vedanta, yoga, yoga sutra

Baumsein

Veja a tradução em português abaixo.

Dieser Baum (Vrikshasana) ist seit vielen Jahren Teil meiner Geschichte.

Zuerst als Yoga-Praktizierende. Er erschien mir nie als Herausforderung, sondern als Begegnung. Ein Ort, an dem ich mich verankert und gehalten fühle. Nicht ohne Anstrengung, nicht ohne Unbehagen, nicht ohne ein sanftes Schwanken im Wind. Ich kehre immer wieder zu ihm zurück, in Momenten, in denen ich Erdung brauche. In Momenten, in denen ich das Weibliche bearbeiten möchte. In diesen Zeiten ruft er mich unter seine dichte Krone und trägt mich.

Er begleitet mich auch auf meinem Weg als Yogalehrerin. Es ist eine der Gleichgewichtshaltungen, die ich die Yoga-Praktizierenden am häufigsten anbiete. Und ich sehe, wie manche sie am Anfang nicht halten können, wie es ihnen schwerfällt, eine gute Beziehung zu ihr aufzubauen. Doch mit der Zeit, wenn sie sich auf ihre Weise mit ihr verbinden, trägt sie auch sie und schützt sie vor Regen und Sonne.

Heute denke ich an diesen meinen Lieblingsbaum, jenen, dem mein Körper Form gibt. Ich denke an diesen „Körper“, der lernen muss, mit seinen Verlusten im Herbst umzugehen, wenn die Blätter fallen. Der im Winter nackt ist und sich schutzlos fühlen kann. Der im Sommer und im Frühling üppig, vital und blühend ist. Der Baum durchläuft all diese Zyklen, so wie ich. Und anders als ich hinterfragt er nicht, ob er Blätter trägt oder nicht, ob er schutzlos ist oder voller Farbe.

Er ist … einfach.
Seine Aufgabe ist es nur zu sein.

In der Nähe von Weihnachten denke ich an den Baum im Christentum. Ich habe erfahren, dass der Weihnachtsbaum Leben, Hoffnung und Erneuerung symbolisiert. Diese Symbolik stammt aus heidnischen Traditionen der Wintersonnenwende, in denen immergrüne Kiefern den Sieg des Lebens über die Dunkelheit darstellten. Zu den Ornamenten gehören der Stern, die Lichter und die Geschenke. Wenn ich an die östliche Philosophie denke, verstehe ich die Lichter, die ihn schmücken, als Weisheit (sein, einfach sein…). Nicht so oder anders sein müssen. Nicht dagegen sein. Nicht morgen sein — einfach sein. Der Stern ist das, was was in Richtung Weisheit führt — die sowohl Ziel als auch Weg ist. Und die Geschenke … als das, was wir auf der Reise zur Selbsterkenntnis empfangen.

Yoga ist etwas Wunderschönes. Der Körper schenkt sich der Form. Und die Form offenbart ihre Weisheit, ihre Geheimnisse. Einmal sagte ein Tanzlehrer zu seinem Schüler: Täusche dich nicht, du tanzt nicht einfach — du trittst in eine tiefe Verbindung mit dir selbst ein … Und wir können ebenso denken: Täusche dich nicht, du machst nicht nur eine Yogahaltung … Sie ist lediglich die Eingangstür zu einer tiefen Reflexion über deinen Moment, über deine Beziehungen, über die Existenz.

Ich wünsche allen ein frohes Weihnachtsfest und ein wunderbares neues Jahr.

*

Ser árvore

Allgemein

Revelar-se: voz passiva


Flávia Mattar

Fayga Ostrower fala de sensualidade – da atração que a matéria desencadeia. A fala da artista me atrai, como um enigma. Logo me ocorre a ligação entre sensualidade e sensorial – os sentidos são tomados pelo objeto e se rendem ao poder exercido sobre eles. Em seguida, voo além da matéria. Um escrito sobre arte, sensualidade e espiritualidade.

Ouvindo a música no rádio da cozinha, foi tomada pela beleza. Ela a tocou, a pegou de surpresa, a tomou pela mão, a invadiu, a fez sorrir. Pensou: “chamaria eu isso de sensualidade?”

Primeiro, uma atração, um chamado – aquele objeto fala de algo que quer explorar, sentir, apropriar. Algo que ultrapassa a sua forma corriqueira de pensar, que faz clarão.

Trate-se do belo, do intolerável, do sublime, da perplexidade… Ela fica ali, colada naquilo, investigativa, como se algo a tivesse deslocado.

Deslocada, se põe a buscar um novo ninho nesse desconhecido. 

Seria isso da ordem de um apaixonamento?

O que essa sensualidade tem a ver com espiritualidade?

Como a partir de um envolvimento sensual, sensorial, estético é possível transcender o limitar dos sentidos e deparar-se com um…

Revela-se. Algo se revela. Algo sem nome, sem sentido, sem explicação.

A potência do envolvimento sensorial transborda, expande, amplia a fronteira. Algo emerge, liberado da autoria, da propriedade, da fixação em um sujeito limitado em seus conflitos, em seu carrossel de pensamentos.

Revelar-se: voz passiva. Revela-se, revela-se, revela-se.

Não seria esse transbordar, expandir, ampliar a fronteira e revelar-se Yoga?

Foto: Pexels – Mihman Duğanlı


Allgemein, vedanta, yoga, yoga sutra

Cara a cara com o desejo 2 / Face to face mit dem Wunsch / Face to face with desire

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

As partes I e II do texto você pode ler aqui.
Die Teile I und II des Textes kannst du hier lesen.
You can read the first part of the text here.

PORTUGUÊS

PARTE III:
Yoga: Cara a cara com o desejo

Quanto ao Yoga, qual é a sua relação com o desejo? Lembro de meu professor dizer várias vezes que aquilo que a gente reprime ganha mais força. Muitas pessoas que se lançam no caminho espiritual acreditam que precisam se reprimir para se enquadrar em um perfil de renunciante, monge ou algo do tipo. Mas o Yoga em nenhum momento pede isso de nós.

O processo do yoga nos ajuda, NATURALMENTE, a nos desapegarmos da escravidão ao desejo. Nós vamos nos sentindo menos subjugados a ele. Vamos criando uma brecha em que podemos olhar o lado A e o lado B das situações, vamos lidando com o desejo de forma mais consciente e menos aflita. Nós tomamos as rédeas do desejo. Não para segurar as rédeas com firmeza e forçar os cavalos a fazer o que queremos… Não… Os cavalos (os pensamentos) se acalmam no PROCESSO do trabalho com o Yoga. O processo purifica o corpo, os canais de energia e a mente. E essa purificação nos ajuda a não termos tanta necessidade de correr atrás de objetos para nos sentirmos menos vazios.

O Yoga pode nos ajudar a aquietar a mente e cria clareiras mentais para que o insight possa vir à tona. O insight não é um pensamento preso aos hábitos, mas algo inovador. Os insights nos possibilitam reorganizar a vida de forma mais criativa e menos condicionada. O yoga nos ajuda entrar em um estado mais criativo, menos automatizado e com isso nos empoderamos como seres que têm condições de ganhar consciência de sua plenitude.

PARTE IV:
O poder da presença

Conversando com uma amiga que é terapeuta somática, ela disse algo interessante, que tem a ver com filosofias orientais. Ela citou o Budismo. Quando você está numa sessão de terapia somática, você não busca uma lógica no que você está dizendo, você está sendo convidado a se liberar da necessidade de entender e de fazer sentido. Você deixa as sensações corporais e as imagens virem à tona. O que está submerso, reprimido em você se mostra. E você fica em um estado de profunda presença. Em estado de presença não há falta. Na presença, você está integro, pleno. Você não se vê como um ser faltante. E é o ser faltante que se coloca a correr de forma desenfreada e inconsciente atrás do desejo.

Para finalizar o texto. As filosofias orientais acima citadas não estão aqui para reprimir nada, não estão aqui para reprimir desejos. Apesar de nós podermos fazer uso dessas filosofias para nos reprimir. Se há repressão, há um equivoco por parte do instrutor(a) ou por parte de quem pratica a filosofia. A repressão não é a resposta, não é a saída.

Essas filosofias nos ajudama experimentar uma outra perspectiva, a observar os desejos com mais consciência, com menos apego e menos submissão a eles, a ter um espaço entre o desejar e o executar o desejo. Um espaço para observar, para refletir se eu quero pagar o preço do lado B desse desejo específico. Se esse desejo me traz paz ou mais inquietação. Eu crio espaço interno para me perguntar se eu quero viver isso ou aquilo ou não viver.

Há a abertura de uma clareira interna, para se conectar com a fonte do amor e da satisfação em nós. E em contato com essa fonte, o desejo por objetos se torna algo menor. Se eu me conecto com a minha natureza plena, o desejo por objetos perde a sua magia, porque eu olho a vida de um lugar de fartura e plenitude e não de um lugar de miséria, falta e necessidade. A gente pode então se aproximar da vida, viver a vida com menos ânsia de se preencher e com mais disponibilidade de compartilhar, de doar a fonte inesgotável que há em nós.

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DEUTSCH

TEIL III
Yoga: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Welche Beziehung hat Yoga zum Wunsch? Ich erinnere mich, dass mein Lehrer mehrmals sagte, dass das, was wir unterdrücken, an Kraft gewinnt. Viele Menschen, die sich auf einen spirituellen Weg begeben, glauben, dass sie sich selbst unterdrücken müssen, um in das Profil eines Entsagenden, Mönchs oder Ähnlichem zu passen. Aber das verlangt Yoga zu keinem Zeitpunkt von uns.

Der Yogaprozess hilft uns NATÜRLICH, unsere Sklaverei gegenüber dem Wunsch loszulassen. Wir fühlen uns dem Wunsch weniger unterworfen. Wir schaffen eine Lücke, in der wir die A- und B-Seiten von Situationen betrachten können, wir gehen bewusster und weniger verzweifelt mit dem Verlangen um. Wir nehmen die Zügel des Verlangens in die Hand. Nicht um die Zügel fest zu halten und die Pferde zu zwingen, das zu tun, was wir wollen. Nein… Die Pferde (die Gedanken) beruhigen sich durch den PROZESS des Yoga.

Der Prozess des Yoga reinigt den Körper, die Energiekanäle und den Geist. Und diese Reinigung hilft uns, dass wir nicht mehr so sehr nach Objekten jagen müssen, um uns weniger leer zu fühlen.

Yoga hilft uns, die geistige Unruhe zu beruhigen und schafft Klarheit im Geist, so dass Einsicht auftauchen kann. Einsicht ist kein in Gewohnheiten festgefahrener Gedanke, sondern etwas neues. Einsichten helfen uns, unser Leben auf kreativere und weniger konditionierte Weise zu gestalten. Yoga hilft uns, in einen kreativeren, weniger automatisierten Zustand einzutreten, und damit ermächtigen wir uns als Wesen, die sich ihrer Fülle bewusst werden.

TEIL IV
Die Kraft der Präsenz

Im Gespräch mit einer Freundin, die Somatische Therapeutin ist, sagte sie etwas Interessantes, das mit östlichen Philosophien zu tun hat. Sie erwähnte den Buddhismus. In einer somatischen Therapiesitzung sucht man nicht nach der Logik in dem, was man sagt, sondern man wird eingeladen, das Bedürfnis nach Verständnis und Sinn loszulassen. Man lässt die Körperempfindungen und Bilder an die Oberfläche kommen. Was in uns untergetaucht und verdrängt ist, zeigt sich. Und du befindest dich in einem Zustand tiefer Präsenz. In einem Zustand der Präsenz gibt es keinen Mangel. In der Präsenz bist du ganz, voll. Du siehst dich nicht als ein fehlendes Wesen. Und es ist das fehlende Wesen, das wild und unbewusst dem Verlangen hinterherläuft.

Um den Text abzuschließen… Die oben erwähnten östlichen Philosophien sind nicht dazu da Wunsch zu unterdrücken. Obwohl wir diese Philosophien nutzen können, um uns selbst zu unterdrücken. Wenn es zu einer Unterdrückung kommt, liegt ein Fehler auf Seiten des Lehrers oder der Person vor, die die Philosophie praktiziert. Verdrängung ist nicht die Antwort, sie ist nicht der Ausweg.

Die östlichen Philosophien helfen uns dabei, eine andere Perspektive zu erfahren. Die Wünsche mit mehr Bewusstsein zu beobachten, mit weniger Anhaftung und weniger Unterwerfung ihnen gegenüber. Einen Raum zu haben zwischen dem Wunsch und der Ausführung des Wunsches. Einen Raum zum Beobachten, zum Nachdenken darüber, ob ich den Preis für die B-Seite dieses speziellen Wunsches zahlen will. Ob dieser Wunsch mir Frieden oder mehr Unruhe bringt. Ich schaffe mir einen inneren Raum, um mich zu fragen, ob ich dies oder jenes leben will oder gar nicht.

Es öffnet sich eine innere Lichtung, um sich mit der Quelle der Liebe und der Erfüllung in uns zu verbinden. Und im Kontakt mit dieser Quelle wird der Wunsch nach Objekten etwas nicht so attraktiv. Wenn ich mich mit meiner vollen Natur verbinde, verliert das Verlangen nach Objekten seinen Zauber, weil ich das Leben von einem Ort der Fülle und Erfüllung aus betrachte und nicht von einem Ort des Elends, des Mangels und der Not. Wir können dann an das Leben herangehen mit weniger Wunsch um sich selbst zu befüllen und deshalb haben wir mehr Bereitschaft zum Teilen, zum Geben aus der unerschöpflichen Quelle in uns.

*

ENGLISH

PART III
Yoga: Face to face with desire

What is yoga’s relationship to desire? I remember my teacher saying several times that what we repress becomes stronger. Many people who embark on a spiritual path believe that they need to repress themselves in order to fit into the profile of a renunciate, monk or something like that. But at no point does yoga ask this of us.

The yoga process NATURALLY helps us to let go of our slavery to desire. We feel less subjugated to it. We create a gap in which we can look at the A and B sides of situations, we deal with desire in a more conscious and less distressed way. We take the reins of desire. Not to hold the reins tightly and force the horses to do what we want… No… The horses (the thoughts) calm down in the PROCESS of working with Yoga.

The process purifies the body, the energy channels and the mind. And this purification helps us not to need to chase objects so much in order to feel less empty.

Yoga can help us quieten the mind and create mental clearings so that insight can surface. Insight is not a thought stuck in habits, but something innovative. Insights help us reorganize our lives in a more creative and less conditioned way.

Yoga helps us to enter a more creative, less automated state and with this we empower ourselves as beings who are able to gain awareness of their fullness.

PART IV
The power of presence

Talking to a friend who is a somatic therapist, she said something interesting, which has to do with Eastern philosophies. She mentioned Buddhism. When you’re in a somatic therapy session, you’re not looking for logic in what you’re saying, you’re being invited to let go of the need to understand and make sense. You let the bodily sensations and images come to the surface. What is submerged, repressed in you shows itself. And you are in a state of deep presence. In a state of presence, there is no lack. In presence, you are whole, full. You don’t see yourself as a lacking being. And it’s the lacking being who runs wildly and unconsciously after desire.

To conclude the text… The Eastern philosophies mentioned above are not here to repress anything, they are not here to repress desires. Although we can use these philosophies to repress ourselves. If there is repression, there is a mistake on the part of the instructor or the person practicing the philosophy. Repression is not the answer, it is not the way out.

Eastern philosophies help us to experience another perspective. To observe desires with more awareness, with less attachment and less submission to them. To have a space between desiring and fulfilling the desire. A space to observe, to reflect on whether I want to pay the price for the B-side of that particular desire. Whether this desire brings me peace or more restlessness. I create internal space to ask myself if I want to live this or that or not at all.

There is the opening of an inner clearing, to connect with the source of love and satisfaction in us. And in contact with this source, the desire for objects becomes something less. If I connect with my full nature, the desire for objects loses its magic, because I’m looking at life from a place of abundance and fullness and not from a place of misery, lack and need. We can then get closer to life, with less desire to fill ourselves up and more willingness to share, to give from the inexhaustible source within us.

Allgemein

Cara a cara com o desejo 1 / Face to face mit dem Wunsch / Face to face with desire

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

PORTUGUÊS

PARTE I
Psicanálise: cara a cara com o desejo

Eu me interesso muito pela Psicanálise. Fiz análise por 10 anos. E me interesso muito pelas escolas de pensamento chamadas Yoga e Vedanta. O Yoga como filosofia tem como foco a mente – como a nossa mente funciona, como entra em desequilíbrio, oferece ferramentas para harmonizar a inquietude mental. E o Vedanta fala sobre quem somos. É a ciência do auto-conhecimento. Mas afinal o que isso tudo tem a ver com desejo?

Esses dias, escutando a fala de uma psicanalista brasileira que faz sucesso nas redes sociais, me vi diante de um paradoxo. O processo analítico nos ajuda a entrar em contato com os nossos desejos, aspirações e, porque também não dizer, com as nossas repressões. Nós podemos nos propor, no processo de análise, a tomar consciência daquilo que estamos reprimindo em nós para deixar o nosso desejo aflorar e podermos então reconhecê-lo.

Um psicanalista italiano chamado Contardo Calligaris, que viveu e morreu no Brasil, disse algo interessante. Parafraseando: é claro que não é todo o desejo que vamos realizar, até porque às vezes ou muitas vezes, há desejos que podem nos causar problemas. Mas nós reprimimos mais do que precisamos reprimir.

A minha relação com o desejo mudou completamente ao longo dos anos. Eu recebi alta da análise depois de cerca de 10 anos. E não muito tempo depois de me orgulhar por ter recebido alta psicanalítica, eu me senti completamente perdida e sem saída. Eu realizei desejos muito importantes para mim, mas eu não estava satisfeita. E agora? Eu me vi, de repente, no fim da linha.

Nessa época, eu me senti completamente vazia e sem perspectiva. Foi um período difícil na minha vida. Eu não sabia para onde ir, como continuar a caminhar. Se correr atrás de objetos não podia preencher o meu vazio interior, então, qual era a saída? O que afinal de contas significava viver?, eu me perguntei.

PARTE II
Vedanta: Cara a cara com o desejo

E foi assim que eu comecei a me aprofundar no Yoga e no Vedanta.

No Vedanta eu escutava o professor falar desse vazio existencial. Ele explicava que a gente corre atrás dos desejos porque temos a sensação de que algo sempre nos falta. Porque nós não nos sentimos satisfeitos. E a gente acha que objetos e pessoas e situações — um casamento, um filho, um emprego, comprar uma casa e mais uma lista infinita de demandas — vão nos preencher.

Mas assim que a gente alcança o tal objeto dos sonhos, a gente precisa de mais, de mais alguma coisa. E a gente pensa… Ainda não é isso, mas se eu conquistar aquilo… Ah, aí sim, a vida vai ficar completa. O desejo é uma boca voraz, que precisa sempre de um novo alimento para sobreviver. É um ciclo sem fim, ele dizia. Isso fez muito sentido para mim, ainda mais naquele momento de minha vida.

Interessante que o Vedanta lista qualificações necessárias para aqueles que querem se aprofundar no estudo. Entre elas: o desejo. Paradoxal? Vedanta fala do desejo pelo conhecimento, o desejo por se autoconhecer, se autodescobrir, se autorrealizar, por se ver pleno. E por que o desejo é tão importante? Sem desejo não podemos nos movimentar. É o desejo que de fato nos move.

Mas ao mesmo tempo… o desejo é apontado na filosofia oriental como o grande causador do nosso sofrimento psíquico. Eu desejo porque eu sou desconhecedor de minha condição plena. Eu sou como um rei que se vê como um mendigo, que precisa ficar buscando migalhas para se sentir feliz. Como a gente pode entender esse paradoxo?

O sábio indiano Ramana Maharshi nos ajuda com uma imagem… A gente usa um pedaço de madeira com fogo para acender e atiçar a fogueira… Quando a fogueira está com sua força total, nós entregamos o pedaço de madeira (o desejo) também ao fogo e deixamos ele queimar. Ou seja, nós usamos o desejo a nosso favor no processo, mas podemos nos desapegar do desejo no momento adequado.

Mas então, em poucas palavras e de forma bem simplificada, se o foco em realizar desejos não é capaz de saciar o meu vazio e me prende à roda do sofrimento… Se desejar me faz ficar em contato constante com a sensação de falta ou vazio, o que afinal pode preencher o meu vazio?

E a resposta é – o Eu com E maiúsculo é a saída para esse corre-corre desenfreado atrás dos objetos. As escrituras nos propõem uma mudança de perspectiva. Não se ver como o ser faltante, aquele que envelhece, adoece, empobrece, sofre de amor etc. Mas se ver como aquele que observa todas essas mazelas e faltas e dores. Se ver como a Testemunha das faltas. Essa Testemunha é pura presença e já é plena.

O Vedanta nos conduz em direção à aproximação desse ser livre, pleno e realizado que já somos e nos alerta: se você não se vê assim, o Vedanta pode lhe ajudar a tirar a venda dos olhos.  Procure dentro de você o que você atualmente procura fora de você.

Em breve serão disponibilizadas as partes III e IV do texto.

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DEUTSCH

TEIL I
Psychoanalyse: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Ich interessiere mich sehr für die Psychoanalyse und auch für die Denkschulen Yoga und Vedanta. Yoga als Philosophie konzentriert sich auf den Geist – wie unser Geist funktioniert, wie er aus dem Gleichgewicht gerät. Yoga bietet Werkzeuge, um geistige Unruhe zu harmonisieren. Und Vedanta spricht darüber, wer wir sind. Es ist die Wissenschaft der Selbsterkenntnis. Aber was hat das alles mit Wunsch oder Verlangen zu tun?

Als ich vor ein paar Tagen einer brasilianischen Psychoanalytikerin zuhörte, der in den sozialen Medien sehr beliebt ist, sah ich mich mit einem Paradoxon konfrontiert. Der analytische Prozess hilft uns, mit unseren Wünschen, Sehnsüchten und, warum sollte man es nicht sagen, unseren Unterdrückungen in Kontakt zu kommen. Im Prozess der Analyse können wir uns bewusst machen, was wir in uns selbst verdrängen, um unser Verlangen zum Vorschein kommen zu lassen und es dann zu erkennen.

Ein italienischer Psychoanalytiker namens Contardo Calligaris, der in Brasilien lebte und starb, sagte etwas Interessantes. Um es zu paraphrasieren: Natürlich werden wir uns nicht jeden Wunsch erfüllen, denn manchmal oder oft gibt es Wünsche, die uns Probleme bereiten können. Aber wir unterdrücken mehr, als wir müssten.

Mein Verhältnis zu dem Wunsch hat sich im Laufe der Jahre völlig verändert. Ich wurde nach etwa 10 Jahren aus der Analyse entlassen. Und nicht lange nachdem ich stolz war, aus der Psychoanalyse entlassen worden zu sein, fühlte ich mich völlig unglücklich. Ich hatte mir Wünsche erfüllt, die für mich sehr wichtig waren, aber ich war nicht zufrieden. Und jetzt? Was soll ich machen?

Ich fühlte mich völlig leer und ohne Perspektive. Es war eine schwierige Zeit in meinem Leben. Ich wusste nicht, wohin ich gehen oder wie ich weitermachen sollte. Wenn die Jagd nach Objekten meine innere Leere nicht ausfüllen konnte, was war dann der Ausweg? Was bedeutete es, überhaupt zu leben, fragte ich mich.

TEIL II
Vedanta: Von Angesicht zu Angesicht mit dem Wunsch (oder Verlangen)

Und so begann ich, mich mit Yoga und Vedanta zu beschäftigen. Im Vedanta hörte ich den Lehrer über diese existenzielle Leere sprechen. Er erklärte, dass wir den Wünschen hinterherlaufen, weil wir das Gefühl haben, dass uns immer etwas fehlt. Weil wir uns nicht zufrieden fühlen. Und wir denken, dass Objekte und Menschen und Situationen – eine Hochzeit, ein Kind, ein Job, ein Hauskauf und eine endlose Liste anderer Wünsche – uns erfüllen werden.

Aber sobald wir dieses Traumobjekt erreicht haben, brauchen wir mehr, etwas mehr. Und wir denken… das ist es noch nicht, was ich wirklich will, aber wenn ich was anders erreiche… dann ist das Leben vollständig. Das Verlangen ist ein gefräßiges Mund, das immer neue Nahrung braucht, um zu überleben. Es ist ein nie endender Kreislauf. Das machte für mich sehr viel Sinn, besonders in diesem Moment in meinem Leben.

Es ist interessant, dass Vedanta die notwendigen Qualifikationen für diejenigen auflistet, die tiefer in das Selbststudium eintauchen wollen. Darunter: das Verlangen… Ist das ein Paradoxon? Vedanta spricht über den Wunsch nach Wissen, den Wunsch, sich selbst zu kennen, sich selbst zu entdecken, sich selbst zu verwirklichen, sich selbst vollständig zu sehen. Und warum ist das Verlangen so wichtig? Ohne Verlangen können wir uns nicht bewegen. Es ist das Verlangen, das uns wirklich antreibt.

Aber gleichzeitig… wird das Verlangen in der östlichen Philosophie als die große Ursache unseres psychischen Leidens anerkannt. Ich wünsche, weil ich mir meines vollen Zustands nicht bewusst bin. Ich bin wie ein König, der sich selbst als Bettler sieht, der nach Brosamen suchen muss, um sich glücklich zu fühlen. Wie können wir dieses Paradoxon verstehen?

Der indische Weise Ramana Maharshi hilft uns mit einem Bild… Wir benutzen ein Stück Holz mit Feuer, um das Lagerfeuer zu entzünden und zu fächeln… Wenn das Feuer seine volle Stärke erreicht hat, übergeben wir das Holzstück (das Verlangen) dem Feuer und lassen es brennen. Mit anderen Worten: Wir nutzen das Verlangen zu unseren Gunsten, aber wir können das Verlangen loslassen, wenn die Zeit reif ist.

Aber wenn die Konzentration auf die Erfüllung von Wünschen nicht in der Lage ist, meine Leere zu befriedigen, und mich auf dem Rad des Leidens hält, dann ist das, kurz gesagt und sehr vereinfacht, ein Problem. Wenn das Verlangen mich in ständigen Kontakt mit dem Gefühl des Mangels oder der Leere bringt, was kann dann meine Leere füllen?

Und die Antwort lautet: Das Selbst mit einem großen S ist der Ausweg aus diesem ungezügelten Jagen nach Objekten. Die Schriften schlagen einen Wechsel der Perspektive vor. Wir sollten uns nicht als das fehlende Wesen sehen, das alt wird, krank wird, verarmt, unter der Liebe leidet usw. Sondern sich als derjenige zu sehen, der all diese Gebrechen, Fehler und Schmerzen beobachtet. Sieh dich selbst als den Zeugen. Dieser Zeuge ist bereits voll, zufrieden.

Vedanta führt uns zu dem freien, vollen und verwirklichten Wesen, das wir bereits sind und spricht zu uns – wenn du dich selbst nicht so siehst, kann Vedanta dir damit helfen, die Augenbinde abzunehmen.  Die Botschaft ist es: suche in dich selbst nach dem, was du derzeit außerhalb von dich selbst suchst.

Die Teile III und IV des Textes werden später verfügbar sein.

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ENGLISH

PART I
Psychoanalysis: face to face with desire

I’m very interested in psychoanalysis and also in the schools of thought called Yoga and Vedanta. Yoga as a philosophy focuses on the mind – how our mind works, how it gets out of balance, it offers tools to harmonize mental restlessness. And Vedanta talks about who we are. It’s the science of self-knowledge. But what does all this have to do with desire?

These days, listening to a Brazilian psychoanalyst who is a hit on social media, I found myself faced with a paradox. The analytical process helps us to get in touch with our desires, aspirations and, why not say it, our repressions. In the process of analysis, we can propose to become aware of what we are repressing in ourselves in order to let our desire emerge and then recognize it.

An Italian psychoanalyst called Contardo Calligaris, who lived and died in Brazil, said something interesting. To paraphrase: of course, not every desire will come true, because sometimes, or often, there are desires that can cause us problems. But we repress more than we need to.

My relationship with desire has changed completely over the years. I was discharged from analysis after about 10 years. And not long after I was proud about it, I felt completely miserable. I had fulfilled desires that were very important to me, but I wasn’t satisfied. And now? I suddenly found myself at the end of the line.

At that time, I felt completely empty and without perspective. It was a difficult period in my life. I didn’t know how to keep going. If chasing objects couldn’t fill my inner emptiness, then what was the way out? What did it mean to live after all, I asked myself.

PART II
Vedanta: face to face with desire

And that’s how I began to delve into Yoga and Vedanta. In Vedanta I listened to the teacher talk about this existential emptiness. He explained that we run after desires because we have the feeling that something is always missing. Because we don’t feel satisfied. And we think that objects and people and situations – a wedding, a child, a job, buying a house and an endless list of other demands – will fulfill us. But as soon as we achieve that dream object, we need more, something more. And we think… It’s not that yet, but if I achieve something else… Then life will be complete. Desire is a voracious mouth that always needs new food to survive. It’s an endless cycle.

It’s interesting that Vedanta lists the necessary qualifications for those who want to delve deeper into the study. Among them: the desire… Paradoxical? Vedanta talks about the desire for knowledge, the desire to know oneself, to discover oneself, to realize oneself, to see oneself fully. And why is desire so important? Without desire we can’t move. It’s desire that really drives us.

But at the same time… desire is pointed out in Eastern philosophy as the great cause of our psychic suffering. I desire because I am unaware of my full condition. I’m like a king who sees himself as a beggar, who has to look for crumbs to feel happy. How can we understand this paradox?

The Indian sage Ramana Maharshi helps us with an image… We use a piece of wood with fire to light and fan the fire… When the fire is at full strength, we hand the piece of wood (desire) over to the fire and let it burn. In other words, we use desire to our advantage in the process, but we can let go of desire when the time is right.

But then, in a nutshell and in a very simplified way, if the focus on fulfilling desires is unable to satisfy my emptiness and holds me on the wheel of suffering, if desiring brings me into constant contact with the sensation of lack or emptiness, what can fill my emptiness?

And the answer is – the Self with a capital S is the way out of this unbridled chasing after objects. The scriptures propose a change of perspective. Not to see ourselves as the missing being, the one who grows old, gets sick, becomes poor, suffers from love, etc. But to see oneself as the one who observes all these ailments, faults and pains. See yourself as the Witness. This Witness is already full.

Vedanta leads us towards that free, full and realized being that we already are and speaks to us – if you don’t see yourself that way, Vedanta can help you take the blindfold off.  Look within yourself for what you are currently looking for outside of yourself.

Parts III and IV of the text will be available soon.

Allgemein, vedanta, yoga, yoga sutra

Sobre a felicidade / Über das Glück / About happiness

(Versão em português) * (Deutsche Version unten) * (English version bellow)

PORTUGUÊS

Vivemos a vida buscando a felicidade. Se pararmos para observar, todas as nossas ações, equivocadas ou não, têm um objetivo maior: ser feliz. E o que é a felicidade? O que é isso que tanto buscamos?

Talvez a felicidade seja algo tão grande, tão imensurável, que vem daí a dificuldade de explicar o seu significado. Com as limitações de nossa mente, podemos tocar apenas partes dela. Associá-la a um pouco de satisfação aqui, bem-estar e tranquilidade ali, um sono tranquilo acolá… Se pensamos nessas sensações e sentimentos agora citadas, tornamos essa coisa chamada felicidade um pouco mais traduzível e palpável.

A ideia desse texto surgiu porque observei em mim a sensação de satisfação e me coloquei a procurar o motivo, a causa. De onde está vindo essa sensação enquanto eu me descabelo fazendo faxina na casa? Parece que a gente sempre precisa de um motivo, de um objeto. Eu estou feliz porque… Eu estou triste porque…

Quando a gente se aprofunda no auto estudo, talvez a gente perceba que as coisas não funcionam bem assim. Passe a observar a sua mente. Ela revela coisas inusitadas, estranhas, engraçadas. Observe a mente como se você estivesse sentado na poltrona do cinema e ela fosse a tela onde você assiste o filme. Observa com curiosidade.

Talvez não seja um objeto, uma situação ou uma pessoa que determina o tipo de sentimento que vamos ter. Aqui no caso, estamos falando da sensação de satisfação. Mas o contrário. A mente está vibrando com uma qualidade ou energia ao se deparar com uma situação e ela vê essa situação de acordo com essa qualidade ou energia.

Onde eu quero chegar: é a qualidade da mente (se você está abert@, bem-humorad@, melancólico, nervos@) que determina como você vai ver o mundo. 

Por exemplo: se você não encontra uma vaga para o seu carro, você pode reagir de diferentes formas. Sentir aceitação, raiva, revolta, buscar uma solução, se ver sem saída… As reações podem ser variadas. O que vai determinar a sua reação não é a situação em si, mas a qualidade de sua mente naquele exato momento.

Voltando à felicidade… Naquele momento da limpeza do apartamento, por algum motivo, a minha mente estava vibrando com uma qualidade ou energia associada à satisfação, clareza, bem-estar. Essa qualidade é a que buscamos alcançar cada vez que nos dedicamos as práticas de yoga. Ela é chamada de sattva.

O envolvimento continuado com o auto estudo, com a reflexão tendo como base textos como o Yoga Sutra, por exemplo, nos ajuda a aprender a trazer cada vez mais a mente para essa qualidade. Nós vamos aprendendo a fazer isso não de forma inconsciente, algo por acaso, mas de forma consciente e direcionada.  E com o aprofundamento da prática, essa satisfação temporária, passageira, vai se tornando mais constante e duradoura.

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DEUTSCH

ÜBER DAS GLÜCK

Wir leben unser Leben auf der Suche nach Glück. Wenn wir innehalten und beobachten, haben alle unsere Handlungen, ob sie nun falsch sind oder nicht, ein großes Ziel: glücklich zu sein. Aber was ist Glück? Was ist es, das wir so sehr suchen? Das ist sehr schwer zu erklären.

Vielleicht ist das Glück etwas so Großes, so Unermessliches, dass es schwierig ist, seine Bedeutung zu erklären. Mit der Begrenztheit unseres Verstandes können wir nur Teile davon erfassen. Wir assoziieren es mit ein wenig Zufriedenheit , Wohlbefinden und Ruhe, einem friedlichen Schlaf… Wenn wir über diese Empfindungen und Gefühle nachdenken, machen wir das, was wir Glück nennen, ein wenig übersetzbarer, greifbarer.

Die Idee zu diesem Text entstand, weil ich ein Gefühl der Zufriedenheit bei mir selbst bemerkte und mich auf die Suche nach dem Grund, der Ursache machte. Woher kommt dieses Gefühl, während ich das Haus putze? Es muss einen Grund geben. Wir scheinen immer einen Grund zu brauchen, ein Objekt. Ich bin glücklich, weil… ich bin traurig, weil…

Wenn wir tiefer in die Philosophie des Yoga eintauchen, werden wir vielleicht feststellen, dass die Dinge nicht so funktionieren. Beginnen wir, unseren Geist zu beobachten. Er offenbart ungewöhnliche, seltsame, lustige Dinge. Beobachten wir unseren Geist, als ob wir in einem Kinosessel säßen und er die Leinwand wäre, auf der wir den Film sehen.

Vielleicht ist es nicht ein Objekt, eine Situation oder eine Person, die die Art des Gefühls bestimmt, das wir bekommen. Das Gegenteil ist der Fall. Der Geist schwingt mit einer Qualität oder Energie, wenn er auf eine Situation trifft, und er sieht diese Situation entsprechend dieser Qualität oder Energie. Was ich damit sagen will: Es ist die Qualität des Geistes (ob man offen, gut gelaunt, melancholisch oder nervös ist), die bestimmt, wie man die Welt sieht.

Ein Beispiel: Wenn wir keinen Parkplatz für das Auto finden, können wir auf unterschiedliche Weise reagieren. Man kann Akzeptanz empfinden, sich ärgern, sich auflehnen, nach einer Lösung suchen, sich ausweglos fühlen… Die Reaktionen können vielfältig sein. Was unsere Reaktion bestimmen wird, ist nicht die Situation selbst, sondern die Qualität unseres Geistes in diesem Moment. Und an verschiedenen Tagen werden die Reaktionen unterschiedlich ausfallen.

Zurück zum Glück… In dem Moment, als ich die Wohnung aufräumte, vibrierte mein Geist aus irgendeinem Grund mit einer Qualität oder Energie, die mit Zufriedenheit, Klarheit und Wohlbefinden verbunden ist. Diese Qualität ist das, was wir jedes Mal zu erreichen versuchen, wenn wir uns der Yogapraxis widmen. Sie wird sattva genannt.

Die kontinuierliche Beschäftigung mit der Yogaphilosophie, mit der Reflexion über Texte wie das Yoga Sutra, hilft uns, unseren Geist mehr und mehr auf diese Qualität auszurichten. Wir lernen, dies nicht unbewusst und zufällig zu tun, sondern bewusst und gezielt.  Und mit zunehmender Praxis wird diese vorübergehende, flüchtige Zufriedenheit immer beständiger und dauerhafter.

*
ENGLISH

ABOUT HAPPINESS

We live our lives seeking happiness. If we observe, all our actions, whether mistaken or not, have one major goal: to be happy. And what is happiness? What is it that we seek so much?

Perhaps happiness is something so great, so immeasurable, that it’s difficult to explain its meaning. With the limitations of our minds, we can only touch parts of it. We associate it with a little satisfaction here, well-being and tranquillity there, a peaceful sleep… If we think about these sensations and feelings, we make this thing called happiness a little more translatable, tangible.

The idea for this text came about because I noticed a feeling of satisfaction in myself and set out to find the reason, the cause. Where is this feeling coming from while I’m cleaning the house? There must be a reason. We always seem to need a reason, an object. I’m happy because… I’m sad because…

When you delve deeper into the philosophy of yoga, you may realize that things don’t work quite like that. Start observing your mind. It reveals unusual, strange, funny things. Observe your mind as if you were sitting in a movie seat and it were the screen on which you were watching the film.

Perhaps it’s not an object, a situation or a person that determines the kind of feeling we’re going to have. In this case, we’re talking about the feeling of satisfaction. But the opposite. The mind is vibrating with a quality or energy when it encounters a situation and it sees that situation according to that quality or energy. What I’m getting at: it’s the quality of the mind (whether you’re open, humorous, melancholic, nervous) that determines how you see the world.

For example: if you can’t find a parking space for your car, you can react in different ways. You can feel acceptance, anger, revolt, search for a solution, find yourself with no way out… The reactions can be varied. What will determine your reaction is not the situation itself, but the quality of your mind at that very moment. And on different days, the reactions will be different.

Back to happiness… At that moment of cleaning the apartment, for some reason, my mind was vibrating with a quality or energy associated with satisfaction, clarity and well-being. This quality is what we seek to achieve every time we dedicate ourselves to yoga practices. It is called sattva.

Continued involvement with yoga philosophy, with reflection based on texts such as the Yoga Sutra, helps us learn to bring our minds more and more to this quality. We learn to do this not unconsciously, by chance, but consciously and with direction.  And as the practice deepens, this temporary, fleeting satisfaction becomes more constant and lasting.

Allgemein

Herausforderung auf dem spirituellen Weg…

(Versão em português abaixo) * (English version bellow)
Grande desafio no caminho espiritual… * A great challenge on the spiritual path…

DEUTSCH

Die vedische Kultur ist so sehr von Spiritualität durchdrungen, dass sie sich im täglichen Leben, in der Musik und in der Literatur offenbart. Spiritualität lauert hinter jeder Ecke, inmitten des chaotischen und nicht konfliktfreien Alltagslebens, das wir in Indien erleben. Das klassische indische Epos Mahabharata ist ein gutes Beispiel dafür. Darin sehen wir die Gegensätze, die den Menschen antreiben. Die Entschlossenheit, den Weg der Selbsterforschung zu beschreiten – das zu tun, was notwendig und richtig ist, um zur Selbsterkenntnis zu gelangen – geht Hand in Hand mit ihrem Gegenteil. Diese beiden Polaritäten mit ihren unterschiedlichen Intensitätsgraden sind in uns und erzeugen Konflikte in uns und um uns herum.

Ich kann nicht umhin, mich an das Gleichnis des Wolfes zu erinnern:

Wir haben zwei verschiedene Wölfe in uns. Der eine steht für Neigungen wie Anhaftung, Besitzdenken, Zorn, Neid, Eifersucht, Gier, Stolz, Groll, Angst, Schuld, Arroganz, Kleinlichkeit und so weiter. Der andere steht für das Gegenteil. Welchen der beiden Wölfe wir füttern, ist eine große Lernherausforderung, die uns das Leben bietet.

Als ich die Audios der brasilianischen Vedanta-Lehrerin Glória Arieira hörte, die das Mahabharata wunderbar erzählt, kamen wir an das Ende des ersten Kapitels. Es endet mit der Begegnung des Kriegers Arjuna und des Avatars Krishna mit dem Weisen Agni, dessen Übersetzung Feuer ist. Das Ende seiner Erzählung bringt eine schöne Lehre, die ich am Ende dieses Textes mit euch teilen werde.

Agni sagt, dass er sehr hungrig ist und dass nur sie seinen Hunger stillen können. Sie bieten ihm an, ihm die Nahrung zu geben, die er braucht. Dann offenbart er, dass er in Wirklichkeit den gesamten dichten, dunklen Khandava-Wald, den sie vor sich sehen, verschlingen muss. Da die Natur des Feuers darin besteht, zu erhitzen, zu verbrennen, können wir verstehen, was mit dem Verschlingen gemeint ist, auf das sich Agni bezieht.

Wie die vedische Tradition vorschreibt, kann die Bitte eines brahman (Priester) nicht abgelehnt werden. Arjuna und Krishna erklären sich daraufhin bereit, die Hindernisse zu beseitigen, die der Tat, dem Verbrennen des Waldes, im Wege stehen, sagen aber, dass sie dazu einen Wagen und die nötigen Waffen benötigen. Und so werden ihnen die Waffen angeboten, die später im Kampf gegen die Kräfte eingesetzt werden, die den Weg zur Selbsterkenntnis unterdrücken.

Mit den Waffen aus der Episode mit Agni besiegen Arjuna und seine Armee unter der Führung Krishnas später die Unterdrückung durch den Tyrannen Duryodhana. Sobald der Krieg vorbei ist, wendet sich Krishna an Arjuna und bittet ihn, aus dem Wagen auszusteigen, der sie während des Krieges gefahren hat. Sobald er aus dem Streitwagen aussteigt, verschwindet es einfach.

Die Vedanta Lehrerin stellt dann eine schöne Parallele zum Leben her, die ich in meinen eigenen Worten und Überlegungen beschreibe:

Die Existenz von allem um uns herum hat eine Dauer, eine Gültigkeit. Alle Werkzeuge, die wir vom Leben erhalten, sind uns gegeben, um uns im Sinne des Selbststudiums und der Selbsterkenntnis zu dienen, mit Respekt und Sorgfalt für alles um uns herum. Unsere spirituelle Entwicklung hängt vom angemessenen Gebrauch dieser Werkzeuge ab, mit der richtigen Einstellung.

Und ich denke wieder an das Gleichnis vom Wolf. Welchen Wolf füttern wir mit den Ressourcen, die uns die Existenz bietet?

Und dann kommt das Ende der Überlegungen. Wenn jedes dieser Mittel, die uns angeboten wurden, seine Funktion erfüllt hat, sind sie dazu verdammt, zu verschwinden, wie der Wagen und die Waffen, die im Krieg gegen Duryodhana verwendet wurden. Wir können hier Parallelen zu Menschen, Gütern, Arbeitsplätzen usw. ziehen. Wie viele Dinge haben wir im Leben verloren? Wie war unsere Einstellung zum Verlust? Oft klammern wir uns an das, was wir einmal hatten, an das, was uns gegeben wurde, und wir bleiben in einer Idee, einer Erinnerung, einer Vergangenheit stecken. Wir erkennen nicht, dass das Leben das Kapitel dreht und dass es an der Zeit ist, sich mit anderen Dingen und Situationen zu verbinden.

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PORTUGUÊS

UM GRANDE DESAFIO NO CAMINHO ESPIRITUAL…

A cultura védica está tão embebida de espiritualidade, que ela se revela no cotidiano, através das músicas, da literatura. A espiritualidade nos espreita em cada esquina, em meio ao cotidiano caótico e não sem conflitos que presenciamos na Índia. O épico clássico indiano Mahabharata é um grande exemplo disso. Nele vemos as polaridades que movem o ser humano. A determinação em seguir o caminho da auto investigação — daquilo que é necessário e correto ser feito para que possamos seguir no sentido do autoconhecimento – anda, lado a lado, com o seu oposto. Essas duas polaridades, com seus graus de intensidade, estão em nós e geram conflito interno e a nossa volta.

Não posso deixar de lembrar da parábola do lobo:

Nós temos dentro de nós dois lobos diferentes. Um deles representa propensões como apego, possessividade, raiva, inveja, ciúme, ganância, orgulho, ressentimento, medo, culpa, arrogância, mesquinhez e assim por diante. O outro representa o oposto. Qual dos lobos nós vamos alimentar é um grande desafio de aprendizado que a vida nos oferece.

Escutando áudios da professora de Vedanta brasileira Glória Arieira, que narra o Mahabharata lindamente, chegamos ao final do primeiro capítulo. Ele termina com o encontro do guerreiro Arjuna e do avatar Krishna com o sábio Agni, cuja tradução é fogo. E o final da sua narração traz um bonito ensinamento, que eu divido com vocês no final deste texto.

Agni diz que tem muita fome e que só eles podem saciar essa fome que ele sente. Eles se prontificam a dar a ele o alimento que precisa. Ele então revela que, o que de fato precisa é devorar toda a floresta Khandava, densa e escura, que eles veem diante de si. Como a natureza do fogo é aquecer, queimar, podemos entender o que significa o devorar a que Agni se refere.

Como a tradição védica determina, não se pode negar o pedido de um brahmane (sacerdote). Arjuna e Krishna então concordam em eliminar os obstáculos que impedem o feito, a queima da floresta, mas dizem que para isso precisam de um carro e das armas necessárias. E então, a eles são oferecidas as armas que depois serão usadas na luta contra as forças que oprimem o caminho rumo ao  autoconhecimento.

Usando as armas do episódio envolvendo Agni, Arjuna e seu exército, guiados por Krishna, vencem mais tarde a opressão do tirano Duryodhana na guerra de Kurukshetra. Assim que a guerra acaba, Krishna vira-se para Arjuna e pede para ele sair do carro que os conduziu durante a guerra. Assim que ele desce do carro, o mesmo simplesmente desaparece.

A professora faz então um bonito paralelo com a vida, que eu descrevo com minhas palavras e reflexões:

A existência de tudo o que há ao nosso redor tem uma duração, uma validade. Todas as ferramentas que recebemos da vida nos são ofertadas para nos servir no sentido do auto estudo e autoconhecimento, com respeito e cuidado a tudo o que nos cerca. A nossa evolução espiritual depende do uso apropriado dessas ferramentas, com a atitude apropriada.

E volto a pensar na parábola do lobo. Que lobo estamos alimentando com os recursos que nos são ofertados pela existência?

E então vem o desfecho da reflexão. Quando cada um desses recursos que nos foram ofertados cumprem a sua função, eles estão fadados a desaparecer, como o carro e as armas usados na guerra de Kurukshetra contra Duryodhana. Nós podemos fazer aqui um paralelo com pessoas, bens, emprego etc. Quantas coisas já não perdemos na vida? Qual foi a nossa atitude diante da perda? Muitas vezes, nós nos apegamos ao que um dia possuímos, que nos foi ofertado, e ficamos presos a uma ideia, uma memória, um passado. Não conseguimos perceber que a vida está virando o capítulo e que é hora de se ligar a outros objetos e situações.

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ENGLISH

A GREAT CHALLENGE ON THE SPIRITUAL PATH…

Vedic culture is so steeped in spirituality that it reveals itself in everyday life, through music and literature. Spirituality lurks around every corner, in the midst of the chaotic daily life and not without conflict that we witness in India. The classic Indian epic Mahabharata is a great example of this. In it we see the polarities that drive human beings. The determination to follow the path of self-inquiry – of what is necessary and right to be done so that we can move towards self-knowledge – goes hand in hand with its opposite. These two polarities, with their degrees of intensity, are in us and generate conflict within and around us.

I can’t help but remember the parable of the wolf:

We have within us two different wolves. One represents propensities such as attachment, possessiveness, anger, envy, jealousy, greed, pride, resentment, fear, guilt, arrogance, pettiness and so on. The other represents the opposite. Which of the wolves we feed is a great learning challenge that life offers us.

Listening to audios by Brazilian Vedanta teacher Glória Arieira, who narrates the Mahabharata beautifully, we come to the end of the first chapter. It ends with the meeting of the warrior Arjuna and the avatar Krishna with the sage Agni, whose translation is fire. And the end of his narration brings a beautiful teaching, which I’ll share with you at the end of this text.

Agni says that he is very hungry and that only they can satisfy his hunger. They offer to give him the food he needs. He then reveals that what he really needs is to devour the entire dense, dark Khandava forest that they see before them. Since the nature of fire is to heat, to burn, we can understand what is meant by the devouring to which Agni refers.

As the Vedic tradition dictates, the request of a brahman (priest) cannot be denied. Arjuna and Krishna then agree to remove the obstacles preventing the deed, the burning of the forest, but say that to do so they need a chariot and the necessary weapons. And so, they are offered the weapons that will later be used in the fight against the forces that oppress the path towards self-knowledge.

Using the weapons from the episode involving Agni, Arjuna and his army, guided by Krishna, later defeat the oppression of the tyrant Duryodhana in the Kurukshetra war. As soon as the war is over, Krishna turns to Arjuna and asks him to get out of the car that drove them during the war. As soon as he gets out of the car, it simply disappears.

The teacher then makes a beautiful parallel with life, which I describe in my own words and reflections:

The existence of everything around us has a duration, a validity. All the tools we receive from life are offered to us to serve us in the sense of self-study and self-knowledge, with respect and care for everything around us. Our spiritual evolution depends on the appropriate use of these tools, with the appropriate attitude.

And I think again of the parable of the wolf. Which wolf are we feeding with the resources offered to us by existence?

And then comes the end of the reflection. When each of these resources that have been offered to us fulfills its function, they are doomed to disappear, like the car and the weapons used in Kurukshetra’s war against Duryodhana. We can draw a parallel here with people, goods, jobs, etc. How many things have we lost in our lives? What was our attitude towards loss? Often, we cling to what we once had, what was given to us, and we get stuck in an idea, a memory, a past. We fail to realize that life is turning the corner and that it’s time to connect with other objects and situations.

Allgemein

Löwenzahn, das Gold der Narren

Dente de Leão, ouro de tolo * Dandelion, fool’s gold

(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

DEUTSCH

Ich kam früh im Yogastudio an. In einer Ecke in der Nähe der Eingangstür des Gebäudes sah ich leuchtend gelbe Blumen. Das Grau umarmte uns. Die Blumen kontrastierten mit der bleiernen Farbe der Wände des Gebäudes. Diese Blumen, dieses Gelb, erwärmten die Seele. Als ich mich näherte, um die Szene zu fotografieren, fiel mir schnell ein, dass die Blätter Löwenzahn waren, aber die Blumen… Die Blumen rochen nach Betrug. Der Gedanke kam wie ein Blitz, aber ich ignorierte ihn und blieb auf die Freude über das helle, warme Gelb an diesem kalten, grauen Morgen fixiert.

Wenig später trafen die Teilnehmer der Yogagruppe ein.  Zwei kamen herein und einer von ihnen kommentierte die Blumen. „Wow“, sagte ich. „Ich habe sogar sie fotografiert“. Dann sagte sie: „Sie sind aus Plastik.“ Ich war verblüfft. Natürlich rochen die Blumen nach Betrug…

Ich dachte an den weisen Patanjali, der mich Yoga in Theorie und Praxis lehrt. Ja, unsere Wahrnehmung ist begrenzt. Sie ist konditioniert. Wir sehen die Welt entsprechend unseren Gewohnheiten, Wünschen, Abneigungen und so weiter.

Der Schüler stieß auf die Blume und ging, von Misstrauen getrieben, hin, um sie zu untersuchen, um sie zu berühren, um herauszufinden, ob sie echt war oder nicht. Ich blieb bei meinem gelben Wunsch hängen. In Brasilien gibt es einen populären Ausdruck, wenn man etwas Unwirkliches für echt hält: Narrengold. Das leuchtend goldene Metall ist so attraktiv, dass wir Messing als Edelmetall ansehen.

Später erzählte ich D. von der Blume. Er sagte: „Am Donnerstag bin ich zum Studio gegangen und habe die Blume von weitem gesehen.“ Da dachte ich: „Wir haben wirklich ein ernstes Problem mit dem Klimawandel. Zu dieser Jahreszeit gibt es keinen blühenden Löwenzahn.“ Als er sich der Blume näherte, stellte er fest, dass sie aus Plastik war. Als er mir seine Gedanken über die Blume erzählte, dachte ich: „Interessant, D. beschäftigt sich sehr intensiv mit Informationen über den Klimawandel, es ist ein Thema, das ihn interessiert und beunruhigt. Jeder Geist bewegt sich zwischen seinen Themen.“

Dieser Löwenzahn ist für mich ein Kunstwerk, Street Art. Sie kann ein Auslöser sein, um uns zum Nachdenken über Wahrnehmung und Illusion anzuregen, um uns von einem Zustand der Ablenkung in einen Zustand der Aufmerksamkeit zu bringen. Wann immer wir etwas sehen, das uns auffällt, das merkwürdig erscheint, richten wir unsere Aufmerksamkeit darauf, und das ist eine wichtige Arbeit in der Yogapraxis. Wir trainieren den Geist, sich immer mehr zu konzentrieren.

Ein paar Tage später traf ich mich mit meinem Freund M., dem Autor des Werks. Er zeigte mir voller Freude seine neue Arbeit für ein Schaufenster. Er schafft Texturen, die Felsen imitieren. Leider hatte ich keine Zeit, ihm zu erzählen, wie seine Blume bei einigen von uns Gedanken auslöst.

Als ich sein Atelier verließ, musste ich unwillkürlich an Maya denken. Maya ist ein Konzept, das in einer östlichen Denkschule namens Vedanta verwendet wird, die darüber spricht, was wir sind.

Bin ich der Körper, der Geist, die Gedanken, die Persönlichkeit? Oder bin ich etwas anderes? Der Vedanta hilft uns, tief in diese Richtung zu blicken.

Maya ist Illusion, das, was nicht real ist. In einigen seiner Werke versucht M., Imitationen von Objekten in der Welt zu schaffen – Stein, Schnee usw. Aber jede Kopie, jede Imitation, egal wie gut sie gemacht ist, denunziert ihre Unwirklichkeit, sie riecht nach Betrug. 

Der Vedanta zeigt uns, dass die Welt Maya ist. Alles, was wir sehen, ist eine Illusion. Das bedeutet nicht, dass es keine Objekte gibt. Dass der Anblick von Autos, Tieren und Menschen, die die Straße entlanglaufen, nur eine Halluzination ist. Nein. Vielleicht wäre es einfacher, wenn wir Maya auf diese Weise erklären könnten.

Maya prangert an, dass all diese Dinge vergänglich sind, dass sie geboren werden und sterben, erscheinen und verschwinden. Dass das, was wir sehen, nur Schleier sind, die die Existenz verdecken. Und dass wir die Schleier lüften müssen, um die Wirklichkeit zu sehen. Was die Wahrnehmung trüb und begrenzt macht, ist die Anhaftung an diese Schleier. Verlangen, Abneigung, Angst und Konditionierung sind alles Schichten, die die Wahrheit verdecken.

Maya… Die Illusion ist es, die uns antreibt, auf die Suche nach der Wahrheit zu gehen.

Wir klammern uns an die Objekte der Welt — unsere Wahrnehmung, Interpretation, Meinung, Vision — als ob sie real wären. Wir sehen Ewigkeit, Vollständigkeit, Erfüllung, Zufriedenheit, wo es keine gibt. So wie ich mich an das warme Gelb der Blume an diesem grauen Morgen klammerte. Genauso wenig wie ich unbewusst von dem Gedanken angetan war, dass die Blume nach Betrug roch. Ich wurde von der Sehnsucht nach dem Frühling mitgerissen.

Wenigstens waren die Blumen aus Plastik, haltbarer als die echten. Nicht so lange haltbar… Am Montag konnten sie die bleigraue Wand nicht mehr aufhellen. Vielleicht war die Reinigungskraft früh da, und während sie sich auf die anstehenden Reinigungsarbeiten konzentrierte, schaute sie auf diesen Gegenstand und dachte unbewusst: „Das ist Müll.“ Oder sie hat es einfach zusammengekehrt und in den Mülleimer geworfen, während sie an etwas anderes dachte.

*

PORTUGUÊS

DENTE DE LEAO, OURO DE TOLO

Cheguei cedo no Studio de yoga. Num canto perto da porta de entrada do prédio vi flores de um amarelo vivo e vibrante. O cinza abraçava a gente. As flores contrastavam com a cor de chumbo da parede do prédio. Aquelas flores, aquele amarelo aqueceram a alma. Ao me aproximar para fotografar a cena, passou rapidamente pela minha mente que as folhas eram de dente de leão, mas as flores… As flores cheiravam a falcatrua. O pensamento veio como um flash, mas eu os ignorei e continuei fixa na alegria do amarelo vivo, quente, na manhã fria e cinza.

Um pouco mais tarde participantes do grupo de yoga começaram a chegar.  Duas alunas entraram e uma delas comentou sobre as flores. “Nossa”, falei… “Até deu vontade de tirar uma foto”. Ela então disse: “são de plástico.” Eu fiquei perplexa. Claro, as flores cheiravam a falcatrua…

Pensei no sábio Patanjali que me ensina Yoga na teoria e na prática. Sim, a nossa percepção é limitada. Ela é condicionada. Nós vemos o mundo de acordo com os nossos hábitos, desejos, aversões e por aí vai.

A aluna se deparou com a flor e impulsionada pela suspeita foi checar, tocar, investigar se ela era real ou não. Eu fiquei presa ao meu desejo amarelo. No Brasil há uma expressão popular, quando a gente toma algo irreal por real: ouro de tolo. O metal dourado vibrante é tão atraente, que a gente vê no latão o metal nobre.

Logo mais, contei para D. sobre a flor. Ele disse: “na quinta-feira eu fui dar aula e vi a flor de longe.” Então pensei: “realmente, temos um problema grave de mudança climática. Nessa época do ano, não tem dente de leão florido.” Ao se aproximar da flor, ele constatou que ela era de plástico. Quando ele me contou os seus pensamentos diante da flor, eu pensei: “interessante, D. se ocupa muito com informações sobre mudanças climáticas, é um tema que o interessa e preocupa. Cada mente transita entre os seus temas.”

Esse dente de leão é para mim uma obra artística, street art. Ela pode ser um gatilho para nos fazer pensar sobre a percepção, a ilusão, para nos levar de um estado de distração para um estado de atenção. Sempre que vemos algo que se destaca, que parece curioso, focamos a atenção, e esse é um trabalho importante na prática do yoga. Nós treinamos a mente para ela ficar cada vez mais focada.

Alguns dias depois, encontrei o meu amigo M., o autor da obra. Ele me mostrou alegre o novo trabalho que faz para a vitrine de uma loja. Ele cria texturas que imitam rochas. Infelizmente não tive tempo para contar para ele como a sua flor mobilizou pensamentos em alguns de nós.

Ao sair do seu atelier, não pude deixar de pensar em Maya. Maya é um conceito usado em uma escola de pensamento oriental chamada Vedanta, que fala sobre aquilo que somos. Quem sou eu? Eu sou o corpo, a mente, os pensamentos, a personalidade? Ou seria EU alguma uma outra coisa? Vedanta nos ajuda a ir fundo em reflexões nessa direção.

Maya é ilusão, aquilo que não é real. Em alguns de seus trabalhos, M. procura criar imitações  de objetos do mundo – pedra, neve etc. Mas toda a cópia, toda a imitação, por mais bem feita que seja, denuncia sua irrealidade, cheira a falcatrua.  

Vedanta nos mostra que o mundo é Maya. Tudo o que nós vemos é uma ilusão. Isso não significa que os objetos não tenham existência. Que ver carros, animais, pessoas transitando na rua não passe de uma alucinação. Não. Talvez fosse mais simples se pudéssemos explicar Maya dessa forma.

Maya denuncia que todas essas coisas são passageiras, elas nascem e morrem, surgem e desaparecem. Que o que nós vemos são apenas véus encobrindo a existência. E que é preciso levantar os véus para ver a realidade. O que torna a percepção nublada, limitada é o apego a esses véus. O desejo, a aversão, o medo, os condicionamentos são camadas que encobrem a verdade.

Maya… A ilusão é aquilo que nos impulsiona a ir em busca da verdade.

Nós nos agarramos aos objetos do mundo, a nossa percepção, interpretação, opinião, visão como se fossem reais. Nós vemos eternidade, completude, saciedade, satisfação onde não há. Assim como eu me apeguei ao amarelo quente da flor, na manhã cinza. Assim como eu inconscientemente não fui levada pelo pensamento de que a flor cheirava a falcatrua. Eu fui levada pelo desejo primaveril.

Pelo menos as flores eram de plástico, mais duradouras do que as reais. Nem tão duradouras… Na segunda-feira, elas não podiam mais alegrar a parede cinza chumbo. Talvez o faxineiro tenha chegado ali cedo e com a atenção direcionada para a limpeza que tinha que fazer, tenha olhado aquele objeto, e inconscientemente pensado: “é lixo.” Ou simplesmente varreu e colocou no lixo, enquanto pensava em toura coisa.

*

ENGLISH

DANDELION, FOOL´S GOLD

I arrived early at the yoga studio. In a corner near the building’s entrance door I saw bright, vibrant yellow flowers. The gray embraced us. The flowers contrasted with the leaden color of the building’s walls. Those flowers, that yellow warmed the soul. As I approached to photograph the scene, it quickly crossed my mind that the leaves were dandelion, but the flowers… The flowers smelled like a cheat. The thought came to me like a flash, but I ignored it and remained fixated on the joy of the bright, warm yellow in the cold, gray morning.

A little later, participants from the yoga group began to arrive.  Two students came in and one of them commented on the flowers. „Wow,“ I said. „It made me want to take a picture“. She then said: „They’re plastic.“ I was perplexed. Of course, the flowers smelled like a cheat…

I thought of the wise Patanjali who teaches me yoga in theory and practice. Yes, our perception is limited. It is conditioned. We see the world according to our habits, desires, aversions and so on.

The student came across the flower and, driven by suspicion, went to check it out, to touch it, to investigate whether it was real or not. I was stuck with my yellow desire. In Brazil there is a popular expression when we take something unreal for real: fool’s gold. The vibrant gold metal is so attractive that we see brass as noble metal.

Later, I told D. about the flower. He said: „On Thursday as I came I saw the flower from afar.“ Then I thought: „We really do have a serious climate change problem. At this time of year, there are no dandelions in bloom.“ As he approached the flower, he realized that it was made of plastic. When he told me his thoughts about the flower, I thought: „Interesting, D. is very preoccupied with information about climate change, it’s a topic that interests and worries him. Each mind moves between its own themes.“

This dandelion is for me a work of art, street art. It can be a trigger to make us think about perception, illusion, to take us from a state of distraction to a state of attention. Whenever we see something that stands out, that seems curious, we focus our attention, and this is important work in yoga practice. We train the mind to become more and more focused.

A few days later, I met up with my friend M., the author of the work. He happily showed me his new work for a store window. He creates textures that imitate rocks. Unfortunately, I didn’t have time to tell him how his flower had stirred up thoughts in some of us.

As I left his studio, I couldn’t help but think of Maya. Maya is a concept used in an Eastern school of thought called Vedanta, which talks about who we are. Who am I? Am I the body, the mind, the thoughts, the personality? Or am I something else? Vedanta helps us to go deep into reflections in this direction.

Maya is illusion, that which is not real. In some of his works, M. tries to create imitations of objects of the world – stone, snow, etc. But every copy, every imitation, no matter how well made, denounces its unreality and smells of deceit. 

Vedanta shows us that the world is Maya. Everything we see is an illusion. This doesn’t mean that objects don’t exist. That seeing cars, animals and people on the street is just a hallucination. No. Perhaps it would be simpler if we could explain Maya in this way.

Maya denounces that all these things are fleeting, they are born and die, appear and disappear. That what we see are only veils covering existence. And that we must lift the veils to see reality. What makes perception cloudy and limited is attachment to these veils. Desire, aversion, fear and conditioning are all layers that cover up the truth.

Maya… Illusion is what drives us to go in search of the truth.

We cling to the objects of the world, our perception, interpretation, opinion, vision as if they were real. We see eternity, completeness, satiety, satisfaction where there is none. Just as I clung to the warm yellow of the flower on the gray morning. Just as I was unconsciously not carried away by the thought that the flower smelled of deceit. I was carried away by springtime desire.

At least the flowers were plastic, more durable than the real thing. Not so long-lasting… On Monday, they could no longer brighten up the lead gray wall. Perhaps the cleaner arrived there early and, with his attention focused on the cleaning he had to do, looked at that object and unconsciously thought: „It’s garbage.“ Or simply swept it up and put it in the garbage can, while thinking about something else.

Allgemein

Das Training des Geistes

(Versão em português abaixo) 

Im Gespräch mit einer Freundin sind wir auf das Thema Gewalt gestoßen. Wir sprachen über Wut und Empörung und auch über Mitgefühl. Wir haben darüber nachgedacht, wie Wut uns verzehrt, aufregt und uns Energie entzieht. Und wir haben uns gefragt, wie wir mit diesem Gefühl umgehen können, das bedrückend sein kann.

Wenn ich über seelische Dinge nachdenke, betrachte ich das Thema schließlich aus der Perspektive des Yoga. Meine Freundin interessiert sich für gewaltfreie Kommunikation. 

Ich musste an die Tänzer denken. Wie sie regelmäßig und stundenlang trainieren, um die Kontrolle über ihren Körper zu erlangen. Um Flexibilität, Kraft, Leichtigkeit und Fließfähigkeit zu beherrschen. Das erfordert intensives Training. Der Körper gewinnt dann ein unvermeidliches Gedächtnis während dieser Trainingseinheiten. Die Erinnerung bleibt dort lebendig, gegenwärtig, in den Körper eingraviert. 

Diejenigen, die Yoga und Vedanta lernen, werden ständig mit Themen der Kontrolle des Geistes konfrontiert, damit er nicht abdriftet, damit er uns nicht mit endlosen Wünschen und Forderungen versklavt. Damit er weniger Konflikte und Probleme schafft und uns mehr Lösungen und Frieden bietet. Damit der Geist unter unserer Kontrolle steht und wir ihm nicht unterworfen sind.  

Die Kontrolle des Geistes zu erlangen, ist eine wichtige Aufgabe für diejenigen, die die Wege des Yogas beschreiten möchten.  Genau wie Tänzer muss man trainieren und trainieren, täglich, unermüdlich.

Das Training des Geistes erinnert sehr an das Training von Tänzern. Es ist eine Herausforderung und kann Schmerzen und Unbehagen verursachen. Aber es ist eine schöne Arbeit, voller Überraschungen und sehr lohnend. 

Auf dem Bild ist die Haltung Natarajasana zu sehen, die dem Gott des Tanzes, Shiva Nataraja, zugeordnet ist. Es wurde in Parati, Rio de Janeiro, aufgenommen. Es war für mich schwer, auf dem Felsen zu balancieren. Und manchmal kann es auch im Leben ziemlich schwer sein, ein Gleichgewicht herzustellen. 

CONTROLE DA MENTE

Conversando com uma amiga, caímos no tema violência. Falamos sobre raiva e revolta e também sobre empatia e compaixão. Pensamos como a raiva nos consome, nos agita, esgota a nossa energia. E nos perguntamos como conseguimos lidar com esse sentimento que pode ser opressor.

Quando penso nessas coisas da alma, eu acabo observando o assunto pelo viés do Yoga. E ela se interessa por comunicação não violenta.

Eu fiquei pensando nos dançarinos… Como eles treinam, horas e horas, regularmente, para ganhar controle sobre o corpo. Para ter domínio sobre flexibilidade, força, leveza, fluidez… É preciso um treinamento intenso. O corpo ganha então uma memória incontornável durante esses treinos. A memória fica ali viva, presente, gravada no corpo.

Quem estuda Yoga e Vedanta, se depara constantemente com assuntos relativos ao controle da mente, para que ela não fique à deriva, para que ela não nos escravize com demandas e vontades sem fim. Para que ela crie menos problemas e conflitos e nos ofereça mais soluções e paz. Para que a mente esteja sob a nossa batuta e não nós submetidos a ela…

Ganhar controle sobre a mente é uma importante missão para quem quer desbravar os caminhos do yoga. Assim como os dançarinos, é preciso também treinar e treinar, diariamente, incansavelmente. O treino da mente lembra muito o treino dos bailarinos: é desafiante e pode causar dor e desconforto… Mas é um trabalho bonito, cheio de surpresas e muito gratificante.

Aí na foto a postura Natarajasana, relacionada com o Deus da Dança, Shiva Nataraja. Ela foi tirada em Parati, em 2016. Foi difícil me equilibrar na pedra… E às vezes também pode ser bem duro se equilibrar na vida.

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DAS NEUE JAHR

(Versão em português abaixo) 

Zum Jahreswechsel 2022-2023 verspürte ich nicht den Drang, eine Bilanz des zu Ende gehenden Jahres zu ziehen und über die Aussichten für das neue Jahr nachzudenken. Aber selbst wenn dies nicht bewusst geschah, geschah es unbewusst. Mein Verstand verarbeitete irgendwie die Ereignisse des Jahres 2022 und fragte sich: Was nun? Was wird im Jahr 2023 kommen?

Vor dem Ende des Jahres 2022 habe ich mich selbst gefragt: „Wenn ich wüsste, dass ich morgen sterben würde, was würde mir den größten Schmerz bereiten, den ich zurücklassen müsste?“

Die Frage hat mich überrascht und mich zum Nachdenken gebracht, dass das, was ich am schmerzhaftesten hinter mir lassen muss, meine Bindungen an Menschen oder Dinge sind. Es ist das, was ich fürchte, zu verlieren, nicht zurückzugewinnen, nicht zu erobern. Es ist das, was meine Freiheit, ungebunden durch die Welt zu gehen, überschattet. Es ist das, was mich abhängig von etwas macht.

Und was nun? Was wird der Wind im Jahr 2023 bringen? Als mir diese Frage in den Sinn kam, sah ich mich anders als in den vergangenen Jahren. Ich habe mich nicht wiedererkannt. Ich habe immer dazu tendiert, zu projektieren, zu planen, aber ich habe einfach noch keine konkreten Pläne für 2023.  Werde ich im Jahr 2023 auf dem Trockenen sitzen?

Während ich diesen Text schreibe, denke ich, dass… Wenn ich mir im Jahr 2023 einen einzigen Plan, einen einzigen Wunsch erfüllen könnte, wäre es der folgende:

„Möge ich wie ein Boot sein, das mit dem Geschmack des Lebens fließt. Möge das Leben mich dorthin führen, wohin es mich führen soll. Und möge ich den Mut haben, mich nicht zu widersetzen. Möge ich den Mut haben, mich selbst aufzugeben.“

Das war’s.

*

O NOVO ANO

Na virada do ano 2022-2023, eu não senti o impulso de fazer um balanço sobre o ano que estava prestes a terminar e de pensar nas perspectivas para o ano novo. Mas mesmo que isso não tenha ocorrido conscientemente, ocorreu de forma inconsciente. A minha mente estava de alguma forma processando os acontecimentos de 2022 e se perguntando: E agora? E 2023? O que os ventos vão trazer?

Antes do final de 2022, eu me vi me perguntando: „se eu soubesse que iria morrer amanhã, o que me causaria mais dor de deixar para trás?“ A pergunta me surpreendeu e me fez pensar que o que eu tenho mais dor de deixar para trás são os meus apegos. É aquilo que eu temo perder, não recuperar, não conquistar… É aquilo que ofusca a minha liberdade de fluir sem amarras pelo mundo.

E agora? O que os ventos vão trazer, hein? Quando essa pergunta surgiu em minha mente, assim, como quem não quer nada, entre uma atividade e outra, eu me vi diferente de anos anteriores… Eu não me reconheci. Eu simplesmente não tenho planos concretos para 2023. Eu sempre tive a tendência de projetar, arquitetar, planejar… Será que eu vou ficar à deriva em 2023?

Agora, quando escrevo esse texto, penso que… na verdade, se eu pudesse realizar um plano, um único desejo em 2023, ele seria o seguinte:

„Que eu possa ser como um barco, que flui ao sabor da vida. Que a vida me leve, para onde ela deve me levar. E que eu tenha a coragem de não resistir. Que eu tenha a coragem de me entregar.“

É isso.

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Der Schein kann trügerisch sein

(Versão em português abaixo) * (English version bellow)

Kürzlich las ich in einem Buch von Jack Kornfield einen kurzen Bericht über die Geschichte von Salam, der in Jerusalem lebte und als Journalist und Aktivist tätig war. Wegen seiner politischen Ideen wurde er verhaftet und grausam gefoltert. Während einer der Folterungen, als die Polizisten Salam für tot hielten, erlebte er etwas, das sein Selbstverständnis veränderte.

Er wurde von einer tiefen Klarheit und Weisheit über sein Wesen durchflutet. Ein tiefer Frieden durchströmte ihn. Als Zeuge sah er seinen Körper auf dem Boden liegen. Der Körper auf dem Boden war er. Aber das war der Stiefel des Folterers auch. Das Gleiche galt für die Farben an den Wänden der Zelle, das Kreischen der Ziege, das von draußen kam, den Schmutz unter den Nägeln des Folterers…

Wenn alles er war, überlegte er, wie konnte er dann sterben?

Wenn wir die Natur genauer beobachten, können wir feststellen, dass es ein Netzwerk gibt, das scheinbar unterschiedliche Objekte miteinander verbindet. Der Regen, die Sonne, die Erde, die Früchte, die Blumen, die Blätter… Der Regen, die Erde und die Sonne sind in der Knospe; die Knospe ist im Baum, in den Blättern, in den Blüten und in der Frucht; die Blätter, die auf den Boden fallen, nähren die Erde und bilden den lebenden Baum und alle seine Bestandteile; in der Frucht sind die Sonne, der Regen, die Blätter, die auf den Boden fallen, die Energie des Baumes und so weiter.

Wo ist die Trennung zwischen den scheinbaren Teilen? Wo beginnt der eine Teil und wo endet der andere? Wenn sich alles ständig selbst trägt und verwandelt, wo ist dann der Tod? Wenn es einen möglichen Tod gibt, dann ist es der Tod der Individualität, der Spaltung. Und dieses Verständnis führt zur Verstärkung der Idee der Verbundenheit, der Nicht-Trennung von allem im Feld der Existenz – vom Gröbsten bis zum Feinsten.

Der Text Yoga-Sutra von Patanjali zeigt uns, dass es für den Geist angemessen ist, in unseren Interaktionen mit der Welt den umgekehrten Weg einzuschlagen: von der gröbsten Schicht oder Erscheinung zur subtilsten. Auf diese Weise können wir ein höheres Verständnis entwickeln.

Sutra I.17 vitarka-vicāra-ānanda-asmitārūpa-anugamāt-saṃprajñātaḥ

Hier sind die Schichten, die der Geist bei seinen Interaktionen durchläuft:

1. vitarka rūpa – Der Geist konzentriert sich bei seinen Interaktionen zuerst auf die gröbste Dimension, auf die Erscheinung. Salam ist männlich, palästinensisch, dünn oder dick, hübsch oder hässlich, weiß oder schwarz usw. Der Folterer ist Israeli, groß oder klein, arm oder reich usw. Der Geist kann bei der Interaktion mit der Welt in der scheinbaren Ebene, in den materiellen Eigenschaften der Objekte stecken bleiben. Oder er kann in ihren Interaktionen einen Schritt weiter gehen.

2. vicāra rūpa – Der Geist geht tiefer und bezieht sich in seinen Interaktionen auf die subtile, subjektive Dimension. In der oben beschriebenen Geschichte können wir davon ausgehen, dass die subjektive Dimension des Folterers Salam beispielsweise als ideologischen Gegner ansah, als jemanden, der andere Ideen als er selbst denkt und vertritt. Das Gleiche gilt vielleicht für Salams subjektive Dimension, wenn er in seinen pro-palästinensischen Artikeln die israelische Regierung angreift. Könnte der Folterer tiefer in die Schichten des Geistes vordringen, käme er vielleicht zu dem Schluss, dass es sich nicht lohnt, sich selbst zu quälen. Und als Salam tiefer nachdachte, kam er zu dem Schluss, dass er sich nicht mehr aktiv an Konflikten wie dem zwischen Palästina und Israel beteiligen konnte, denn was er in der Folterkammer sah, ist, dass Trennungen nur Schein sind, ohne Konsistenz.

3. ānanda rūpa – Der Geist kann eine direkte Erfahrung machen und wird von seinen Vorurteilen, Anhaftungen an Erinnerungen, Projektionen usw. befreit. In dieser Schicht verarbeitet der Geist seine Umgebung ohne die Schleier, die seine innerste Essenz verhüllen. Dann verlieren die Trennungen, die Unterschiede ihre Konsistenz, ihre Realität. Das gibt ein Gefühl der Freude, der Vollständigkeit, der Befriedigung.

4. asmitā rūpa – Der Geist geht über alle bisherigen Parameter hinaus. Es gibt keine Identifikation mehr mit den beschriebenen Schichten, auch nicht mit dem Gefühl der Freude usw.

Die durch direkte Erfahrungen geformte Persönlichkeit, deren Geist geschult ist, durch die Schichten zu gehen, von den gröbsten bis zu den subtilsten, erfährt die Leichtigkeit, die aus der Klarheit eines hohen Verständnisses geboren wird, und erlebt Zufriedenheit auf ihrer Reise durch das Leben, ungeachtet der Missgeschicke, die wir durchmachen müssen. Ein hohes Verständnis muss nicht auswendig gelernt werden: Es gibt keine Trennung zwischen Salam und dem, was gelebt wird. Ebenso wie sich die Trennung zwischen Salam und dem Folterer als unbegründet erwies. Genauso wenig muss ich mir jeden Tag vor dem Einschlafen meinen Namen einprägen, damit ich ihn nach dem Aufwachen noch weiß. Eine direkte Erfahrung ist in mir eingraviert, es gibt keine Trennung zwischen ihr und mir.

Salam braucht sich nicht zu merken, was er in der Folterkammer verstanden hat, denn sein Geist ging durch die Schichten und er kam dadurch zum Wesen seiner selbst und aller Dinge. Er berichtet, dass ihn ein unbeschreibliches Wohlbefinden überkam, als er nach zwei Tagen der Folterungen, die fast zu seinem „Tod“ geführt hätten, aufwachte. Ein Glück, das er nicht in Worte fassen konnte, überflutete ihn. Er lachte über die Dummheit des Menschen, der sich, gefangen im Schein, als von allem um ihn herum getrennt sieht und sich in absurde Aktionen wie den Krieg stürzt.

*

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Li recentemente um breve relato sobre a história de Salam, que vivia em Jerusalém e atuava como jornalista e ativista, em um livro de Jack Kornfield. Devido às suas idéias políticas, ele foi preso e barbaramente torturado. Em uma das sessões de tortura, enquanto os policiais pensavam que Salam estava morto, ele vivenciava algo que mudou a sua compreensão sobre si mesmo.

Ele foi inundado por uma profunda clareza e sabedoria sobre a sua essência. Uma profunda paz o inundava. Como uma testemunha, ele viu o seu corpo estendido sobre o chão. O corpo no chão era ele. Mas a bota do torturador também. Assim como as cores nas paredes da cela. O berro do bode que vinha de fora. A sujeira embaixo das unhas do torturador…

Se tudo era ele, refletiu, como ele poderia morrer?

Se observamos a natureza com um pouco mais de atenção, podemos visualizar que há uma rede que interconecta objetos aparentemente diferentes. A chuva, o sol, a terra, o fruto, as flores, as folhas… A chuva, a terra e o sol estão no broto; o broto está na árvore, nas folhas, nas flores e nos frutos; as folhas caídas sobre o chão nutrem a terra e voltam a compor a árvore viva e todos os seus componentes; no fruto está o sol, a chuva, as folhas caídas sobre o chão, a energia da árvore… e por aí vai. Onde está a divisão entre as aparentes partes? Onde começa uma parte e termina a outra? Se tudo se suporta mutuamente e se transforma continuamente, onde está a morte?

Se há alguma morte possível, é a morte da individualidade, da divisão. E essa compreensão leva ao reforço da ideia da interconexão, da não separação de tudo o que há no campo da existência – desde o mais grosseiro ao mais sutil.

O Yoga Sutra de Patanjali nos mostra que, nas nossas interações com o mundo, é apropriado que a mente faça o caminho reverso: da camada mais grosseira, ou da aparência, em direção ao mais sutil. Dessa forma, podemos ter uma compreensão que é elevada.

Sutra I.17 vitarka-vicāra-ānanda-asmitārūpa-anugamāt-saṃprajñātaḥ

Aqui estão os estágios pelos quais a mente passa em suas interações:

  1. vitarka rūpa – a mente foca primeiro na dimensão mais grosseira durante as suas interações, na aparência. Salam é homem, palestino, magro ou gordo, bonito ou feio, branco ou preto etc. O torturador é israelense, alto ou baixo, pobre ou rico etc. A mente pode ficar presa na camada aparente, nas características materiais dos objetos ao interagir com o mundo. Ou pode dar um passo além nas suas interações.
     
  2. vicāra rūpa – a mente vai mais fundo e se relaciona com a dimensão sutil, subjetiva em suas interações. Na história descrita acima, podemos pensar que a dimensão subjetiva do torturador, por exemplo, via Salam como um oponente ideológico, alguém que pensa e defende ideias diferentes das suas. E o mesmo se passava na dimensão subjetiva de Salam, quando atacava o governo israelense em seus artigos pró-Palestina.

    Se o torturador pudesse ir mais fundo nas camadas da mente, ele iria talvez chegar à conclusão de que não vale a pena torturar a si mesmo. E quando a mente de Salam foi mais fundo, ele chegou à conclusão de que ele não poderia mais se envolver ativamente em conflitos como entre a Palestina e Israel, porque o que ele viu na sala de tortura é que as divisões são apenas aparências, sem consistência.
  3. ānanda rūpa – a mente pode ser tomada em suas interações pelo que Patanjali chama de experiência direta. A mente se liberta de seus preconceitos, do apego à memória, às projeções etc e vê o que a cerca sem os véus que velam a sua essência mais íntima. Então, as separações, diferenças perdem a consistência, a realidade. Com isso, há uma sensação de prazer, de completude, de satisfação por ir fundo em algo.
  4. asmitā rūpa – a mente ultrapassa todos os parâmetros anteriores. Não há mais identificação com as camadas descritas, nem com a sensação de prazer etc.

A personalidade formada por experiências diretas, cuja mente está treinada a percorrer as camadas, da mais grosseira à mais sutil, vive a leveza nascida da clareza de uma compreensão elevada e vivencia satisfação no seu percurso pela vida, independente dos percalços pelos quais temos que passar. Uma compreensão elevada não precisa ser memorizada: não há separação entre Salam e o vivido. Assim como a separação entre Salam e o torturador se mostrou infundada. Assim como eu não preciso memorizar o meu nome todos os dias antes de dormir, para lembrá-lo ao acordar. Uma experiência direta, profunda está gravada em mim, não há separação entre ela e eu.

Salam não precisa memorizar o que ele compreendeu na sala de tortura, porque a mente dele percorreu as camadas descritas acima e ele chegou, com isso, à essência de si mesmo e de todas as coisas. Ele relata que ele foi tomado por um bem-estar indescritível ao despertar depois de dois dias da sessão de tortura que quase o levou à “morte”. Uma felicidade que ele não poderia descrever com palavras o inundava. Ele riu da imbecilidade do ser humano, que preso às aparências, se vê separado de tudo o que o cerca e se lança em ações absurdas como a guerra.

*

APPEARANCES CAN BE DECEPTIVE

Recently, in a book by Jack Kornfield, I read a short account of the story of Salam, who lived in Jerusalem and worked as a journalist and activist. He was arrested and cruelly tortured because of his political ideas. During one of the tortures, when the policemen thought Salam was dead, he experienced something that changed the way he saw himself.

He was flooded with a deep clarity and wisdom about his being. A deep peace flowed through him. As a witness, he saw his body lying on the ground. The body on the floor was him. But so was the boot of the torturer. The same was true of the colors on the walls of the cell, the screech of the goat coming from outside, the dirt under the torturer’s nails….

If everything was him, he reflected, how could he die?

If we observe nature more closely, we can see that there is a network that connects seemingly different objects. The rain, the sun, the earth, the fruits, the flowers, the leaves…. The rain, the earth and the sun are in the sprout; the sprout is in the tree, in the leaves, in the flowers and in the fruit; the leaves that fall on the ground nourish the earth and form the living tree and all its components; in the fruit are the sun, the rain, the leaves that fall on the ground, the energy of the tree and so on.

Where is the separation between the apparent parts? Where does one part begin and the other end? If everything is constantly self-sustaining and transforming, where is death? If there is a possible death, it is the death of individuality, of division. And this understanding leads to the reinforcement of the idea of connectedness, of non-separation of everything in the field of existence – from the grossest to the finest.

The text Yoga Sutra by Patanjali shows us that it is appropriate for the mind to take the opposite path in our interactions with the world: from the grossest layer or appearance to the subtlest. In this way, we can develop a higher understanding.

Sutra I.17 vitarka-vicāra-ānanda-asmitārūpa-anugamāt-saṃprajñātaḥ

Here are the layers that the mind passes through in its interactions:

1. vitarka rūpa – The mind focuses first on the grossest dimension, appearance, in its interactions. Salam is male, Palestinian, thin or fat, handsome or ugly, white or black, etc. The torturer is Israeli, tall or short, poor or rich, etc. The mind, in interacting with the world, can get stuck in the apparent plane, in the material properties of the objects. Or it can go one step further in their interactions.

2. vicāra rūpa – The mind goes deeper and relates to the subtle, subjective dimension in its interactions. In the story described above, we can assume that the subjective dimension of the torturer, for example, viewed Salam as an ideological opponent, someone who thinks and holds ideas different from his own. The same may be true for Salam’s subjective dimension when he attacks the Israeli government in his pro-Palestinian articles. If the torturer could penetrate deeper into the layers of the mind, he might conclude that it is not worth torturing himself. And when Salam thought deeper, he came to the conclusion that he could no longer actively participate in conflicts like the one between Palestine and Israel, because what he saw in the torture chamber is that divisions are only appearances, without consistency.

3. ānanda rūpa – The mind can have a direct experience and is freed from its prejudices, attachments to memories, projections, and so on. In this layer, the mind processes its environment without the veils that shroud its innermost essence. Then the separations, the differences lose their consistency, their reality. This gives a feeling of joy, completeness, satisfaction.

4. asmitā rūpa – The mind goes beyond all previous parameters. There is no longer any identification with the layers described, nor with the feeling of joy, etc.

The personality formed by direct experience, whose mind is trained to go through the layers, from the grossest to the subtlest, experiences the ease born of the clarity of a high understanding, and experiences satisfaction in its journey through life, regardless of the misfortunes we have to go through. A high understanding does not have to be memorized: There is no separation between Salam and what he lived. Just as the separation between Salam and the torturer proved to be unfounded. In the same way, I don’t have to memorize my name every day before I go to sleep so that I will remember it when I wake up. A direct experience is engraved in me, there is no separation between it and me.

Salam doesn’t need to memorize what he understood in the torture chamber, because his mind went through the layers above and he thereby saw the essence of himself and of all things. He reports that he was overcome by an indescribable bliss upon awakening after two days of the torture session that almost led to his „death“. A happiness that he could not describe in words flooded him. He laughed at the imbecility of the human beings, who, trapped by appearances, see themselves as separate from everything around them and launch themselves into absurd actions such as war.