechen. Er erklärte, dass wir den Wünschen hinterherlaufen, weil wir das Gefühl haben, dass uns immer etwas fehlt. Weil wir uns nicht zufrieden fühlen. Und wir denken, dass Objekte und Menschen und Situationen – eine Hochzeit, ein Kind, ein Job, ein Hauskauf und eine endlose Liste anderer Wünsche – uns erfüllen werden.

Aber sobald wir dieses Traumobjekt erreicht haben, brauchen wir mehr, etwas mehr. Und wir denken… das ist es noch nicht, was ich wirklich will, aber wenn ich was anders erreiche… dann ist das Leben vollständig. Das Verlangen ist ein gefräßiges Mund, das immer neue Nahrung braucht, um zu überleben. Es ist ein nie endender Kreislauf. Das machte für mich sehr viel Sinn, besonders in diesem Moment in meinem Leben.

Es ist interessant, dass Vedanta die notwendigen Qualifikationen für diejenigen auflistet, die tiefer in das Selbststudium eintauchen wollen. Darunter: das Verlangen… Ist das ein Paradoxon? Vedanta spricht über den Wunsch nach Wissen, den Wunsch, sich selbst zu kennen, sich selbst zu entdecken, sich selbst zu verwirklichen, sich selbst vollständig zu sehen. Und warum ist das Verlangen so wichtig? Ohne Verlangen können wir uns nicht bewegen. Es ist das Verlangen, das uns wirklich antreibt.

Aber gleichzeitig… wird das Verlangen in der östlichen Philosophie als die große Ursache unseres psychischen Leidens anerkannt. Ich wünsche, weil ich mir meines vollen Zustands nicht bewusst bin. Ich bin wie ein König, der sich selbst als Bettler sieht, der nach Brosamen suchen muss, um sich glücklich zu fühlen. Wie können wir dieses Paradoxon verstehen?

Der indische Weise Ramana Maharshi hilft uns mit einem Bild… Wir benutzen ein Stück Holz mit Feuer, um das Lagerfeuer zu entzünden und zu fächeln… Wenn das Feuer seine volle Stärke erreicht hat, übergeben wir das Holzstück (das Verlangen) dem Feuer und lassen es brennen. Mit anderen Worten: Wir nutzen das Verlangen zu unseren Gunsten, aber wir können das Verlangen loslassen, wenn die Zeit reif ist.

Aber wenn die Konzentration auf die Erfüllung von Wünschen nicht in der Lage ist, meine Leere zu befriedigen, und mich auf dem Rad des Leidens hält, dann ist das, kurz gesagt und sehr vereinfacht, ein Problem. Wenn das Verlangen mich in ständigen Kontakt mit dem Gefühl des Mangels oder der Leere bringt, was kann dann meine Leere füllen?

Und die Antwort lautet: Das Selbst mit einem großen S ist der Ausweg aus diesem ungezügelten Jagen nach Objekten. Die Schriften schlagen einen Wechsel der Perspektive vor. Wir sollten uns nicht als das fehlende Wesen sehen, das alt wird, krank wird, verarmt, unter der Liebe leidet usw. Sondern sich als derjenige zu sehen, der all diese Gebrechen, Fehler und Schmerzen beobachtet. Sieh dich selbst als den Zeugen. Dieser Zeuge ist bereits voll, zufrieden.

Vedanta führt uns zu dem freien, vollen und verwirklichten Wesen, das wir bereits sind und spricht zu uns – wenn du dich selbst nicht so siehst, kann Vedanta dir damit helfen, die Augenbinde abzunehmen.  Die Botschaft ist es: suche in dich selbst nach dem, was du derzeit außerhalb von dich selbst suchst.

Die Teile III und IV des Textes werden später verfügbar sein.

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ENGLISH

PART I
Psychoanalysis: face to face with desire

I’m very interested in psychoanalysis and also in the schools of thought called Yoga and Vedanta. Yoga as a philosophy focuses on the mind – how our mind works, how it gets out of balance, it offers tools to harmonize mental restlessness. And Vedanta talks about who we are. It’s the science of self-knowledge. But what does all this have to do with desire?

These days, listening to a Brazilian psychoanalyst who is a hit on social media, I found myself faced with a paradox. The analytical process helps us to get in touch with our desires, aspirations and, why not say it, our repressions. In the process of analysis, we can propose to become aware of what we are repressing in ourselves in order to let our desire emerge and then recognize it.

An Italian psychoanalyst called Contardo Calligaris, who lived and died in Brazil, said something interesting. To paraphrase: of course, not every desire will come true, because sometimes, or often, there are desires that can cause us problems. But we repress more than we need to.

My relationship with desire has changed completely over the years. I was discharged from analysis after about 10 years. And not long after I was proud about it, I felt completely miserable. I had fulfilled desires that were very important to me, but I wasn’t satisfied. And now? I suddenly found myself at the end of the line.

At that time, I felt completely empty and without perspective. It was a difficult period in my life. I didn’t know how to keep going. If chasing objects couldn’t fill my inner emptiness, then what was the way out? What did it mean to live after all, I asked myself.

PART II
Vedanta: face to face with desire

And that’s how I began to delve into Yoga and Vedanta. In Vedanta I listened to the teacher talk about this existential emptiness. He explained that we run after desires because we have the feeling that something is always missing. Because we don’t feel satisfied. And we think that objects and people and situations – a wedding, a child, a job, buying a house and an endless list of other demands – will fulfill us. But as soon as we achieve that dream object, we need more, something more. And we think… It’s not that yet, but if I achieve something else… Then life will be complete. Desire is a voracious mouth that always needs new food to survive. It’s an endless cycle.

It’s interesting that Vedanta lists the necessary qualifications for those who want to delve deeper into the study. Among them: the desire… Paradoxical? Vedanta talks about the desire for knowledge, the desire to know oneself, to discover oneself, to realize oneself, to see oneself fully. And why is desire so important? Without desire we can’t move. It’s desire that really drives us.

But at the same time… desire is pointed out in Eastern philosophy as the great cause of our psychic suffering. I desire because I am unaware of my full condition. I’m like a king who sees himself as a beggar, who has to look for crumbs to feel happy. How can we understand this paradox?

The Indian sage Ramana Maharshi helps us with an image… We use a piece of wood with fire to light and fan the fire… When the fire is at full strength, we hand the piece of wood (desire) over to the fire and let it burn. In other words, we use desire to our advantage in the process, but we can let go of desire when the time is right.

But then, in a nutshell and in a very simplified way, if the focus on fulfilling desires is unable to satisfy my emptiness and holds me on the wheel of suffering, if desiring brings me into constant contact with the sensation of lack or emptiness, what can fill my emptiness?

And the answer is – the Self with a capital S is the way out of this unbridled chasing after objects. The scriptures propose a change of perspective. Not to see ourselves as the missing being, the one who grows old, gets sick, becomes poor, suffers from love, etc. But to see oneself as the one who observes all these ailments, faults and pains. See yourself as the Witness. This Witness is already full.

Vedanta leads us towards that free, full and realized being that we already are and speaks to us – if you don’t see yourself that way, Vedanta can help you take the blindfold off.  Look within yourself for what you are currently looking for outside of yourself.

Parts III and IV of the text will be available soon.

Allgemein

DAS NEUE JAHR

(Versão em português abaixo) 

Zum Jahreswechsel 2022-2023 verspürte ich nicht den Drang, eine Bilanz des zu Ende gehenden Jahres zu ziehen und über die Aussichten für das neue Jahr nachzudenken. Aber selbst wenn dies nicht bewusst geschah, geschah es unbewusst. Mein Verstand verarbeitete irgendwie die Ereignisse des Jahres 2022 und fragte sich: Was nun? Was wird im Jahr 2023 kommen?

Vor dem Ende des Jahres 2022 habe ich mich selbst gefragt: „Wenn ich wüsste, dass ich morgen sterben würde, was würde mir den größten Schmerz bereiten, den ich zurücklassen müsste?“

Die Frage hat mich überrascht und mich zum Nachdenken gebracht, dass das, was ich am schmerzhaftesten hinter mir lassen muss, meine Bindungen an Menschen oder Dinge sind. Es ist das, was ich fürchte, zu verlieren, nicht zurückzugewinnen, nicht zu erobern. Es ist das, was meine Freiheit, ungebunden durch die Welt zu gehen, überschattet. Es ist das, was mich abhängig von etwas macht.

Und was nun? Was wird der Wind im Jahr 2023 bringen? Als mir diese Frage in den Sinn kam, sah ich mich anders als in den vergangenen Jahren. Ich habe mich nicht wiedererkannt. Ich habe immer dazu tendiert, zu projektieren, zu planen, aber ich habe einfach noch keine konkreten Pläne für 2023.  Werde ich im Jahr 2023 auf dem Trockenen sitzen?

Während ich diesen Text schreibe, denke ich, dass… Wenn ich mir im Jahr 2023 einen einzigen Plan, einen einzigen Wunsch erfüllen könnte, wäre es der folgende:

„Möge ich wie ein Boot sein, das mit dem Geschmack des Lebens fließt. Möge das Leben mich dorthin führen, wohin es mich führen soll. Und möge ich den Mut haben, mich nicht zu widersetzen. Möge ich den Mut haben, mich selbst aufzugeben.“

Das war’s.

*

O NOVO ANO

Na virada do ano 2022-2023, eu não senti o impulso de fazer um balanço sobre o ano que estava prestes a terminar e de pensar nas perspectivas para o ano novo. Mas mesmo que isso não tenha ocorrido conscientemente, ocorreu de forma inconsciente. A minha mente estava de alguma forma processando os acontecimentos de 2022 e se perguntando: E agora? E 2023? O que os ventos vão trazer?

Antes do final de 2022, eu me vi me perguntando: „se eu soubesse que iria morrer amanhã, o que me causaria mais dor de deixar para trás?“ A pergunta me surpreendeu e me fez pensar que o que eu tenho mais dor de deixar para trás são os meus apegos. É aquilo que eu temo perder, não recuperar, não conquistar… É aquilo que ofusca a minha liberdade de fluir sem amarras pelo mundo.

E agora? O que os ventos vão trazer, hein? Quando essa pergunta surgiu em minha mente, assim, como quem não quer nada, entre uma atividade e outra, eu me vi diferente de anos anteriores… Eu não me reconheci. Eu simplesmente não tenho planos concretos para 2023. Eu sempre tive a tendência de projetar, arquitetar, planejar… Será que eu vou ficar à deriva em 2023?

Agora, quando escrevo esse texto, penso que… na verdade, se eu pudesse realizar um plano, um único desejo em 2023, ele seria o seguinte:

„Que eu possa ser como um barco, que flui ao sabor da vida. Que a vida me leve, para onde ela deve me levar. E que eu tenha a coragem de não resistir. Que eu tenha a coragem de me entregar.“

É isso.

Allgemein

Steh auf und kämpfe!

Flávia Mattar
(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

Die Yoga Sutras von Patanjali – ein Text, in dem Patanjali das Wissen über Yoga zusammenfasst – stellen Yamas und Niyamas vor, ethische Grundsätze, die wir befolgen sollten, um den Geist frei von Unruhe zu halten. Das erste Yama, auf das hingewiesen wird, ist Gewaltlosigkeit (Ahimsa). Während Gewaltlosigkeit ein wesentlicher Wert ist, werden wir zu Kriegern, wenn wir Körperhaltungen üben (Virabhadrasana). Dies könnte uns zu der Annahme verleiten, dass dort, wo ein Krieger ist, auch die Absicht eines Krieges besteht, auch wenn sie noch schlummert. Liegt hier also ein Paradoxon vor?

Vielleicht können wir von der Tatsache ausgehen, dass Gewaltlosigkeit ein Wert ist, der von allen gleichermaßen geschätzt wird, auch von denen, die sie nicht praktizieren. Niemand möchte Gewalt erleiden, sei sie verbal, physisch oder psychisch. Und das gilt auch für einen Mörder. Selbst bei denjenigen, die sich selbst verletzen, wie z. B. bei einem Masochisten, steht nicht die Gewalt an sich im Mittelpunkt, sondern die Einsicht, dass die Selbstaggression einen gewissen Gewinn bringen kann, wie z. B. Vergnügen.

Auch wenn wir eigentlich nicht angegriffen werden wollen, sind die meisten von uns mehr oder weniger gewalttätig. Selbst wenn ich denke, dass ich ein friedlicher Mensch bin, kann ich Gewalt in mir beobachten, in der Art, wie ich mich ausdrücke, in dem, was ich denke, usw.

Das Erkennen und die Loslösung unserer Neigung zu Gewalt ist wichtig für die Harmonisierung von Geist und Emotionen. Obwohl Yoga von manchen als Sport verstanden wird, ist Yoga die Neutralisierung der Unruhe des Geistes. Alles, was in dieser Pädagogik vorgeschlagen wird, hat den Geist und die Emotionen im Blick.

Warum ist es wichtig, die Unruhe des Geistes zu neutralisieren? Die Unruhe ist wie ein Schleier, der uns daran hindert, unser innerstes Wesen zu sehen, das frei von jeglicher Gewalt ist, war und immer sein wird. Wenn die Oberfläche eines Sees aufgewühlt ist, können wir den Grund nicht sehen. Der Geist ist wie die Oberfläche eines Sees. Wenn sie aufgewühlt ist, können wir unsere Essenz – den „Boden“ – nicht erkennen.

Wenn Gewaltlosigkeit so wichtig ist, wenn wir von Yoga sprechen, warum üben wir dann Körperhaltungen (Asanas) wie Krieger 1, 2 und 3? Ist das ein Widerspruch?

Die meiste Zeit erleben wir innere Konflikte: Unentschlossenheit, Schuldgefühle, Angst, Unsicherheit, Selbstablehnung, Wünsche u.s.w. Wir können die Krieger als die Kraft in uns sehen, die akzeptiert, diese Konflikte zu beobachten, sie zu erkennen und das loszulassen, was sie verursacht.  Der Yogi-Krieger nutzt die ihm zur Verfügung stehenden Mittel, um in den unterschiedlichsten Situationen ausgeglichen und ruhig zu bleiben. Diese geben ihm Unterstützung, damit er frei von Konflikten sein Wesen erkennen kann. Das, was ich bin, ist Zeuge des Konflikts, ist sich des Konflikts bewusst, aber frei von ihm, so wie der Grund des Sees frei von den Unruhen seiner Oberfläche ist.

Jedes Mal, wenn wir Krieger in Yogaklassen einbeziehen, können wir sicher sein, dass der Yogi Krieger nicht aus rein egoistischen Gründen handelt – weil er dies oder jenes für sich selbst will. Die Handlung, die er vornimmt, und die Haltung, mit der er sie ausführt, stehen im Einklang mit der Harmonie des Ganzen (zu der er selbst gehört). Er lässt sich nicht von dem blinden Wunsch überwältigen, mit seiner Handlung dieses oder jenes Ergebnis zu erzielen (karma-Yoga). Er antwortet auf das, was ihm das Leben bietet, indem er seine angeborenen Talente mit einer Haltung des Dienens anbietet. Sein Handeln in der Welt ist wie ein Gebet. Das bezeichnet Hingabe (bhakti yoga). Er ist sich des täglichen Kampfes bewusst, den er gegen die Unruhe des Geistes und der Emotionen führen muss, so dass er zum Selbststudium (svadhyaya) und zur Selbsterkenntnis (jnana yoga) fähig ist.

Der Kampf, der im Bereich des Yogas ausgefochten wird, ist das Selbststudium (Beobachtung des Geistes und der Emotionen) und die Loslösung (vairagya) von dem, was den Geist beunruhigt, wie z.B. Gewalt und andere zahllose innere Konflikte. Die Vedanta-Texte erzählen uns von der Selbsterkenntnis, sie geben uns das notwendige Wissen, damit wir uns identifizieren können, mit dem, was frei von Unruhe ist. Die Oberfläche des Sees, der Geist, kann sogar unruhig sein. Aber der Boden, meine Essenz, ist, war und wird immer frei von diesen Aufregungen sein.

***

Levanta e luta!

Os Yoga Sutras de Patanjali — texto no qual Patanjali organiza conhecimentos sobre Yoga — apresenta Yamas e Niyamas, princípios éticos que devemos seguir para manter a mente livre de agitações. O primeiro Yama apontado é ahimsa, não violência. Ao mesmo tempo em que a não-violência é um valor essencial, quando praticamos posturas corporais fazemos os guerreiros (Virabhadrasana). Isso pode nos levar a pensar: onde há um guerreiro há a intenção, mesmo que adormecida, de uma guerra. Afinal, há aqui um paradoxo?

Talvez possamos partir do fato de que a não-violência é um valor apreciado igualmente por todos, até mesmo por aqueles que não a praticam. Ninguém quer sofrer violência, seja verbal, física, psicológica. E isso se aplica também a um assassino. Até mesmo quem fere a si, como um masoquista, o foco não é a violência em si, mas sim o entendimento de que a autoagressão pode trazer algum ganho, como o prazer, por exemplo. Ao mesmo tempo em que não queremos de fato ser agredidos, a maioria de nós, em maior ou menor grau, é violento. Até mesmo quando me julgo uma pessoa pacífica, posso observar a violência em mim, na forma como me expresso, naquilo que penso etc.

Reconhecer a nossa tendência à violência e nos desapegar dela é importante para harmonizar a mente e as emoções. Apesar do Yoga ser entendido por alguns como esporte, yoga é a neutralização das agitações da mente. Tudo o que é proposto nesta pedagogia tem a mente e as emoções como foco. Por que neutralizar as agitações é importante? Por que elas são como véus que nos impedem de ver a nossa essência, que é, foi e sempre será livre de toda e qualquer violência. Quando a superfície de um lago está agitada, não conseguimos ver o fundo. A mente é como a superfície do lago. Quando agitada, não conseguimos vislumbrar a nossa essência.

Se a não violência é tão importante quando falamos em Yoga, por que então praticamos posturas corporais (asanas) como os Guerreiros 1, 2 e 3? Seria isso uma contradição?

A maioria do tempo estamos vivenciando conflitos internos: impasse, indecisão, culpa, medo, insegurança, auto rejeição, desejos. Podemos ver os guerreiros como a força em nós que aceita observar esses conflitos, reconhecê-los e se desapegar daquilo que os causa.  O guerreiro yogi usa as ferramentas a seu dispor para se manter equilibrado e tranquilo diante das mais diversas situações. Essas ferramentas lhe dão suporte para reconhecer a sua natureza livre de todo e qualquer conflito. Aquilo que sou testemunha o conflito, está consciente do conflito, mas está livre dele, assim como o fundo do lago está livre das agitações de sua superfície.

Cada vez que incorporamos os guerreiros em aulas de yoga, podemos ter a certeza de que o guerreiro yogi não age movido por razões meramente egoísticas – porque quer isso ou aquilo para si. A ação que irá empreender e a atitude com a qual a executará está de acordo com a harmonia do todo (o que inclui a si mesmo). Ele não se deixa abater pelo desejo cego por conquistar esse ou aquele resultado com a sua ação (karma yoga). Ele responde àquilo que a vida o apresenta, oferecendo seus talentos natos com atitude de serviço e doação. A ação que empreende no mundo é como uma oração. Isso denota devoção (bhakti yoga). Ele está ciente da batalha diária que tem que travar contra as inquietações da mente e das emoções, para que seja capaz de se auto-estudar (svadhyaya) e se auto-conhecer (jnana yoga).

A batalha travada no âmbito do Yoga é pelo auto-estudo (observação da mente e das emoções) e pelo desapego (vairagya) daquilo que causa inquietações à mente, como a violência, entre outros inúmeros conflitos internos. Os textos de Vedanta já falam de auto-conhecimento – nos dão o conhecimento necessário para que possamos nos identificar com o que é livre de toda e qualquer inquietação. A superfície do lago, a mente, pode até estar inquieta. Mas o fundo, a minha essência, é, foi e sempre estará livre de agitações.

***

Get up and fight!

The Yoga Sutras of Patanjali — a text in which Patanjali organizes knowledge about Yoga — presents Yamas and Niyamas, ethical principles that we should follow to keep the mind free from agitation. The first Yama pointed out is ahimsa, non-violence. While non-violence is an essential value, when we practice body postures we make warriors (Virabhadrasana). This can lead us to think: where there is a warrior there is the intention, even if dormant, of a war. After all, is there a paradox here?

Perhaps we can start from the fact that non-violence is a value appreciated equally by all, even by those who do not practice it. Nobody wants to suffer violence, be it verbal, physical, psychological. And this also applies to a murderer. Even those who hurt themselves, like a masochist, the focus is not on the violence itself, but on the understanding that self-aggression can bring some gain, like pleasure, for example. At the same time that we don’t really want to be assaulted, most of us, to a greater or lesser degree, are violent. Even when I think of myself as a peaceful person, I can observe violence in myself, in the way I express myself, in what I think, etc.

Recognizing our tendency to violence is important for harmonizing the mind and emotions. Although Yoga is understood by some as a sport, yoga is the neutralization of the agitations of the mind. Everything that is proposed in this pedagogy has the mind and emotions as its focus. Why is it important to neutralize agitation? Because they are like veils that prevent us from seeing our innermost nature, which is, was, and always will be free from all violence. When the surface of a lake is agitated, we cannot see the bottom. The mind is like the surface of the lake. When it is agitated, we cannot glimpse our essence.

If non-violence is so important when we talk about Yoga, why then do we practice body postures (asanas) like Warriors 1, 2, and 3? Is this a contradiction?

Most of the time we are experiencing inner conflicts: impasse, indecision, guilt, fear, insecurity, self-rejection, desires. We can see the warriors as the force within us that accepts to observe these conflicts, recognize them, and let go of that which causes them.  The yogi warrior uses the tools at his disposal to keep balanced and calm when facing the most diverse situations. These tools give him support so that he can glimpse his nature free of all and any conflict. That which I am witnesses the conflict, is aware of the conflict, but is free of it, just as the bottom of the lake is free of the agitations of its surface.

Each time we incorporate warriors into yoga classes, we can be sure that the yogi warrior does not act driven by merely selfish reasons – because he wants this or that for himself. The action he will undertake, and the attitude with which he will carry it out, is in accordance with the harmony of the whole (which includes himself-herself). He is not overwhelmed by the blind desire to achieve this or that result with his action (karma yoga). He responds to what life presents him with, offering his innate talents with an attitude of service and giving. The action he undertakes in the world is like a prayer. It denotes devotion (bhakti yoga). He is aware of the daily battle he has to fight against the restlessness of mind and emotions, so that he is able to study himself (svadhyaya) and know himself (jnana yoga).

The battle in the field of yoga is for self-study (observation of the mind and emotions) and detachment (vairagya) from that which causes restlessness to the mind, such as violence, among other innumerable internal conflicts. The Vedanta texts tell us about self-knowledge, they give us the necessary knowledge so that we can identify with what is free of restlessness. The surface of the lake, the mind, may even be restless. But the bottom, my essence, is, was and will always be free from these agitations.